Para aqueles que julgavam que o "correio elegante" distribuído nas festas juninas tinha sido morto e enterrado na tumba do esquecimento, aqui vão duas histórias de novas e velhas mídias que se rivalizam na onda dos anúncios amorosos.
Wina Lia é proprietária de uma casa que acaba de ser colocada à venda na Ilha de Java (Indonésia). A parte picante e pitoresca da história desta viúva de 40 anos é que quem comprar a sua casa pode adquiri-la como esposa, juntamente com o imóvel (http://oglobo.globo.com/economia/compre-uma-casa-case-com-antiga-dona-15560976).
Segundo notícia publicada no jornal O Globo online, o texto do anúncio reza que "quando você comprar esta casa, poderá pedir a proprietária em casamento", mas só vale “para compradores sérios e não é negociável”. O anúncio de Wina foi elaborado por um corretor de imóveis, amigo da anunciante, e publicado em algum lugar da Internet.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, mas utilizando mídias menos interativas, Heron Guarezi partiu para o outdoor com foto e telefone para atrair a sua "alma gêmea", a saber: "mulheres entre 18 a 35 anos, interessadas em um relacionamento sério" (leia-se "casar") (http://oglobo.globo.com/brasil/agricultor-de-santa-catarina-faz-anuncio-em-outdoor-em-busca-de-namorada-15562557).
Para elaborar seu anúncio, o operador de máquinas agrícolas, que tem 30 anos e mora em Tubarão (Santa Catarina), contou com a ajuda de uma empresa de comunicação visual.
Métodos distintos, retornos diferentes. Wina afirmou à Agência AFP que só recebeu até agora a visita de um "provável comprador" e candidato a marido. Já Herson diz ter recebido 100 telefonemas, mas ainda não chegou a conhecer alguma pretendente pessoalmente.
Não estivesse Wina acima da faixa etária pretendida por Herson, morando em outro país e com um padrão de vida provavelmente superior a deste último (a casa de Wina está sendo vendida US$ 75 mil), a coisa ente eles já estaria a meio caminho andado: ao menos, ambos já teriam muito o que conversar sobre os efeitos nefastos da superexposição da vida íntima.
Para além dos esforços publicitários, no entanto, o importante é menos a quantidade de retorno de possíveis pretendentes do que a exatidão da escolha do/da candidato. Neste sentido, não há modalidade de anúncio que faça este tipo de milagre.
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
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quinta-feira, 12 de março de 2015
terça-feira, 15 de maio de 2012
Santa Inocência, Batman!
Meu nome hoje seria Perplexidade, mas acabei trocando-o por Desânimo.
Para falar a verdade, eu não estava nem aí com esse lero-lero em torno das fotos íntimas de Carolina Dieckmann. Há alguns anos, quando eu ainda campeava em terras estrangeiras, pude ouvir de longe o mesmo tipo de polêmica em torno da privacidade com o caso Cicarelli. Daquele burburinho, ficou só uma lição: o produto imagético motivador da polêmica costuma não valer nem o esforço de uma procura no Google.
Mas só fui mudar de nome mesmo quando li esta matéria publicada na Folha online de hoje, abordando medidas práticas para que "textos, fotos e vídeos íntimos fiquem bem guardados" (http://www1.folha.uol.com.br/tec/1089392-fotos-de-dieckmann-nua-tiveram-8-milhoes-de-acessos-saiba-como-proteger-as-suas.shtml).
Para início de conversa, a principal maneira de impedir que seus arquivos delicados caiam nas mãos de terceiros é a criptografia. Isto significa "embaralhar as informações dentro deles" e só torná-las legíveis novamente por meio de senha.
Só que aí começa o receituário para alavancar uma senha "poderosa", isto é, dificilmente advinhável por um hacker mal-intencionado. Ela deve ter pelo menos 8 caracteres e misturar letras, números e símbolos. E você se pensou em utilizar aquele dispositivo gentilmente oferecido pelo seu navegador como paliativo contra a complexidade a senha, pode desistir: as senhas armazenadas assim também podem ser facilmente interceptadas por hackers. O mesmo vale para as famosas perguntas-chave, valiosas quando se quer lembrar da senha esquecida: não vale usar informações facilmente garimpáveis nas redes sociais, como cidade onde nasceu, time preferido, etc.
Além dos programas de criptografia (alguns deles até gratuitos), ainda tem mais coisa para ser baixada para proteger seus arquivos: programas "trituradores" como CCleaner prometem apagar para sempre aqueles arquivos que você achava que tinha excluído simplesmente porque você os jogou na lixeira o seu cumputador. E se você achava que as coisas funcionavam assim, benvido(a) ao mundo dos espertos: arquivos exlcuídos na lixeira podem ser recuperados, "mesmo que a máquina seja reformatada". Ugh!
E se você achou que o martírio tinha terminado, calma que ainda tem mais informação para acabar com sua santa inocência internética de vez: você certamente terá que desembolsar mais algum dinheiro extra para comprar um HD externo, dar preferência a acessos a serviços de Internet pagos em detrimento das redes sem fio públicas (sem senha), atualizar devidamente seu anto-vírus, além de contratar uma babá todas as vezes que chamar um técnico de informática na sua casa.
É isso mesmo. A matéria incita vigilância estrita sobre o(a) funcionário(a) em questão: "Se você precisar consertar sua máquina, remova a unidade de armazenamento dela ou peça ao técnico que faça o conserto na sua frente". Mas como é que eu vou fazer uma coisa dessas se eu ainda estou apnhando para saber o que é unidade de armazenamento? Aos mais aflitos como eu, a matéria ainda tenta dar alguma esperança: "Se isso não for possível, vale a pena usar a criptografia ou o triturador de dados". E assim voltamos ao topo da lista de sugestões. Bravo!
Claro, com tanta coisa para entender, providenciar e administrar, o sono dos justos corre o risco de ficar abalado. Na verdade, já sinto saudades dos tempos em que não tinha conhecimento desses "perigos" e podia dormir tranquila, sem me preocupar com hackers de nenhuma ordem.
Mas os tempos mudaram! O jeito vai ser recuperar o sono perdido, seguindo o passo-a-passo desse outro receituário: "Conheça sete maneiras de acabar com a insônia sem usar remédios" (http://oglobo.globo.com/saude/conheca-sete-maneiras-de-acabar-com-insonia-sem-usar-remedios-4877384). Resta agora saber se vai me sobrar algum tempo para dormir.
Emfim... boa noite para quem fica!
Para falar a verdade, eu não estava nem aí com esse lero-lero em torno das fotos íntimas de Carolina Dieckmann. Há alguns anos, quando eu ainda campeava em terras estrangeiras, pude ouvir de longe o mesmo tipo de polêmica em torno da privacidade com o caso Cicarelli. Daquele burburinho, ficou só uma lição: o produto imagético motivador da polêmica costuma não valer nem o esforço de uma procura no Google.
Mas só fui mudar de nome mesmo quando li esta matéria publicada na Folha online de hoje, abordando medidas práticas para que "textos, fotos e vídeos íntimos fiquem bem guardados" (http://www1.folha.uol.com.br/tec/1089392-fotos-de-dieckmann-nua-tiveram-8-milhoes-de-acessos-saiba-como-proteger-as-suas.shtml).
Para início de conversa, a principal maneira de impedir que seus arquivos delicados caiam nas mãos de terceiros é a criptografia. Isto significa "embaralhar as informações dentro deles" e só torná-las legíveis novamente por meio de senha.
Só que aí começa o receituário para alavancar uma senha "poderosa", isto é, dificilmente advinhável por um hacker mal-intencionado. Ela deve ter pelo menos 8 caracteres e misturar letras, números e símbolos. E você se pensou em utilizar aquele dispositivo gentilmente oferecido pelo seu navegador como paliativo contra a complexidade a senha, pode desistir: as senhas armazenadas assim também podem ser facilmente interceptadas por hackers. O mesmo vale para as famosas perguntas-chave, valiosas quando se quer lembrar da senha esquecida: não vale usar informações facilmente garimpáveis nas redes sociais, como cidade onde nasceu, time preferido, etc.
Além dos programas de criptografia (alguns deles até gratuitos), ainda tem mais coisa para ser baixada para proteger seus arquivos: programas "trituradores" como CCleaner prometem apagar para sempre aqueles arquivos que você achava que tinha excluído simplesmente porque você os jogou na lixeira o seu cumputador. E se você achava que as coisas funcionavam assim, benvido(a) ao mundo dos espertos: arquivos exlcuídos na lixeira podem ser recuperados, "mesmo que a máquina seja reformatada". Ugh!
E se você achou que o martírio tinha terminado, calma que ainda tem mais informação para acabar com sua santa inocência internética de vez: você certamente terá que desembolsar mais algum dinheiro extra para comprar um HD externo, dar preferência a acessos a serviços de Internet pagos em detrimento das redes sem fio públicas (sem senha), atualizar devidamente seu anto-vírus, além de contratar uma babá todas as vezes que chamar um técnico de informática na sua casa.
É isso mesmo. A matéria incita vigilância estrita sobre o(a) funcionário(a) em questão: "Se você precisar consertar sua máquina, remova a unidade de armazenamento dela ou peça ao técnico que faça o conserto na sua frente". Mas como é que eu vou fazer uma coisa dessas se eu ainda estou apnhando para saber o que é unidade de armazenamento? Aos mais aflitos como eu, a matéria ainda tenta dar alguma esperança: "Se isso não for possível, vale a pena usar a criptografia ou o triturador de dados". E assim voltamos ao topo da lista de sugestões. Bravo!
Claro, com tanta coisa para entender, providenciar e administrar, o sono dos justos corre o risco de ficar abalado. Na verdade, já sinto saudades dos tempos em que não tinha conhecimento desses "perigos" e podia dormir tranquila, sem me preocupar com hackers de nenhuma ordem.
Mas os tempos mudaram! O jeito vai ser recuperar o sono perdido, seguindo o passo-a-passo desse outro receituário: "Conheça sete maneiras de acabar com a insônia sem usar remédios" (http://oglobo.globo.com/saude/conheca-sete-maneiras-de-acabar-com-insonia-sem-usar-remedios-4877384). Resta agora saber se vai me sobrar algum tempo para dormir.
Emfim... boa noite para quem fica!
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