Não deu outra! A tão esperada morte de Oscar Niemeyer, aos seus 104 anos de idade, ganhou as manchetes da imprensa nacional ao final do dia de hoje. Em contrapartida, a morte do ícone do jazz americano, Dave Brubeck, na véspera de completar 92 anos, ganhou uma projeção um pouco mais modesta por aqui.
Não cabe aqui discutir se uma estrela merecia, de fato, mais atenção do que a outra. Aliás, acho péssima a ideia de que quando uma pessoa morre, ela vira estrela. Na verdade, o adágio cria uma situação muito desconfortável para as estrelas maiores que, em função do seu porte, tendem a se tornar um buraco negro ao se apagarem. E buraco negro, como todos sabemos, carrega consigo tudo o que está no seu entorno, inclusive a luz.
Bobagem! Iluminados que eram, não careceriam nunca de levar consigo a luz alheia. Pelo contrário, deixam para trás pérolas de iluminação. De Niemeyer vem humildade resignada: "a vida é mais importante que a arquitetura" (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1183366-a-vida-e-mais-importante-do-que-a-arquitetura-escreveu-oscar-niemeyer.shtml). De Brubeck, a crença em um código capaz de transcender as barreiras humanas: "Não entendo russo, mas entendo linguagem corporal", teria dito o músico ao ver o ex-presidente Mikhail Gorbachev tamborilar os pés ao ritmo da música (http://oglobo.globo.com/cultura/morre-musico-de-jazz-dave-brubeck-6937638).
Numa noite tão estrelada, nada melhor que lembrar que as estrelas podem até morrer. Mas os mitos... ah, estes, sim, são imortais!
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Sobre-natural
Viver é natural. Morrer também. Mas há vidas e mortes que têm um quê de sobrenatural.
Essa notícia publicada hoje na Folha online sobre o menino que acordou durante o próprio velório não deixa margem para muitas dúvidas: o caso é realmente do outro mundo!
"Uma criança de dois anos acordou, sentou no caixão e bebeu um copo de água durante seu próprio velório no sábado (2), em Belém, segundo parentes e pessoas presentes no local" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1101381-crianca-acorda-e-pede-agua-no-meio-de-seu-velorio-diz-familia.shtml).
O menino Kelvys Simão dos Santos chegou a ser levado para o hospital, mas acabou chegando morto. Enquanto a polícia civil investiga a possibilidade de erro médico na declaração da primeira morte, "há quem diga que foi um milagre ou algo sobrenatural". Pelo menos, é o que acreditam as 50 pessoas presentes no velório.
Um outro caso digno de menção foi o falecimento da única filha de Oscar Niemeyer, Anna Maria Niemeyer, aos 82 anos de idade. "O hospital informou que a causa da morte foi enfisema pulmonar", revela notícia publicada no mesmo jornal (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1101215-aos-82-anos-morre-a-unica-filha-de-oscar-niemeyer.shtml).
Neste caso específico, três interpretações são possíveis e plenamente conciliáveis: é natural alguém morrer aos 82 anos, como Anna Maria; é anti-natural uma filha morrer antes de seu pai, partindo-se do princípio de que este era 22 anos mais velho; é sobrenatural alguém como Oscar Niemeyer chegar lúcido e saudável aos 104 anos.
O ditado já dizia: "para morrer, basta estar vivo". Mas para compreender os mistérios da vida e da morte, não tem outro jeito: é preciso nascer e morrer muitas vezes!
Essa notícia publicada hoje na Folha online sobre o menino que acordou durante o próprio velório não deixa margem para muitas dúvidas: o caso é realmente do outro mundo!
"Uma criança de dois anos acordou, sentou no caixão e bebeu um copo de água durante seu próprio velório no sábado (2), em Belém, segundo parentes e pessoas presentes no local" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1101381-crianca-acorda-e-pede-agua-no-meio-de-seu-velorio-diz-familia.shtml).
O menino Kelvys Simão dos Santos chegou a ser levado para o hospital, mas acabou chegando morto. Enquanto a polícia civil investiga a possibilidade de erro médico na declaração da primeira morte, "há quem diga que foi um milagre ou algo sobrenatural". Pelo menos, é o que acreditam as 50 pessoas presentes no velório.
Um outro caso digno de menção foi o falecimento da única filha de Oscar Niemeyer, Anna Maria Niemeyer, aos 82 anos de idade. "O hospital informou que a causa da morte foi enfisema pulmonar", revela notícia publicada no mesmo jornal (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1101215-aos-82-anos-morre-a-unica-filha-de-oscar-niemeyer.shtml).
Neste caso específico, três interpretações são possíveis e plenamente conciliáveis: é natural alguém morrer aos 82 anos, como Anna Maria; é anti-natural uma filha morrer antes de seu pai, partindo-se do princípio de que este era 22 anos mais velho; é sobrenatural alguém como Oscar Niemeyer chegar lúcido e saudável aos 104 anos.
O ditado já dizia: "para morrer, basta estar vivo". Mas para compreender os mistérios da vida e da morte, não tem outro jeito: é preciso nascer e morrer muitas vezes!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Status de relacionamento
É... Os tempos realmente são outros!
Na Índia, homem se casa, não muda status de relacionamento no Facebook e acaba divorciado da esposa dois meses depois da união conjugal. Pelo menos é o que afirma notícia publicada hoje na Folha online (http://f5.folha.uol.com.br/humanos/1092363-mulher-pede-divorcio-apos-marido-nao-conseguir-mudar-relacionamento-no-facebook.shtml).
Citando como fonte o jornal "Deccan Chronicle", a notícia relata a decisão da esposa de dar fim ao relacionamento nos seguintes termos: "a moça afirmou à justiça que ela não pode confiar nele depois de sua falha para anunciar o casamento na rede social".
Para rebater tese tão bem fundamentada, o advogado do marido desmemoriado veio com a seguinte justificativa: "Ele estava disposto a fazer isso na mesma hora ou até mesmo desativar sua conta, no entanto, a mulher não estava interessada em continuar com o casamento e disse que seu marido poderia estar fazendo coisas pelas costas e ela não podia confiar nele".
Achei justíssima decisão dela!
Não se pode mesmo confiar em alguém que ignore que as redes sociais se tornaram um verdadeiro celeiro de desavenças entre casais de todas as idades. Aliás, sou totalmente a favor à iniciativa dos casais tentarem primeiro manter um "relacionamento sério" no mundo virtual das tais redes de relacionamento; se der certo, aí, sim, eles passariam à união de corpos. Isso evitaria uma série de inconvenientes desagradáveis em plena praça pública facebookiana e reduziria drasticamente o número de divórcios no mundo moderno.
Querem uma prova? Dêem uma olhada no Oscar Niemeyer: ele acaba de sair do hospital após ficar 12 dias internado com pneumonia e desidratação (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1092506-arquiteto-oscar-niemeyer-recebe-alta-apos-16-dias-de-internacao.shtml). O seu caso é exemplar: aos 104 anos de idade, Niemeyer está no seu segundo casamento. O primeiro durou cerca de 78 anos e só terminou porque sua esposa veio a falecer em 2004.
O segredo de tanta longevidade - inclusive, a conjugal - não poderia ser outro: o astuto arquiteto de Brasília nunca teve de quebrar a cabeça com seus relacionamentos no Facebook. Tão claro e certeiro quanto 2 + 2 = 4.
Na Índia, homem se casa, não muda status de relacionamento no Facebook e acaba divorciado da esposa dois meses depois da união conjugal. Pelo menos é o que afirma notícia publicada hoje na Folha online (http://f5.folha.uol.com.br/humanos/1092363-mulher-pede-divorcio-apos-marido-nao-conseguir-mudar-relacionamento-no-facebook.shtml).
Citando como fonte o jornal "Deccan Chronicle", a notícia relata a decisão da esposa de dar fim ao relacionamento nos seguintes termos: "a moça afirmou à justiça que ela não pode confiar nele depois de sua falha para anunciar o casamento na rede social".
Para rebater tese tão bem fundamentada, o advogado do marido desmemoriado veio com a seguinte justificativa: "Ele estava disposto a fazer isso na mesma hora ou até mesmo desativar sua conta, no entanto, a mulher não estava interessada em continuar com o casamento e disse que seu marido poderia estar fazendo coisas pelas costas e ela não podia confiar nele".
Achei justíssima decisão dela!
Não se pode mesmo confiar em alguém que ignore que as redes sociais se tornaram um verdadeiro celeiro de desavenças entre casais de todas as idades. Aliás, sou totalmente a favor à iniciativa dos casais tentarem primeiro manter um "relacionamento sério" no mundo virtual das tais redes de relacionamento; se der certo, aí, sim, eles passariam à união de corpos. Isso evitaria uma série de inconvenientes desagradáveis em plena praça pública facebookiana e reduziria drasticamente o número de divórcios no mundo moderno.
Querem uma prova? Dêem uma olhada no Oscar Niemeyer: ele acaba de sair do hospital após ficar 12 dias internado com pneumonia e desidratação (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1092506-arquiteto-oscar-niemeyer-recebe-alta-apos-16-dias-de-internacao.shtml). O seu caso é exemplar: aos 104 anos de idade, Niemeyer está no seu segundo casamento. O primeiro durou cerca de 78 anos e só terminou porque sua esposa veio a falecer em 2004.
O segredo de tanta longevidade - inclusive, a conjugal - não poderia ser outro: o astuto arquiteto de Brasília nunca teve de quebrar a cabeça com seus relacionamentos no Facebook. Tão claro e certeiro quanto 2 + 2 = 4.
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