UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: extinção
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terça-feira, 12 de abril de 2016

O abismo do tigre

Notícia publicada hoje no jornal O Globo online divulga aos quatros cantos uma conquista dos ambientalistas e defensores dos tigres: "O número de tigres em estado selvagem no mundo aumentou pela primeira vez em cem anos graças aos esforços de preservação, informam vários grupos de defesa da natureza". 

De acordo com dados fornecidos pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e pelo Fórum Global do Tigre, o mundo ganhou 690 novos espécimes nos últimos 5 anos, passando do total de 3.200, em 2010, para 3.890, em 2015. Para se ter uma ideia do quão surpreendente (e comemorado) tem sido esse aumento, basta dizer que este é o primeiro registrado no mundo desde 1900. De lá para cá, "o número só havia caído ou se mantido estável".

Famosos pela sua vitalidade, força e capacidade de saltar grandes distâncias, os tigres certamente jamais imaginaram que dos idos de 1900 até o presente, seu principal salto era rumo ao fundo do abismo da extinção. A estimativa do número de espécimes por volta de 1900 é de 100.000 exemplares, um número pelo menos 25 vezes superior à tão comemorada marca atual. Ainda de acordo com a notícia, pelo menos três razões têm fragilizado a existência dos maiores felinos do planeta: são elas o desmatamento, a destruição do seu hábitat natural e a caça ilegal. 

A preocupação com a redução e, em alguns casos, com a extinção dos tigres, levou 13 países (Bangladesh, Butão, China, Camboja, Índia, Indonésia, Laos, Mianmar, Nepal, Rússia, Tailândia e Vietnã) a elaborarem, em 2010, um plano para a duplicação de sua população até 2022. De qualquer forma, o celebrado aumento já é um primeiro resultado desta iniciativa - e uma tentativa do tigre sair do abismo.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Serpentário urbano

Autor do “Atlas das serpentes do Brasil”, o biólogo Cristiano Nogueira lança um alerta, cujos desdobramentos ultrapassam - e muito! - o campo da Zoologia.

Não sem razão, zoólogos liderados por Nogueira se preocupam sobremaneira com espécies de cobras ameaçadas de extinção, reivindicando condições adequadas para a preservação das espécies. Porém, sociólogos, antropólogos urbanos e outros hermeneutas das coletividades humanas também deveriam perder algumas noites de sono com o prognóstico que se segue.

Em notícia publicada hoje no jornal O Globo online, Nogueira, que também lidera uma equipe do Museu de Zoologia da USP, esboça um prognóstico dramático para os ofídios no Brasil: "as cobras perderam 80% de seu território nos últimos 30 anos por conta do avanço da urbanização e da agropecuária", alerta o pesquisador (http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/cobras-perdem-habitat-se-tornam-mais-urbanas-15485896).

Uma consequência prática disso é que, "em dez anos, algumas delas podem até ser extintas. Outras se tornaram mais urbanas". Mas, como bem lembra o pesquisador, "o contato entre as serpentes e a população traz outro problema: a perseguição humana". Este fenômeno, claro, teria outro enfoque se os cientistas sociais passassem a interpretar todas essas mudanças recentes na rotina das populações das grandes cidades, notadamente, o impacto das cobras em ambientes de trabalho

Pois sabe aqueles problemas no trabalho por conta de conversa fiada de terceiros? As malfadadas crises de relacionamento em  grupos antes mantidos por afinidade? Ou aquelas puxadas de tapete em relações comerciais, profissionais e afins? Pois é chegada a hora de levar os zoólogos à sério: o seu local de trabalho deve ter se tornado mais um serpentário urbano.

Fico por aqui, concluindo este sombrio prognóstico com um mote altamente preservacionista: proteja-se das serpentes, protegendo o seu habitat natural.

P.S. = Na dúvida, leve soro antiofídico no bolso. Mesmo se, para algumas dessas, não há soro antiofidífico que chegue.