UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: cobras
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quarta-feira, 4 de março de 2015

Serpentário urbano

Autor do “Atlas das serpentes do Brasil”, o biólogo Cristiano Nogueira lança um alerta, cujos desdobramentos ultrapassam - e muito! - o campo da Zoologia.

Não sem razão, zoólogos liderados por Nogueira se preocupam sobremaneira com espécies de cobras ameaçadas de extinção, reivindicando condições adequadas para a preservação das espécies. Porém, sociólogos, antropólogos urbanos e outros hermeneutas das coletividades humanas também deveriam perder algumas noites de sono com o prognóstico que se segue.

Em notícia publicada hoje no jornal O Globo online, Nogueira, que também lidera uma equipe do Museu de Zoologia da USP, esboça um prognóstico dramático para os ofídios no Brasil: "as cobras perderam 80% de seu território nos últimos 30 anos por conta do avanço da urbanização e da agropecuária", alerta o pesquisador (http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/cobras-perdem-habitat-se-tornam-mais-urbanas-15485896).

Uma consequência prática disso é que, "em dez anos, algumas delas podem até ser extintas. Outras se tornaram mais urbanas". Mas, como bem lembra o pesquisador, "o contato entre as serpentes e a população traz outro problema: a perseguição humana". Este fenômeno, claro, teria outro enfoque se os cientistas sociais passassem a interpretar todas essas mudanças recentes na rotina das populações das grandes cidades, notadamente, o impacto das cobras em ambientes de trabalho

Pois sabe aqueles problemas no trabalho por conta de conversa fiada de terceiros? As malfadadas crises de relacionamento em  grupos antes mantidos por afinidade? Ou aquelas puxadas de tapete em relações comerciais, profissionais e afins? Pois é chegada a hora de levar os zoólogos à sério: o seu local de trabalho deve ter se tornado mais um serpentário urbano.

Fico por aqui, concluindo este sombrio prognóstico com um mote altamente preservacionista: proteja-se das serpentes, protegendo o seu habitat natural.

P.S. = Na dúvida, leve soro antiofídico no bolso. Mesmo se, para algumas dessas, não há soro antiofidífico que chegue.

terça-feira, 6 de março de 2012

Cobra criada

Ah, a vida!... Que surpresas ela nos reserva?

Uma casal tendo filho em idade avançada, já é algo digno de atenção. E quando se trata de trigêmeos, aí o feito ganha ares de inusitado.

E foi exatamente isso o ocorreu com um par de cascáveis que vivem em cativeiro há 20 anos na Fundação Ezequiel Dias (Funed): "duas cobras com idade avançada, de aproximadamente 30 anos, tiveram uma fêmea e dois machos em um ambiente controlado", revela matéria publicada hoje no jornal Hoje em Dia online (http://www.hojeemdia.com.br/minas/nascimento-de-filhotes-de-cascavel-surpreende-pesquisadores-em-bh-1.415776). Além de terem se reproduzido em idade avançada, o casal de cobras superou as expecativas dos funcionários da fundação em diversos sentidos.

Em primeiro lugar, elas já superaram em pelo menos 10 anos a expectativa de vida da espécie: "A expectativa de vida das cascavéis é de cerca de 20 anos e pelos nossos cálculos eles já têm aproximadamente 30 anos", afirma Rômulo Righi de Toledo, chefe do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed.

Em segundo lugar, as cobras deram um show de discrição: ninguém as viu se acasalando, ninguém notou a gravidez. "Ficamos muito surpresos quando, ao chegar do Carnaval, encontramos três filhotes muito bem formados e saudáveis", relata Toledo.

Finalmente, tudo leva a crer que os filhotes são realmente fruto de experiência genética ímpar. Nascidos de pais de espécies distintas, "esses novos filhotes é como se fossem uma terceira subespécie, com desenhos da [subespécie] Collilineatus e da Cascavella em um único corpo”.

Na calada de uma 4a feira de Cinzas, duas cobras criadas (e em cativeiro) nos brindam com filhos mutantes. Por essa, 2012 realmente não esperava!