A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Levando gato por lebre
Há dois dias atrás, lia que o canadense Dave Hockey, 57 anos, deixava a esposa em casa para viajar com bonecas infláveis (http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/homem-troca-a-mulher-por-bonecas-inflaveis-1.231620). Hoje li que pesquisadores da Califórnia alertam para os riscos para a saúde envolvidos na crescente prática de se dormir com cães e gatos, já que mais e mais pessoas têm deixado de ter filhos para adotarem animais de estimação (http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/01/27/dormir-com-cachorro-ou-gato-na-cama-aumenta-risco-de-doencas-923615661.asp).
No entanto, não é preciso nem sair da região metropolitana de Belo Horizonte para perceber que alguma coisa anda muito errada nas relações humanas e ninguém sequer chamou o corpo de bombeiros.
Veja bem: que aqui no País da Mil e Uma Plásticas já se possa "adquirir" uma cirurgia desta natureza por consórcio, eu já acho um absurdo. Mas substituir a mulher toda pelo solicone, aí já é demais! Mesma coisa para os solitários de plantão: substituir filhos por animaizinhos dóceis não garante nem a continuidade da espécie humana como um todo, nem substitui os cuidados básicos que só um filho zeloso pode ter com os pais no final da vida deles.
Mas como os papéis já andam misturados mesmo, eu proponho uma tática "pé na jaca": cirurgias para deixarem as mulheres peludas como gatos ou cães e filhos de estimação em silicone! Hahahaha! E deixa eu pegar meu ônibus que tá na hora de ir para a yoga.
Até amanhã, quando meu humor voltar (se voltar...).
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Morosidade na sinapse nervosa
Se ontem eu estava toda serelepe falando de alongamento de ideias e ginásticas cerebrais, hoje devo confessar que acordei com a nítida impressão de que meu raciocínio foi passar no mata-burro e acabou enganchando o pé. Corri para cima e para baixo o dia todo e ainda assim estou com a sensação de não ter saído do lugar. Não falo de um lugar físico específico, falo de um lugar existencial. O corpo pode até saltitar como uma lebre, mas é a cabeça que parece derrapar na pista e sair pelo acostamento. Aonde era mesmo que eu estava indo? Nem me lembro: o pé do meu raciocínio continua preso lá no mata-burro. Ou então ele ficou parado no acostamento, esperando uma carona passar.