UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: lua nova
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

A batalha

Hoje é Dia de São Jorge, "um dos mais proeminentes santos militares" na hierarquia dos devotos. "De acordo com a tradição, São Jorge foi um soldado do exército romano e, também, um padre", relata nota publicada na Folha online (http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/ultimasdasredessociais/1080158-tuiteiros-comentam-dia-de-sao-jorge-e-convocacao-de-ricardinho-no-volei.shtml).
Tivesse ele escrito a oração que circula em seu nome, teria sido também, além de santo e militar, poeta de primeira. Tão bom que, mesmo sem assumir explicitamente sua verve poética, já conseguiu emplacar sua oração e virar "trending topic" no Twitter.
A oração de São Jorge é uma invocação à proteção divina. A canção de Caetano Veloso é uma ode à lua e aos seus encantamentos. Ironia do destino: no dia de São Jorge, é a lua nova que desponta no céu, supostamente devorada pelo dragão.

Mas pouco importa! O risquinho de lua que sobrou no céu já é mais do que suficiente para eu dançar o meu contentamento e comemorar o desfecho de mais uma batalha.

Salve, Jorge!

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E, aproveitando a deixa, a famosa Oração de São Jorge:

Ó São Jorge, meu guerreiro, invencível na Fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança abra os meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer algum mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, a Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel cavalo meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Ajudai-me a superar todo o desanimo e alcançar a graça que tanto preciso: (fazei aqui o seu pedido) Dai-me coragem e esperança fortalecei minha FÉ e auxiliai-me nesta necessidade. Com o poder de Deus, de Jesus Cristo e do Divino Espírito Santo. Amém!

São Jorge rogai por nós!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Chovendo no molhado!

Duas notícias hoje me fizeram pensar o quanto se pode chover no molhado, isto é: repetir em tom de novidade algo que não passa de um lugar-comum. É a lógica do famoso "segredo de Polichinelo": o bufão finge que grita um segredo e a gente finge que nunca ouviu antes.

A primeira dessas notícias replica declarações concedidas pelo Deputado Federal mais votado nas últimas eleições, o Sr. Tiririca, à Coluna da Mônica Bergamo (http://www1.folha.uol.com.br/poder/958001-tiririca-diz-que-camara-e-uma-fabrica-de-loucos.shtml). Tiririca avalia seus primeiros seis meses de mandato com uma série de lugares-comuns (com os quais não concordo necessariamente) sobre a atuação dos representantes da Câmara: deputado federal "é uma pessoa que trabalha muito e produz muito pouco", que as sessões atravessa a madrugada em discussões em que "ninguém escuta ninguém" e que a Câmara é "uma fábrica de loucos". Nossa, obrigada pela informação! Nunca tinha ouvido nada parecido!!!

O problema de declarações dessa natureza é que elas acabam respingando no seu próprio emissor. Fica aqui então minha pergunta para o nobre deputado Tiririca: em que medida a sua atuação parlamentar serviu para aumentar os níveis de discutibilidade entre os deputados? Infelizmente, a notícia não nos antecipou nenhuma sombra de resposta, alertando que a íntegra da coluna está disponível apenas para assinantes. Sorte (ou azar?) o deles!

A outra notícia replica achados de uma pesquisa liderada pelo pesquisador Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA), e que foi publicada na Revista "PLoS ONE" (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/958041-leoes-tendem-a-atacar-mais-quando-luar-enfraquece.shtml).

Pelo que a matéria sugere (mais não afirma explicitamente), a pesquisa levou em consideração dados estatísticos dos ataques de leões a seres humanos na Tanzânia - mais de mil tanzanianos fora atacados entre 1988 e 2009, dois terços dos quais foram ataques fatais - além da frequência dos ataques de acordo com a fase da lua e da circunferência do abdômen dos leões antes e depois da lua cheia.

Dois achados da pesquisa me pareceram de uma evidência estarrecedora: em primeiro lugar, que "a vasta maioria das vítimas foi atacada depois de escurecer"; em segundo lugar, que "os leões são mais perigosos quando a luz da Lua está fraca", ou seja: na lua nova. Que surpresa! Quanto menor a visibilidade do predador, maior o maior perigo para a presa. E a conclusão vem seguida de um loooongo bocejo.

Coitadinho do pesquisador... Se ele soubesse que esse comportamento dos felinos já havia sido cantado em prosa e verso na canção "Arrumação", canção na qual o compositor Elomar narra poeticamente a morte do bode Seda Branca por uma onça sussuarana: "Lua nova sussarana vai passá/Sêda branca, na passada ela levô/Ponta d'unha, lua fina risca o céu/A onça prisunha, a cara de réu/O pai do chiquêro a gata comeu".

Claro, talvez tudo isso não passe de um problema de inacessibilidade de informações à pessoa certa, no momento certo: se, por um lado, Elomar não canta na língua do pesquisador da Universidade de Minnesota, por outro, o Sr. deputado Tiririca teve que suar para provar que sabe ler e escrever para então tomar posse do seu cargo. Para solucionar a primeira lacuna, bastaria o envio de um arquivo em mp3 com uma tradução da letra. Já para a segunda...