Ele, mais uma vez!
O astronauta mais pop da transição para a Era de Aquário, o norte-americano Scott Kelly, volta a ser alvo da atenção da imprensa mundial. Após passar 340 dias na Estação Espacial Internacional, "Kelly fez sua primeira grande apresentação aos empregados da agência espacial americana nesta quarta-feira".
Depois de ter crescido cerca de 4 cm durante o período em que esteve nos espaço, as notícias, desta vez, são menos festivas: em sua apresentação, o astronauta afirmou que "sofre de dores nos pés, rigidez nas pernas e fadiga mesmo após três meses na Terra". Como se isso não bastasse, "Kelly disse que sofre com ardor na pele e sintomas similares aos da influenza."
O mais interessante nessa história é que o pop star Kelly esteve o tempo todo em companhia de dois outros astronautas russos na Espaçonave Soyuz, Mikhail Kornienko e Sergey Volkov, sobre os quais sabemos muito pouco. Problema da Rússia: quem mandou ela não contratar os mesmos assessores de imprensa da Nasa?
Ironias à parte, ou melhor, usando um pouco mais dela, é com sincera alegria que acolhemos a notícia de que Kelly está escrevendo um livro sobre sua experiência no espaço. Se continuar como está, vai ser um escritor de muita influenza no mundo!
P.S. = Sorte de Kelly não ter pousado no Brasil. A adaptação seria muito mais difícil e, certamente, incrivelmente mais dolorosa.
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
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quinta-feira, 26 de maio de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
Microgravidade
E só dá ele: Scott Kelly, o astronauta pop que mandou recado lá do espaço durante a COP-21 e plantou uma jardim para espantar a solidão sideral, ganha mais uma vez a atenção da imprensa.
Dessa vez, após 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, ele volta para a Terra e se descobre... um grande homem! Ou melhor, ele se descobre um homem 4 cm mais alto, graças ao efeito prolongado da ausência de gravidade no seu corpo.
A explicação é simples: "Sem a pressão exercida pela gravidade, os espaços entre os discos da coluna vertebral se expandem", diz matéria publicada hoje no jornal O Globo online. A medição foi comprovada em checagem de rotina que todo astronauta passa após retornar a Terra. Fora isso, Kelly tem outro bom referencial para identificar alterações de estatura: Mark Kelly, um ex-astronauta da NASA, é seu irmão gêmeo idêntico.
Aliás, um dos objetivos de uma jornada tão estendida no espaço - 340 dias é um recorde que só havia sido batido anteriormente por astronautas russos - era mesmo "estudar os efeitos da exposição prolongada ao espaço, em especial à falta de gravidade". Acredita-se que tais estudos serão essenciais para "viabilizar o envio de missões tripuladas para regiões mais longínquas, como Marte".
Contudo, há que se fazer um alerta aos baixinhos, nanicos e outros complexados com o próprio tamanho e que já estejam de olho no alistamento para a próxima missão de povoamento em Marte: "Em outra entrevista, Kelly admitiu já ter encolhido". E tem mais: a volta para a gravidade costuma ser penosa: "Voltar é mais complicado. Fui jogar basquete e errei tudo, todos os meus grupos musculares estão doendo um pouco".
A conclusão, portanto, não poderia ser outra: se o seu complexo de tamanho for tão forte a ponto de te levar para Marte, então é melhor ficar logo por lá. Não que Marte lhe fará necessariamente feliz, mas, pelo menos, nós teremos um complexado a menos nesse planeta.
Dessa vez, após 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, ele volta para a Terra e se descobre... um grande homem! Ou melhor, ele se descobre um homem 4 cm mais alto, graças ao efeito prolongado da ausência de gravidade no seu corpo.
A explicação é simples: "Sem a pressão exercida pela gravidade, os espaços entre os discos da coluna vertebral se expandem", diz matéria publicada hoje no jornal O Globo online. A medição foi comprovada em checagem de rotina que todo astronauta passa após retornar a Terra. Fora isso, Kelly tem outro bom referencial para identificar alterações de estatura: Mark Kelly, um ex-astronauta da NASA, é seu irmão gêmeo idêntico.
Aliás, um dos objetivos de uma jornada tão estendida no espaço - 340 dias é um recorde que só havia sido batido anteriormente por astronautas russos - era mesmo "estudar os efeitos da exposição prolongada ao espaço, em especial à falta de gravidade". Acredita-se que tais estudos serão essenciais para "viabilizar o envio de missões tripuladas para regiões mais longínquas, como Marte".
Contudo, há que se fazer um alerta aos baixinhos, nanicos e outros complexados com o próprio tamanho e que já estejam de olho no alistamento para a próxima missão de povoamento em Marte: "Em outra entrevista, Kelly admitiu já ter encolhido". E tem mais: a volta para a gravidade costuma ser penosa: "Voltar é mais complicado. Fui jogar basquete e errei tudo, todos os meus grupos musculares estão doendo um pouco".
A conclusão, portanto, não poderia ser outra: se o seu complexo de tamanho for tão forte a ponto de te levar para Marte, então é melhor ficar logo por lá. Não que Marte lhe fará necessariamente feliz, mas, pelo menos, nós teremos um complexado a menos nesse planeta.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Xô, solidão!
Nesses tempos turbulentos de transição planetária e sei lá mais o quê, cada qual vem encontrando a sua forma de espantar a solidão.
Scott Kelly, aquele mesmo astronauta pop que mandou um alerta sobre o aquecimento global lá do espaço, durante a COP-21, resolveu curar a solidão fazendo jardinagem: "O astronauta tem cultivado flores desde que seu colega, membro da mesma tripulação, Kjell Lindgren, retornou à Terra, em dezembro," relata notícia publicada hoje no jornal O Globo online.
Com isso, Scott Kelly conseguiu pelo menos duas coisas: primeiro, obter a primeira flor totalmente cultivada no espaço, uma flor zinnia de cor laranja; segundo, mostrar que ele tem algum senso de humor, ao afirmar que há, seguramente, "outras formas de vida no espaço!"
Em um outro "campo de atuação", por assim dizer, uma igreja que ainda está em construção na cidade de Chiayi, China, também promete matar a solidão de muitos: "Com o formato de um sapato de salto alto, ela deverá ser usada para casamentos e ensaios fotográficos, e não para fins religiosos".
A igreja, que tem cerca de 17 metros de altura e 11 metros de comprimento, tem ainda a particularidade de estar sendo construída em estrutura de vidro azul, em alusão ao sapato de cristal da Cinderela.
A intenção manifesta, ainda segundo a notícia, é de "atrair mulheres para o local". Mas em sendo a igreja em forma de "sapatão" (literalmente falando), não seria de todo impossível ela acabar se especializando em casamentos homoafetivos entre as mulheres.
Cada qual com seu público, suas ferramentas e seu gosto estético.
Scott Kelly, aquele mesmo astronauta pop que mandou um alerta sobre o aquecimento global lá do espaço, durante a COP-21, resolveu curar a solidão fazendo jardinagem: "O astronauta tem cultivado flores desde que seu colega, membro da mesma tripulação, Kjell Lindgren, retornou à Terra, em dezembro," relata notícia publicada hoje no jornal O Globo online.
Com isso, Scott Kelly conseguiu pelo menos duas coisas: primeiro, obter a primeira flor totalmente cultivada no espaço, uma flor zinnia de cor laranja; segundo, mostrar que ele tem algum senso de humor, ao afirmar que há, seguramente, "outras formas de vida no espaço!"
Em um outro "campo de atuação", por assim dizer, uma igreja que ainda está em construção na cidade de Chiayi, China, também promete matar a solidão de muitos: "Com o formato de um sapato de salto alto, ela deverá ser usada para casamentos e ensaios fotográficos, e não para fins religiosos".
A igreja, que tem cerca de 17 metros de altura e 11 metros de comprimento, tem ainda a particularidade de estar sendo construída em estrutura de vidro azul, em alusão ao sapato de cristal da Cinderela.
A intenção manifesta, ainda segundo a notícia, é de "atrair mulheres para o local". Mas em sendo a igreja em forma de "sapatão" (literalmente falando), não seria de todo impossível ela acabar se especializando em casamentos homoafetivos entre as mulheres.
Cada qual com seu público, suas ferramentas e seu gosto estético.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
COP das estrelas
A mensagem mais notável para os delegados de 195 países que estão reunidos agora, em Paris, para a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, a famosa COP-21, não veio do Leonardo di Caprio (muito embora este último tenha tentado mandar seu recado ao entrevistar a secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres). A grande sensação foi o astronauta americano Scott Kelly, que mandou seu recado ao vivo da Estação Espacial Internacional.
Os argumentos de Kelly foram contundentes e encontraram respaldo na perspectiva privilegiada de quem compõe um seleto grupo de menos de 550 seres humanos que já tiveram o privilégio de ver a Terra de fora. O número dessas pessoas certamente pode até não ser grande, mas, segundo notícia publicada no jornal O Globo online, "foi o suficiente para registrar os danos causados pela indústria e outros agentes."
No frigir dos ovos, a mensagem de Scott Kelly tornou-se um chamado à uma consciência ampliada dos efeitos partilhados das mudanças climáticas que o planeta vem passando. Ao se despedir do público com uma cambalhota em microgravidade, o astronauta conseguiu destoar do mar de separatividade e acusações mútuas que costumam permear as polêmicas em reuniões da ONU sobre mudanças climáticas. Segundo ele, "o que afeta a África, afeta a América Norte, que afeta a Ásia. Éo maior problema que o planeta tem que enfrentar."
Verdade, camarada! Vivemos todos em um único planeta e o que afeta o meu vizinho, afeta a mim também. Nem precisaríamos ir tão longe para chegar a esta conclusão, mas, já que você chegou, obrigada por compartilha-la os outsiders do seu seletíssimo grupo de 550 privilegiados.
Os argumentos de Kelly foram contundentes e encontraram respaldo na perspectiva privilegiada de quem compõe um seleto grupo de menos de 550 seres humanos que já tiveram o privilégio de ver a Terra de fora. O número dessas pessoas certamente pode até não ser grande, mas, segundo notícia publicada no jornal O Globo online, "foi o suficiente para registrar os danos causados pela indústria e outros agentes."
No frigir dos ovos, a mensagem de Scott Kelly tornou-se um chamado à uma consciência ampliada dos efeitos partilhados das mudanças climáticas que o planeta vem passando. Ao se despedir do público com uma cambalhota em microgravidade, o astronauta conseguiu destoar do mar de separatividade e acusações mútuas que costumam permear as polêmicas em reuniões da ONU sobre mudanças climáticas. Segundo ele, "o que afeta a África, afeta a América Norte, que afeta a Ásia. Éo maior problema que o planeta tem que enfrentar."
Verdade, camarada! Vivemos todos em um único planeta e o que afeta o meu vizinho, afeta a mim também. Nem precisaríamos ir tão longe para chegar a esta conclusão, mas, já que você chegou, obrigada por compartilha-la os outsiders do seu seletíssimo grupo de 550 privilegiados.
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