UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: Plutão
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sexta-feira, 18 de março de 2016

Superfície de Plutão

Graças à sonda espacial New Horizons, a revista Science nos trouxe esta semana um belíssimo presente: um compêndio de imagens e estudos sobre Plutão e sua lua, Caronte, tiradas durante missão espacial norte americana em julho de 2015.

De acordo com notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online, os estudos abordados pela Science relatam um planeta com presença de uma "ampla variedade de cores e composições químicas" e com paisagens extremamente diversificadas, marcadas pela injunção de "placas tectônicas, extensos montes, glaciares e blocos de gelo."

"A variabilidade do terreno sugere que as camadas da estrutura de Plutão resultaram da erosão e de diferentes processos de formação geológica, que ocorreram durante os últimos cem milhões de anos", explica ainda a notícia. Nada mal para um planeta cuja "atmosfera é mais fria e compacta do que se pensava."

Vendo tanta diversidade daqui de longe, termino uma das semanas mais tumultuadas no ano até agora com a seguinte questão para reflexão: se em Plutão pode, por que não aqui?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cabeça de bacalhau

Mistérios no espaço...

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia acabam de relatar "boas evidências" de que nosso sistema solar possui um nono planeta, supostamente localizado no longínquo Cinturão de Kuiper.

O caminho da demonstração, publicado na revista Astronomical Journal, é, contudo, um pouco mais complexo para nós, pobres mortais leigos. Para início de conversa, supõe-se que ele existe, muito embora não tenha sido ainda avistado por nenhum instrumento óptico. No caso do Planeta 9 (tal como ele tem sido chamado), os cientistas "basearam a descoberta em cálculos matemáticos e modelagem computadorizada, e anteciparam sua descoberta via telescópio, que deve acontecer dentro de cinco anos ou menos".


Ou seja, apesar de desconhecido, o danado do Planeta 9 é que nem cabeça de bacalhau: todo mundo sabe que existe, mas ninguém nunca viu. Com a peculiaridade, claro, de já ter previsão para a descoberta. "Isso é uma previsão, O que nós encontramos foi uma assinatura gravitacional do Planeta 9, escondido na periferia do sistema solar", afirma um dos autores do artigo, Konstantin Batygin. 

O outro autor, Mike Brown, possui um recheado currículo de descobertas astronômicas, dentre as quais a de Sedna, "um grande asteroide que orbita na fronteira do sistema solar" e que estaria supostamente sendo influenciado, juntamente com outros 5 corpos celestes, pela presença do Planeta 9. Mas Brown ganhou projeção sobretudo pelo rebaixamento, em 2006, do nosso petitico Plutão à condição de planeta-anão. 

Tamanho, contudo, não parece ser a preocupação do Planeta 9, pois "imagina-se que o gigante gasoso seja quase tão grande quando Netuno e orbita (sic) a bilhões de quilômetros de distância da órbita do oitavo planeta". Já Plutão, que nunca se recuperou totalmente do golpe desferido por Brown, ficou visivelmente perturbado com a possível existência do Planeta 9, o cabeça de bacalhau. Em nota à imprensa, Plutão preferiu se resguardar do debate planetário em torno da existência do Planeta 9. De acordo com a sua melhor amiga, a sonda New Horizons, Plutão tem preferido curtir férias na casa de alguns amigos astrólogos que, no final das contas, parecem ser os únicos darem crédito para os trânsitos do planeta-anão.

Fim do debate. Quem vir o Planeta 9 primeiro desenha aqui para a gente ver como é mesmo uma cabeça de bacalhau.





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Céu azul, água gelada

Uma brevíssima para descontrair e desopilar o fígado.

A sonda New Horizons, lançada pela agência espacial norte-americana NASA, trouxe a público  hoje novas informações sobre Plutão, o planeta-anão que é ponto final da linha do nosso sistema solar.



Segundo fotos enviadas pela sonda, Plutão tem céu azul e água gelada. Bom, até aí, nada demais. Cabo Frio também tem. Mas este pequeno território mineiro em terras fluminenses não tem a prerrogativa de estar situado no Cinturão de Kuiper, região longínqua do nosso sistema solar onde esta localizado o pequeno planeta vermelho. 

"Quem teria esperado um céu azul no Cinturão de Kuiper?", indagou Alan Stern, chefe da missão New Horizons.

Difícil imaginar. De qualquer forma, se a mineirada resolver baixar por lá nas próximas férias de janeiro, pode ter certeza de que vai nublar e/ou chover todos os dias, sem exceção.




sábado, 18 de julho de 2015

No coração das barreiras

Bravíssimo! Sonda da NASA chega ao coração de Plutão no mesmo dia em que a brasileira Etiene Medeiros conquista, pela primeira vez, uma medalha de ouro na natação feminina nos Jogos Pan-Americanos (PAN). Mas o que esses dois eventos têm em comum? Ambos superam barreiras e excedem expectativas anteriores.

No caso da brasileira, que já havia se tornado, em dezembro 2014, "a primeira mulher do país a se sagrar campeã mundial (em piscina curta, de 25 m), com um título nos 50 m costas –com direito a recorde mundial– em Doha", mas um recorde vem bater à sua porta. Com o novo recorde pan-americano (59') e a primeira vitória de mulher brasileira na natação, Etiene já coleciona 3 medalhas, antes mesmo das provas da sua categoria terminarem: além da medalha de ouro conquistada hoje, ela foi "prata no revezamento 4 x 100 m livre, na terça, e nesta sexta ganhou o ouro nos 100 m costas".

No caso da New Horizons, enviada pela NASA ao planeta Plutão, a surpresa ficou por conta das imagens inéditas, em alta resolução, capturadas pela sonda: "A formação parecida com um coração vista em Plutão pela sonda New Horizons, da Nasa, é na verdade uma enorme planície provavelmente composta em grande parte por gelo de monóxido de carbono".

O chamado coração de Plutão nada mais é do que "uma superfície 'enrugada', provavelmente formada nos últimos 100 milhões de anos e dividida em pequenos segmentos por um processo geológico de natureza ainda desconhecida". De qualquer forma, de acordo com o líder da equipe de geologia, geofísica e imageamento da missão, Jeff Moore, "a descoberta de vastas e jovens planícies sem crateras em Plutão excede todas nossas expectativas de antes do sobrevoo."

No final das contas, romper a barreira do sistema solar e romper as diversas barreiras que impediram as predecessoras de Etiene de subir ao pódio é farinha do mesmo saco. Mas o melhor da superação das barreiras é o seguinte: o que está do lado de lá pode ser muito melhor e maravilhoso do que imaginamos.

Boa noite para quem fica. Hora de dormir!  



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Em atividade

 Você que está ai, cabisbaixo, de olho no seu smartphone, pensando na morte da bezerra ou nos descalabros de uma suposta crise, nem sonha que há mais atividade entre o céu e a Terra do que julga sua vã filosofia. Ou melhor, há mais atividade entre a Terra e o Universo... do que qualquer um jamais poderia imaginar!

A boa nova é que nós, brasileiros, além de termos rapado três medalhitas de ouro nas provas de natação dos Jogos Pan-Americanos de Toronto hoje, estamos também tendo a oportunidade até então inédita de testemunhar a captação das primeiras imagens feitas pela sonda New Horizons.

O que aprender com as essas imagens de planeta tão distante e tão pequeno (cerca de 0,24% a da Terra ou 66% do diâmetro da lua, segundo o Wikipédia)? Ora, pequeno é uma pinoia! Plutão tem muita atividade geológica, mas tanta, tanta, tanta que até andou emprestando um bocado para Caronte, sua maior lua.

Para a alegria dos astrônomos e geólogos, Plutão está se apresentando como uma caixinha de surpresas: além de sofrer possivelmente frequentes pancadas do cinturão de objetos celestes que gravitam ao redor dele, "montanhas com cerca de 3.000 a 4.000 metros de altitude" dão fé do caráter recente dessas últimas. "John Spencer, cientista da missão, deu um palpite informado de que essas superfícies devem ter menos de 100 milhões de anos — o que é um piscar de olhos, para um objeto que tem 4,6 bilhões de anos de idade".

Velhinho, sim. Anão, também. Mas, sobretudo, geologicamente ativo. Pelo visto, Plutão ainda tem muito a ensinar a toda essa gente cabisbaixa, de olho nas más notícias que chegam no seu celular. De qualquer forma, amigo, saiba que você não está só: você tem 280 milhões de viciados ao seu lado, olhos fixos na tela do celular. 

De qualquer forma, entre a contemplação de uma imagem ou outra de Plutão na tela do seu celular, não deixe de olhar para cima e buscar o céu. Plutão está aí para te lembrar que há mais atividade nesse pano de fundo estrelado do que julga sua vã filosofia.