Se as abelhas podem, por que você não pode?
É o que dá a entender a notícia veiculada hoje no jornal Hoje em Dia online sobre pesquisa da Universidade de São Carlos em parceria com a australiana Universidade de Queensland que comprova a habilidade das abelhas de reconhecerem uma obra de arte (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/abelhas-conseguem-distinguir-obras-de-arte-aponta-pesquisa-1.50528).
Intitulada "Abelhas conseguem distinguir obra de arte, aponta pesquisa", a notícia tinha mais é que deixar de firula e propor logo algo como "A Obra de Arte na Era da Imbecilidade Técnica". Pois é assim que ela trata seu leitor potencial: "Um estudo realizado por cientistas do Brasil e da Austrália mostra que elas
conseguem 'apreciar' obras diferentes, como o impressionismo de Monet ou uma
pintura cubista do Picasso."
Claro que o termo "distinguir" aqui está sendo usado no seu sentido menos exigente: "No caso das abelhas, os pesquisadores isolaram um recipiente com açúcar atrás
das pinturas, impedindo que os insetos sentissem o cheiro. Mesmo assim, eles
conseguiram encontrar o alimento, por meio da associação às obras", relata a notícia.
Trocando em miúdos, graças a sua capacidade de processar informações visuais, as abelhas conseguiram chegar aonde queriam. Ótimo! Mas quem acreditou que as abelhas seriam capazes de fazer distinções estéticas elaboradas entre uma obra de arte "autêntica" e uma picaretagem estética qualquer, vai ficar a ver navios. Afinal, se a maior parte dos habitantes desta Roça Grande ainda não sabe distinguir nem "lá" de "cré", o que dirão as abelhas, que nunca foram credenciadas por nenhuma curadoria de arte.
Pois bem fazem elas ao se aterem à produção de mel: música açucarada anda dando muito mais Ibope do que música de câmara, por exemplo.
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
Mostrando postagens com marcador abelhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador abelhas. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 30 de outubro de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Bombus - em busca do tempo perdido
Alguns países como o Canadá e a Suiça praticam há anos uma política de imigração seletiva. O Reino Unido também, mas só que desta vez as trabalhadoras não vem dos países em estágio avançado de desespero humano. As trabalhadoras visadas pela nova política de imigração vêm logo ali do norte, isto é, da Suécia... e têm asas!
Matéria publicada hoje no O Globo online dá detalhes desta nova empreitada migratória: "Cientistas britânicos pretendem recuperar 24 anos perdidos, tempo em que um tipo de abelha (Bombus subterraneus), também conhecida no Brasil como mamangaba, foi dada como extinta no Reino Unido. Os especialistas reintroduziram nesta segunda-feira a espécie trazendo insetos da Suécia, depois de três anos de trabalho" (http://oglobo.globo.com/ciencia/depois-de-24-anos-abelha-retorna-ao-reino-unido-5041707#ixzz1wDs2s2c7).
Pois é... No mundo dos países do dito Primeiro Mundo, políticas compensatórias de combate às desigualdades - demográficas, neste caso específico - entre países só acabam em alegre colaboração porque o assunto é fauna: "A abelha tem um papel importante na polinização das plantas. Porém, o inseto enfrentou um declínio estimado em 97% no Reino Unido. Na Suécia, por outro lado, sua população está aumentando". Se fosse um exército de trabalhadoras somalis, ávidas por um prato de comida, não sei se a transferência teria sido tão bem acolhida...
A diferença básica é que aqui o excesso populacional de uns é bem recebido por outros. E a política migratória tem requintes, vejam só: ela vem associada a uma política de assentamento no campo. "Os ambientalistas que atuam no projeto vão continuar monitorando as abelhas. Eles também estão trabalhando com agricultores para que o habitat delas seja conservado. Muitos chegaram a receber para que certos tipos de flores sejam plantadas ou mantidas. Outros são orientados a não cortar o feno para silagem tão cedo".
Em entrevista ao jornal The Guardian (e não "Gardian", conforme citado na matéria do jornal O Globo), um tal Nikki Gammans, responsável pelo projeto de reintrodução das abelhas, afirmou que "este é um símbolo de que ainda há esperança: não temos de ficar passivamente assistindo a perdas de espécies e habitats".
Bem, se ainda há esperança, então está tudo bem. O problema vai ser se, um dia, a política migratória das abelhas falhar e a Bombus subterraneus resolver fazer jus a seu nome, promovendo atentados no metrô de Londres.
Matéria publicada hoje no O Globo online dá detalhes desta nova empreitada migratória: "Cientistas britânicos pretendem recuperar 24 anos perdidos, tempo em que um tipo de abelha (Bombus subterraneus), também conhecida no Brasil como mamangaba, foi dada como extinta no Reino Unido. Os especialistas reintroduziram nesta segunda-feira a espécie trazendo insetos da Suécia, depois de três anos de trabalho" (http://oglobo.globo.com/ciencia/depois-de-24-anos-abelha-retorna-ao-reino-unido-5041707#ixzz1wDs2s2c7).
Pois é... No mundo dos países do dito Primeiro Mundo, políticas compensatórias de combate às desigualdades - demográficas, neste caso específico - entre países só acabam em alegre colaboração porque o assunto é fauna: "A abelha tem um papel importante na polinização das plantas. Porém, o inseto enfrentou um declínio estimado em 97% no Reino Unido. Na Suécia, por outro lado, sua população está aumentando". Se fosse um exército de trabalhadoras somalis, ávidas por um prato de comida, não sei se a transferência teria sido tão bem acolhida...
A diferença básica é que aqui o excesso populacional de uns é bem recebido por outros. E a política migratória tem requintes, vejam só: ela vem associada a uma política de assentamento no campo. "Os ambientalistas que atuam no projeto vão continuar monitorando as abelhas. Eles também estão trabalhando com agricultores para que o habitat delas seja conservado. Muitos chegaram a receber para que certos tipos de flores sejam plantadas ou mantidas. Outros são orientados a não cortar o feno para silagem tão cedo".
Em entrevista ao jornal The Guardian (e não "Gardian", conforme citado na matéria do jornal O Globo), um tal Nikki Gammans, responsável pelo projeto de reintrodução das abelhas, afirmou que "este é um símbolo de que ainda há esperança: não temos de ficar passivamente assistindo a perdas de espécies e habitats".
Bem, se ainda há esperança, então está tudo bem. O problema vai ser se, um dia, a política migratória das abelhas falhar e a Bombus subterraneus resolver fazer jus a seu nome, promovendo atentados no metrô de Londres.
Assinar:
Postagens (Atom)