Vou ser sincera com vocês: não tenho lá muita paciência com blogs. Nem com o meu, para ser ainda mais honesta. Não fosse o ato de escrever uma necessidade que oscila entre a dependência química e o desvio de caráter, eu não teria nem tomado conhecimento da ferramenta. Que me perdoem, portanto, os amigos blogueiros, mas estou bem longe de ser uma ávida leitora de blogs.
Isto posto, foi com um misto de simpatia e irritação que li a notícia publicada hoje na Folha de S. Paulo online sobre a visita da famosa (e controversa) blogueira cubana, Yoani Sánchez. Segundo a notícia, a "blogueira e ativista política cubana Yoani Sánchez foi recebida com
protesto por um grupo de cerca de 20 pessoas no aeroporto internacional
de Recife, na madrugada desta segunda-feira."
Meu quinhão de irritação surgiu quando tomei conhecimento da reação esboçada pelos manifestantes ao longo do percurso percorrido por ela entre o portão norte e o portão sul: ainda conforme a notícia, "no caminho, os manifestantes leram
uma carta aberta na qual diziam que o blog dela é um meio de
desinformação e que faz uma campanha anti-Cuba. Eles também jogaram
dólares falsos na direção da blogueira".
Sem nunca ter lido uma única linha do blog da dita-cuja, declaro minha total simpatia pela blogueira. Obviamente, tal simpatia não decorre do fato de ela fazer (supostamente) propaganda anti-cubana e anti-comunista. Nem muito menos sou propensa defender a chamada "livre expressão" às custas de qualquer outra coisa, como, por exemplo, bom senso, caráter e dignidade.
Mas morro de preguiça de críticas como essa da "desinformação", independetemente do fato da opinião da blogueira ser acurada ou não. E acho o fim da picada alguém ser penalizado por estar "destruindo" expectativas alheias. Pois muito pior do que projetar a imagem que lhe apetece sobre seu obejto de desejo é alguém se indispor com quem quer que venha a contrariar um mísero aspecto desta projeção.
Meu quinhão de simpatia ficou, então, para a resposta da blogueira cubana, que brilhou pela elegância: "foi um banho de democracia e pluralidade, estou muito feliz e queria
que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com
esta liberdade." Um tapa de luvas de pelica na cara dos defensores do paraíso perdido.
Aliás, o próprio fato de estar ali, no saguão do aeroporto de Recife, já é em si uma grande conquista da ativista. Sua passagem pelo Brasil marca o ponto de partida de uma turnê mundial, na qual ela visitá a República Tcheca, Espanha, México, Estados Unidos,
Holanda, Alemanha, Peru, entre outros países. Sem dúvida, um prêmio pela perseverança: "Nos últimos cinco anos, Yoani
havia recebido mais de 20 recusas para poder viajar ao exterior", conclui a notícia.
Concluo também que, pelo sim, pelo não, o melhor é ir dormir, que amanhã o dia vai ser longo. Meu boa noite para quem fica!
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Dos ciclos
Fazer aniversário é abrir e fechar um ciclo da vida. Outros ciclos, obviamente, respeitam temporalidades distintas daquela que a Terra faz em torno do Sol. Estes ciclos não são abertos nem sequer fechados no dia do seu aniversário. Mas este fato não tira a áurea de importância desta ditosa data, tão propensa a festas, telefonemas, mensagens e agradinhos de toda sorte.
A bem da verdade, aniversário é tudo aquilo que a gente quer fazer dele. Se você quer continuar do jeitinho que está, ótimo. Se cansou do que era e quer mudar, também vale. Se gostou do que fez, mas acha que já deu, agora é o momento. E se deseja seguir adiante, louca de curiosidade para saber o que tem detrás da curva da vida, não há tempo melhor!
Aniversário é o melhor momento para celebrar esta insaciável leveza de não saber aonde a vida vai dar.
A bem da verdade, aniversário é tudo aquilo que a gente quer fazer dele. Se você quer continuar do jeitinho que está, ótimo. Se cansou do que era e quer mudar, também vale. Se gostou do que fez, mas acha que já deu, agora é o momento. E se deseja seguir adiante, louca de curiosidade para saber o que tem detrás da curva da vida, não há tempo melhor!
Aniversário é o melhor momento para celebrar esta insaciável leveza de não saber aonde a vida vai dar.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Descartável e reutilizável
Não há nada mais "dia seguinte" do que a tal da quarta-feira de Cinzas. Para quem bebeu muito e se excedeu em seus vícios, é hora de viver a ressaca. Para quem não bebeu nada e ficou vendo o desfile passar pela TV, é hora de esticar as pernas e voltar ao trabalho. Afinal, o ano só começa mesmo depois do Carnaval!
E se tem um animal que entende de "recomeços" é esta espécie de lesma-do-mar que acaba de ser descoberta por cientistas japoneses. Denominada cientificamente de Chromodoris reticulata e originária do Oceano Pacífico, a lesma-do-mar atraiu a curiosidade dos cientistas por seus hábitos sexuais ímpares: "Acredita-se que esta é a primeira criatura conhecida que pode se reproduzir repetidamente com o que foi descrito como um 'pênis descartável' ” (http://oglobo.globo.com/ciencia/lesma-do-mar-se-reproduz-depois-joga-penis-fora-7569400).
Considerada "hermafrodita simultânea", a lesma-do-mar precisa de um(a) parceiro(a) para usar, ao mesmo tempo, seus órgãos sexuais femininos e masculinos no ato do acasalamento: "O pênis de um entra no órgão feminino da outra criatura, e esta segunda introduz seu pênis na primeira. Ambas trocam sêmen ao mesmo tempo", explica Bernard Picton, curador do Museu Nacional da Irlanda do Norte.
Mas a grande lição das lesmas-do-mar vem depois dos finalmentes, quando cada lesma puxa "seu pênis de volta, deixando-os no fundo do tanque": acredita-se que, no dia seguinte, elas já tenham reconstruído seu pênis e estejam "aptas a se reproduzir novamente".
Neste dia - que é o dia seguinte do Carnaval, mas também a véspera do meu aniversário - meu desejo mais profundo é que a lesma-do-mar seja então a nossa grande inspiração para a árdua tarefa de retorno à vida normal: que nossas melhores qualidades - aquelas que nos conectam ao nosso semelhante - estejam sempre lá, latentes, no fundo do nosso tanque existencial, esperando a hora e a vez de recomeçar uma nova e prazerosa jornada.
Aho!
E se tem um animal que entende de "recomeços" é esta espécie de lesma-do-mar que acaba de ser descoberta por cientistas japoneses. Denominada cientificamente de Chromodoris reticulata e originária do Oceano Pacífico, a lesma-do-mar atraiu a curiosidade dos cientistas por seus hábitos sexuais ímpares: "Acredita-se que esta é a primeira criatura conhecida que pode se reproduzir repetidamente com o que foi descrito como um 'pênis descartável' ” (http://oglobo.globo.com/ciencia/lesma-do-mar-se-reproduz-depois-joga-penis-fora-7569400).
Considerada "hermafrodita simultânea", a lesma-do-mar precisa de um(a) parceiro(a) para usar, ao mesmo tempo, seus órgãos sexuais femininos e masculinos no ato do acasalamento: "O pênis de um entra no órgão feminino da outra criatura, e esta segunda introduz seu pênis na primeira. Ambas trocam sêmen ao mesmo tempo", explica Bernard Picton, curador do Museu Nacional da Irlanda do Norte.
Mas a grande lição das lesmas-do-mar vem depois dos finalmentes, quando cada lesma puxa "seu pênis de volta, deixando-os no fundo do tanque": acredita-se que, no dia seguinte, elas já tenham reconstruído seu pênis e estejam "aptas a se reproduzir novamente".
Neste dia - que é o dia seguinte do Carnaval, mas também a véspera do meu aniversário - meu desejo mais profundo é que a lesma-do-mar seja então a nossa grande inspiração para a árdua tarefa de retorno à vida normal: que nossas melhores qualidades - aquelas que nos conectam ao nosso semelhante - estejam sempre lá, latentes, no fundo do nosso tanque existencial, esperando a hora e a vez de recomeçar uma nova e prazerosa jornada.
Aho!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
O "crássico" das tartarugas
Tudo pela liberdade poética, tudo pelo amor, tudo pelas tartarugas!
O pianista francês Richard Clayderman conseguiu alvejar vários clichês em um único e inusitado concerto do seu novo álbum, intitulado "Romantique". Digo "inusitado" nem tanto pelo estilo musical em si, mas pelo propósito maior do tal concerto: "O concerto, realizado nesta quinta-feira, era uma tentativa de deixar répteis com vontade de acasalar, mas acabou não dando resultado", revela notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo online (http://f5.folha.uol.com.br/bichos/1227437-pianista-famoso-tentar-colocar-tartarugas-no-clima.shtml).
Os répteis gentilmente agraciados com a apresentação de Clayderman foram as tartarugas de Galápagos do zoológico de Londres, consideradas as maiores do mundo e com uma expectativa de vida de até 150 anos. Apesar de viverem muito, elas podem ter vida curta, já que estão ameçadas de extinção.
A ideia do concerto, pelo que entendi da matéria, era "inspirativa" e "mobilizatória", mas acabou falhando em ambos os aspectos: "mesmo uma versão empolgante de 'Chariots of Fire' fez pouco para levantar o ânimo dos bichos. Eles só pareceram se animar quando funcionários do zoológico trouxeram algumas cenoura".
Bem, não vou entrar no mérito da cenoura, este legume tão apreciado pelos quelônios, mas tentar entender onde foi que o pianista falhou. Para tanto, meus caros leitores, selecionei aqui uma canção do novo álbum de Richard Clayderman para vocês apreciarem com ou sem moderação, dependendo da sua necessidade de acasalamento neste Carnaval.
Particularmente, achei o hit meio acelerado para as tartarugas, que correm o risco de uma arritmia cardíaca se acompanharem o mesmo pancadão do Tio Clayderman. A canção é rapidinha e, enquanto tal, é um convite a uma "rapidinha", mas... Sinceramente? Não sei as tartarugas entenderam o apelo. Portanto, deixo-os à vontade par formular seu próprio julgamento a respeito da pouca libido das tartarugas de Galápagos.
Com vocês, Richard Clayderman!
Clap, clap, clap, clap...
Bom para os olhos
Estamos a poucos dias do Carnaval, mas a histeria já se instalou há meses: no seu mundinho próprio, as celebridades já não sabem mais o que fazer para se sobressair umas às outras. Também, pudera: aparecer em público com pouca ou nenhuma roupa durante o caranaval tornou-se algo tão banal, mas tão banal, que quem quer que ouse vestir-se de freira recatada conseguirá atrair para si muito mais olhares curiosos do que se estivesse fantasiada de Eva tomando banho.
Com ares de cultura dominante, o afã pelos trajes sumários (ou simplesmente ausentes) durante o Carnaval nos faz muitas vezes esquecer que não há, em termos de vestimenta e de nudez, valor ou referência que passe no teste da universalidade.
Pois é esta lição dada pelos nossos antípodas que habitam o vilarejo de Okuizumo, na prefeitura de Shimane (oeste do Japão). Lá, os moradores " querem cobrir as partes íntimas de uma réplica da escultura de David de Michelangelo instalada em um parque público, alegando não ser conveniente para as crianças", revela notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/vilarejo-japones-quer-cobrir-partes-intimas-da-replica-de-david-1.87714).
Juntamente com a estátua da Vênu, a estátua de Davi foi doada por um empresário japonês. A alegação, materializada no depoimento de um funcionário da prefeitura daquela cidade, é a seguinte: "Estas estátuas representam pessoas nuas, um estilo artístico muito raro em nossa região. Algumas pessoas pensam que não é bom para nossos filhos", acrescentou.
Desta feita, a solução encontrada não deixa de nos fazer sorrir pelo grau de singeleza que ela comporta: segundo relato do jornal Yomiuri Shimbun, "alguns pais pediram que David seja coberto com um calção".
Descobre aqui, cobre lá do outro lado do mundo! Mas antes que você, caro leitor, ria dos nossos antípodas, é de bom tom resgatar alguns fatos corriqueiros que nos garantam algum distanciamento crítico de nós mesmos.
Vale lembrar, por exemplo, que no ano de 1982 a banda Blitz teve a última faixa do seu disco de vinil, intitulado "De manhã", arranhada propositalmente pela censura instituída pelo regime militar daquela época. E nela, Evandro Mesquita não fazia mais do que cantarolar tão singelamente:
"Estava um dia lindo
E eu botei meu calção e fui nadar
Mas por que não, mas por que não, sem calção
Eu vou"
Pensando bem, o calção do Davi de Michelangelo é menos aberrante do que algumas cirurugias plásticas mal-sucedidas que teimam se expor aqui no Brasil, ao longo de todo o ano.
Com ares de cultura dominante, o afã pelos trajes sumários (ou simplesmente ausentes) durante o Carnaval nos faz muitas vezes esquecer que não há, em termos de vestimenta e de nudez, valor ou referência que passe no teste da universalidade.
Pois é esta lição dada pelos nossos antípodas que habitam o vilarejo de Okuizumo, na prefeitura de Shimane (oeste do Japão). Lá, os moradores " querem cobrir as partes íntimas de uma réplica da escultura de David de Michelangelo instalada em um parque público, alegando não ser conveniente para as crianças", revela notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/vilarejo-japones-quer-cobrir-partes-intimas-da-replica-de-david-1.87714).
Juntamente com a estátua da Vênu, a estátua de Davi foi doada por um empresário japonês. A alegação, materializada no depoimento de um funcionário da prefeitura daquela cidade, é a seguinte: "Estas estátuas representam pessoas nuas, um estilo artístico muito raro em nossa região. Algumas pessoas pensam que não é bom para nossos filhos", acrescentou.
Desta feita, a solução encontrada não deixa de nos fazer sorrir pelo grau de singeleza que ela comporta: segundo relato do jornal Yomiuri Shimbun, "alguns pais pediram que David seja coberto com um calção".
Descobre aqui, cobre lá do outro lado do mundo! Mas antes que você, caro leitor, ria dos nossos antípodas, é de bom tom resgatar alguns fatos corriqueiros que nos garantam algum distanciamento crítico de nós mesmos.
Vale lembrar, por exemplo, que no ano de 1982 a banda Blitz teve a última faixa do seu disco de vinil, intitulado "De manhã", arranhada propositalmente pela censura instituída pelo regime militar daquela época. E nela, Evandro Mesquita não fazia mais do que cantarolar tão singelamente:
"Estava um dia lindo
E eu botei meu calção e fui nadar
Mas por que não, mas por que não, sem calção
Eu vou"
Pensando bem, o calção do Davi de Michelangelo é menos aberrante do que algumas cirurugias plásticas mal-sucedidas que teimam se expor aqui no Brasil, ao longo de todo o ano.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
TV e fertilidade
É do tempo do onça o comentário: "meus avós tiveram muitos filhos porque não tinham TV em casa". O que não se sabia até então é que a relação entre a ausência de TV/fertilidade poderia ter algum fundamento científico.
Pois é o que dá a entender, à primeira vista, este estudo publicado na revista online British Journal of Sports Medicine, segundo o qual "homens saudáveis que assistem a mais de 20 horas de TV por semana têm quase metade da contagem de espermas em comparação com homens que assistem poucas horas de programação" (http://oglobo.globo.com/saude/espermas-diminuem-50-em-jovens-saudaveis-que-assistem-20-horas-de-tv-por-semana-7490941).
O estudo analisou "a qualidade do sêmen de 189 homens entre 18 e 22 anos entre 2009 e 2010, todos de Rochestes, no estado de Nova York, EUA", revela notícia publicada hoje no Jornal O Globo online. No entanto, apesar do número de horas de exposição à TV ter sido um dos indicadores utilizados, o que se quis medir ao certo foi a influência do sedentarismo na produção de esperma e, possivelmente, na sua qualidade também, o que pode acarretar sérias consequências para a fertilidade masculina.
Descobriu-se, entre outras coisas, que um maior número de horas dedicadas ao esporte aumenta o volume de esperma. "Homens mais fisicamente ativos (que faziam mais de 15 horas de exercícios físicos por semana) tinham mais tendência a uma dieta mais saudável que os que assistiam a muitas horas de TV e tiveram uma contagem de espermas 73% maior que os mais sedentários". Em contrapartida, "a TV teve resultado oposto: aqueles que assistiam a mais de 20 horas por semana tiveram a contagem de espermas 44% mais baixa que quem assistia por menos tempo."
No final das contas, a correlação entre sedentarismo e fertilidade acabou não sendo evidenciada, já que "os autores alertaram que a redução na contagem de espermas não necessariamente diminui a fertilidade masculina". Do ponto de vista qualitativo, também não se mensurou grandes variações no "mobilidade, formato ou volume das amostras" em função do maior ou menor número de horas ocupadas com exercício físico. O que se conseguiu medir, na verdade, foi que "as descobertas sugerem que um estilo de vida mais ativo pode aumentar a qualidade do sêmen".
Mas perigoso mesmo vai ser se a TV - e não os exercícios físicos - se transformarem no foco de atenção das políticas públicas de saúde. Em um mundo em que a população mundial cresce assustadoramente, usar a TV como método contraceptivo pode ser um "barato" que sai "caro". Afinal de contas, pode até ser que a TV diminua a quantidade de espermatozóides em homens sedentários que comem em frente à TV, mas, infelizmente, ela nada poderá fazer para elevar a "qualidade" do sêmen produzido pelos mais aficcionados. Se assim fosse, as novas gerações jamais continuariam a ver as mesma programação de baixa qualidade nas TV comercial que seus pais tanto prezaram. E seus avós rechaçaram... para o próprio bem da Humanidade.
Pois é o que dá a entender, à primeira vista, este estudo publicado na revista online British Journal of Sports Medicine, segundo o qual "homens saudáveis que assistem a mais de 20 horas de TV por semana têm quase metade da contagem de espermas em comparação com homens que assistem poucas horas de programação" (http://oglobo.globo.com/saude/espermas-diminuem-50-em-jovens-saudaveis-que-assistem-20-horas-de-tv-por-semana-7490941).
O estudo analisou "a qualidade do sêmen de 189 homens entre 18 e 22 anos entre 2009 e 2010, todos de Rochestes, no estado de Nova York, EUA", revela notícia publicada hoje no Jornal O Globo online. No entanto, apesar do número de horas de exposição à TV ter sido um dos indicadores utilizados, o que se quis medir ao certo foi a influência do sedentarismo na produção de esperma e, possivelmente, na sua qualidade também, o que pode acarretar sérias consequências para a fertilidade masculina.
Descobriu-se, entre outras coisas, que um maior número de horas dedicadas ao esporte aumenta o volume de esperma. "Homens mais fisicamente ativos (que faziam mais de 15 horas de exercícios físicos por semana) tinham mais tendência a uma dieta mais saudável que os que assistiam a muitas horas de TV e tiveram uma contagem de espermas 73% maior que os mais sedentários". Em contrapartida, "a TV teve resultado oposto: aqueles que assistiam a mais de 20 horas por semana tiveram a contagem de espermas 44% mais baixa que quem assistia por menos tempo."
No final das contas, a correlação entre sedentarismo e fertilidade acabou não sendo evidenciada, já que "os autores alertaram que a redução na contagem de espermas não necessariamente diminui a fertilidade masculina". Do ponto de vista qualitativo, também não se mensurou grandes variações no "mobilidade, formato ou volume das amostras" em função do maior ou menor número de horas ocupadas com exercício físico. O que se conseguiu medir, na verdade, foi que "as descobertas sugerem que um estilo de vida mais ativo pode aumentar a qualidade do sêmen".
Mas perigoso mesmo vai ser se a TV - e não os exercícios físicos - se transformarem no foco de atenção das políticas públicas de saúde. Em um mundo em que a população mundial cresce assustadoramente, usar a TV como método contraceptivo pode ser um "barato" que sai "caro". Afinal de contas, pode até ser que a TV diminua a quantidade de espermatozóides em homens sedentários que comem em frente à TV, mas, infelizmente, ela nada poderá fazer para elevar a "qualidade" do sêmen produzido pelos mais aficcionados. Se assim fosse, as novas gerações jamais continuariam a ver as mesma programação de baixa qualidade nas TV comercial que seus pais tanto prezaram. E seus avós rechaçaram... para o próprio bem da Humanidade.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Rei morto
Alvoroço total em Leicester, na Inglaterra!
Arqueólogos da Universidade de Leicester confirmaram que "um esqueleto encontrado no ano passado, durante as escavações de um convento medieval sob um estacionamento da cidade, era de fato o de Ricardo" (http://oglobo.globo.com/ciencia/arqueologos-encontram-esqueleto-do-rei-ricardo-iii-da-inglaterra-desaparecido-ha-527-anos-7486055).
Mais conhecido como Ricardo III, o rei em questão, outrora "representado por William Shakespeare como um tirano monstruoso que assassinou dois príncipes no palácio real da Torre de Londres, foi morto lutando contra seu eventual sucessor, Henrique Tudor, na Batalha de Bosworth Field, travada na região central da Inglaterra, em 1485".
Obviamente, o foco do deslumbramento midiático esteve concentrado na descoberta e celebração dos despojos reais. Mas uma questão não me passou despercebida: a pessoa-chave que, afinal de contas, permitiu a identificação, via teste de DNA, de um esqueleto que esteve mais de 500 anos desaparecido.
Nada de pânico, leitores, porque resposta já nos foi antecipada pela notícia publicada hoje no jornal O Globo online: "Especialistas disseram que o DNA retirado do corpo combinava com o de Michael Ibsen, um carpinteiro de origem canadense, morador de Londres, que genealogistas disseram ser o descendente direto da irmã de Ricardo, Anne de York".
Assim, ficou fácil, fácil imaginar o enredo do filme: será que o jardineiro já sabia de sua ascedência? Como e quando isto se deu? O que o teria levado do Canadá a Londres? E o que teria levado seus ascendentes de Londres até o Canadá?
Pelo visto, passados mais de 500 anos de sua morte, Ricardo III contiuará inspirando autores pelos tempos afora - senão alguém da estirpe do poeta e dramaturgo Shakeaspeare ou do ator e diretor irlandês Kenneth Branagh - pelo menos algum diretor hollywoodiano da vez.
Mas difícil mesmo vai ser arrumar um ator com o mesmo grau de escoliose do original: "O esqueleto também revela uma severa escoliose, que acredita-se ter ocorrido no início da puberdade. Embora tivesse 1,70m de altura, a curvatura na coluna levaria o rei a ficar significativamente menor e com o ombro direito mais alto do que o esquerdo". Tudo isso piorado, claro, pelos anos em que ficou guardado debaixo de um estacionamento.
Arqueólogos da Universidade de Leicester confirmaram que "um esqueleto encontrado no ano passado, durante as escavações de um convento medieval sob um estacionamento da cidade, era de fato o de Ricardo" (http://oglobo.globo.com/ciencia/arqueologos-encontram-esqueleto-do-rei-ricardo-iii-da-inglaterra-desaparecido-ha-527-anos-7486055).
Mais conhecido como Ricardo III, o rei em questão, outrora "representado por William Shakespeare como um tirano monstruoso que assassinou dois príncipes no palácio real da Torre de Londres, foi morto lutando contra seu eventual sucessor, Henrique Tudor, na Batalha de Bosworth Field, travada na região central da Inglaterra, em 1485".
Obviamente, o foco do deslumbramento midiático esteve concentrado na descoberta e celebração dos despojos reais. Mas uma questão não me passou despercebida: a pessoa-chave que, afinal de contas, permitiu a identificação, via teste de DNA, de um esqueleto que esteve mais de 500 anos desaparecido.
Nada de pânico, leitores, porque resposta já nos foi antecipada pela notícia publicada hoje no jornal O Globo online: "Especialistas disseram que o DNA retirado do corpo combinava com o de Michael Ibsen, um carpinteiro de origem canadense, morador de Londres, que genealogistas disseram ser o descendente direto da irmã de Ricardo, Anne de York".
Assim, ficou fácil, fácil imaginar o enredo do filme: será que o jardineiro já sabia de sua ascedência? Como e quando isto se deu? O que o teria levado do Canadá a Londres? E o que teria levado seus ascendentes de Londres até o Canadá?
Pelo visto, passados mais de 500 anos de sua morte, Ricardo III contiuará inspirando autores pelos tempos afora - senão alguém da estirpe do poeta e dramaturgo Shakeaspeare ou do ator e diretor irlandês Kenneth Branagh - pelo menos algum diretor hollywoodiano da vez.
Mas difícil mesmo vai ser arrumar um ator com o mesmo grau de escoliose do original: "O esqueleto também revela uma severa escoliose, que acredita-se ter ocorrido no início da puberdade. Embora tivesse 1,70m de altura, a curvatura na coluna levaria o rei a ficar significativamente menor e com o ombro direito mais alto do que o esquerdo". Tudo isso piorado, claro, pelos anos em que ficou guardado debaixo de um estacionamento.
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