UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: Marte
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ponto brilhante

O que é esse ponto brilhante e alaranjado no céu de abril?

É o planeta Marte, que ficou visível com o alinhamento com a Terra e o Sol. Por conta deste alinhamento também chamado de "oposição", Marte fica visualmente maior quando visto no céu terrestre (http://www.galeriadometeorito.com/2014/04/ao-vivo-oposicao-de-marte-2014.html).

E o que é este ponto brilhante e amarelado na superfície de Marte?

Há divergências quanto ao brilho registrado pelo veículo-robô Curiosity. Ufólogos afirmam ser luz artificial, enquanto a NASA simplesmente desconversa: "Segundo os cientistas da agência, ele provavelmente é o simples reflexo do Sol em rocha distante ou resultado da interferência de raios cósmicos nos sensores da câmera do Curosity" (http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brilho-em-imagem-de-marte-desperta-especulacoes-sobre-ets-12143649).

Ponto visível, ponto explicado. Ponto pacífico: cada qual com seu pacote de teorias.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Contraste


Hoje vou ser breve. Prometo!

O que pode haver em comum entre um projeto de veículo-robô que a NASA enviará a Marte em 2020 (http://oglobo.globo.com/ciencia/foco-nos-sinais-de-vida-em-marte-8990847) e o florescimento inesperado da raríssima flor-cadáver pela terceira vez em cinco anos no Jardim Botânico Nacional da Bélgica, em Bruxelas (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/flor-cadaver-a-maior-do-mundo-floresce-em-bruxelas-1.144370)?

Ora, ora: o que mais poderia ser senão a vida florescendo nos lugares mais insuspeitos?

No caso da expedição ao rochoso e aparentemente estéril planeta Marte, a NASA sabe muito bem que, "dadas as recentes descobertas do Curiosity, vida passada em Marte parece possível". No caso da flor-cadáver, espécime "que floresce apenas três ou quatro vezes ao longo de seus 40 anos de vida", suas características de morte são apenas um subterfúgio para o florescimento da vida: afinal, seu "forte cheiro de carne podre" tem a única finalidade de "atrair insetos polinizadores, como besouros, garantindo a sua reprodução".

Na poeira das rochas inóspitas ou no cheiro de carne em decomposição, pouco importa: vida é vida. E quem não concorda que fique parado aí, exatamente onde está, vendo a vida... passar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Marte colonizado

Cansou do trânsito, perdeu o emprego, terminou o oitavo casamento, quebrou a unha, apelou com a vida e decidiu ir para bem longe daqui. Se você se encaixa em uma das situações descritas na frase anterior e optou pela saída "vou sumir de uma vez por todas", saiba que você está na mira de muita gente.

Na realidade, é preciso um pouco mais do que a vontade de sumir. É preciso de algum espírito de aventura para ser o alvo perfeito para uma série de programas de viagem tripuladas ao planeta Marte. Isso mesmo: Marte. E o administrador-chefe da Nasa, Charles Bolden, já mandou avisar: "Uma missão humana para Marte é hoje o destino final da Humanidade no nosso Sistema Solar e uma prioridade para a Nasa. Todo nosso programa de exploração está alinhado com este objetivo" (http://oglobo.globo.com/ciencia/destino-final-marte-8380148).

A bem da verdade, nem tão original assim é a notícia. Há tempos atrás, comentei sobre a iniciativa do empresário Dennis Tito de enviar um casal de astronautas para o planeta vermelho (http://cronicasdejuvenal.blogspot.com.br/2013/03/pacote-para-marte.html).

O que é novidade mesmo é saber que os projetos de levar gente desta terra para Marte estão vingando:  "Mais ou menos ousados, os projetos vão desde uma escalada gradativa que passaria antes por uma visita de astronautas a um asteroide, como o pretendido pela Nasa, a um reality show proposto por uma organização holandesa que acompanharia a vida dos primeiros colonos, que receberiam uma passagem só de ida a Marte, e já tem cerca de 80 mil interessados, entre eles 18 brasileiros".

Passagem só de ida para Marte, 80 mil interessados, dentros os quais 18 brasileiros. Viu só? Tem mais gente sonhando com o mesmo destino. E se todos esses 80 mil colonos potenciais tiverem as mesmas chances de lá chegar, é bem possível que você volte a enfrentar aquele trânsito do qual estava fugindo, quando decidiu isso aqui.

Aliás, se você for mesmo a para Marte, leve, por via das dúvidas, sua carteira de trabalho e uma cópia da CLT: do jeito que tem gente querendo sumir para Marte, é bem capaz de haver superpopulação, escassez de emprego e multiplicação de formas análogas ao trabalho escravo por lá também.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Águas de março

O último dia deste verão antecipou a chegada do outono. Eles não trouxe em abundância as águas de março, mas trouxe promessa de vida: aqui, no fundo dos oceanos e, à luz das últimas evidências, possivelmente em algum momento da história do planeta Marte.

Aliás, tanto aqui como em Marte, as evidências científicas encontradas alteram crenças sobre o caráter inóspito desses lugares. A começar pelas fossas Marianas, local mais profundo dos oceanos onde "não há luz do sol, e a pressão da água equivale a 1.100 quilogramas por centímetro quadrado, algo como um carro de passeio sobre o dedão do pé" (http://oglobo.globo.com/ciencia/equipe-encontra-vida-microscopica-no-local-mais-fundo-dos-oceanos-7869982).

"Até então, acreditava-se que o leito da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, conhecido como Challenger Deep, era um lugar tão inóspito que praticamente nenhuma forma de vida seria possível." Pois os últimos achados científicos vêm provar que mesmo com a ausência de luz e sob uma pressão que, para nós, reles mamíferos terrestres, seria esmagadora: uma equipe internacional de cientistas da Dinamarca, Alemanha, Reino Unido e Japão "anunciou evidências de vida microscópica, e em abundância, no limite das profundezas dos mares, a 11 mil metros de profundidade."

Situação parecida está acontecendo com Marte, considerado até pouco tempo um planeta totalmente desprovido de condições para abrigar vida, em função do seu clima frio e seco. Mas o veículo da missão Curiosity acabou coletando despretenciosamente um indício valioso de que houve e há água naquele planeta, condição sine qua non para a existência de vida - ao menos, nos moldes como nós a conhecemos aqui na Terra. 
"Batizada pelos cientistas da Nasa como Tintina, a rocha mostrou uma cor branca e brilhante, indicando a presença de minerais hidratados que se formaram quando fluía água pela região em tempos remotos" (http://oglobo.globo.com/ciencia/robo-da-nasa-descobre-pedra-branca-brilhante-em-marte-7884818).
A rocha teria sido coletada casualmente pelas rodas do veículo Curiosity em um local conhecido como Cratera Gale. O "descuido" teve desdobramentos surpreendentes: "O cientista chefe da missão Curiosity, John Grotzinger, disse durante o evento que o local de pouso do robô é o primeiro classificado como 'verdadeiramente habitável' no Planeta Vermelho".

Portanto, caros leitores, fiquemos atentos aos sinais que nos chegam das profundezas do universo - o que inclui a Cratera Gale e o Challenge Deep: se há vida nos lugares mais insuspeitos e sob as condições mais adversas, por que não haveria de ter vida no nosso coração?

Com as bênçãos das águas de março, tudo é possível.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Micróbios

Descobertas científicas são recebidas das mais diversas maneiras: alvoroço, expectativa, perplexidade.

Por exemplo, saber que "muitos bilhões de anos atrás, Marte deve ter sido um ótimo lugar para pequenos micróbios viverem, com bastante água e minerais que lhes serviriam de alimentos" me deixou profundamente feliz (http://oglobo.globo.com/ciencia/marte-ja-teve-condicoes-de-abrigar-vida-microbiana-diz-nasa-7820080).

É bem verdade que a Nasa e seu robô Curiosity, responsáveis pela "descoberta", souberam muito vender seu peixe. "Eles ainda não encontraram sinais diretos de que micróbios tenham, de fato, vivido neste oásis, mas todas as condições para que isso ocorresse estão lá".

Ou seja, continuam não havendo evidências concretas de vida em Marte. O máximo que se conseguiu comprovar foi a existência de água naquele planeta: "Ao analisar suas primeiras amostras de rocha, o robô Curiosity — que contém um laboratório científico em seu interior — enviou para a Terra evidências convincentes de que o ambiente de Marte já foi banhado de água". De resto, só promessas: "cientistas do Curiosity indentificaram nas pedras, minerais que serviriam de alimentos para os micróbios".

Fiquei pensando naquelas maquetes fabulosas de lançamentos imobiliários que só existem na planta. A coisa acontece mais ou menos como neste diálogo fictício:


- Tem água encanada?
- Tem, sim, senhor.
- Vai ter playground?
- Vai ter sim, uai. Basta olhar aqui na maquete.

Mas aí vem a construtora e pede falência: e o playground fica só na maquete. Só a promessa da água encanada permanece. Pois saibam, senhoras e senhores, que o exemplo aqui descrito é bastante semelhante às descobertas científicas anunciadas hoje sobre a presença de vida em Marte. A única coisa certa é a presença de água por lá. O resto? Especulação imobiliária! Ou melhor: promessa de descoberta que fica só no desenho da maquete.

Mas... caso seja verdade mesmo que Marte já abrigou micróbios, então quero que conste nos autos o seguinte pedido: se o planeta for realmente um paraíso para os danados dos micróbios, então que se que se construa ali o primeiro condomínio fechado de luxo para esta clientela. Prometo enviar daqui mesmo, do Brasil, diversos clientes potenciais. E que fiquem por lá até segunda ordem!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pacote para Marte

A famosa classe média - a antiga e a nova - não vêem a hora de acabar o verão. É que à medida que a Terra descreve sua trajetória elíptica em volta do sol, surgem os pacotes promocionais de viagens em baixa temporada.

Pois se você e seu cônjuje são da classe C e já se cansaram dos pacotes para Porto Seguro e Guarapari, talvez tenha chegado a hora de quebrar paradigmas e alçar vôos mais altos. "O empresário Dennis Tito anunciou que pretende lançar uma missão tripulada a Marte já em 2018 e que, para tal, busca um casal muito bem casado de astronautas, capaz de aguentar o isolamento dos 501 dias de viagem de ida e volta até o Planeta Vermelho" (http://oglobo.globo.com/ciencia/milionario-busca-casal-para-viajar-ate-marte-7694673).

É fácil perceber, em algumas características do pacote turístico para Marte, que a classe C, este rentoso filão de mercado em vias de crescimento no Brasil, constitui o foco principal da estratégia de marketing de Tito: "O projeto vai aproveitar uma aproximação dos planetas, que permite fazer a viagem da Terra a Marte em relativamente pouco tempo, cerca de 500 dias. Em outros períodos, quando os planetas se afastam, a viagem duraria muito mais tempo, de dois a três anos, e seria muito mais cara".

Bem, como todo pacote, as opções já vem fechadas e costumizadas, seguindo orientações do próprio empresário. Para inicio de conversa, ele busca "tripulação [que] seja composta por um homem e uma mulher, de preferência casados". Além disso, as datas da viagem já foram fixadas e são inegociáveis, mesmo mediante previsões metereológicas desfavoráveis: a missão, que "parte no dia 5 de janeiro de 2018 e chega a Marte em 20 de agosto do mesmo ano", tem retorno previsto para 21 de maio de 2019.

E tem mais: "Não haveria pouso em Marte. A nave ficaria a algumas centenas de quilômetros de distância do planeta (algo como a distância da Terra à Estação Espacial Internacional)". Ou seja, garotada: esta será uma viagem sem nenhuma tarde livre para compras no shopping, sem passagem pelo free-shop, em confins onde nem sequer uma mísera torneirinha de filtro poderá ser comprada.

Mas a pior parte do pacote consiste numa combinação arridcada entre longa permanência e espaço exíguo, o que foi possivelmente pensado para barateamento do seu custo total: "o maior desafio de Tito talvez seja manter o casal unido depois de 501 dias de convívio tão próximo, num ambiente tão pequeno."

Evidentemente, instalações mais exíguas e, por isso mesmo, mais econômicas, impedem a viagem de obesos, claustrofóbicos e jogadores de basquete. Em contrapartida, é favorecida a participação de casais de sardinha (que não ligam de ficar espremidinhos), de contorcionistas (graças a suas habilidades específicas) e de viúvos de ambos os sexos (já que estes ocupam, sozinhos, o lugar que antes dois ocupariam).

No mais, Gerais. Quem quiser participar da promoção, é fácil: basta casar-se e tornar-se astronauta a NASA até  2018. E manter-se na classe, para aproveitar melhor as promoções. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Igual, mas ao contrário

Um robô batizado com este nome - Curiosity - não poderia deixar de ser indiscreto: enviado pela NASA ao Planeta Marte, o pequeno robô curioso começou a enviar fotos coloridas e em alta resolução das formações rochosas próximas ao local onde aterrisou no dia 6 de agosto de 2012.

Dentre essas formações, encontra-se o Mount Sharp. "A montanha, com 5,5 quilômetros de altura, tem intrigado os cientistas por uma peculiaridade geológica que têm chamado de 'Grand Canyon ao contrário'. As camadas rochosas mais perto do cume são inclinadas em relação às que se encontram por baixo", relata matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo online de hoje (http://oglobo.globo.com/ciencia/curiosity-revela-peculiaridade-geologica-em-montanha-de-marte-5919979#ixzz24tjuwVWN).

Igual, mas ao contrario: assim caminham as coisas em Marte - antes, durante e depois da passagem do robô Curiosity por Marte. O Mount Sharp é quem nem uma carta de baralho: para ser legível para os dois lados da mesa de jogo, as cartas trazem seu duplo convivendo pacificamente no mesmo espaço.

O Grand Canyon de lá não é o mesmo daqui, mas pouco importa: ele serve para mostrar que o igual comporta variações. E que a paz é possível... nem que seja em outro planeta!

Espetáculo lindo de viver. Será que ainda dá tempo de me mudar para Marte?