UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: Belo Horizonte
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Alarme falso

Lua cheia chegando e, com ela, os ânimos ficam cada vez mais exaltados. Que tal então uma notícia leve para começar o fim de semana respirando aliviado?

A boa-nova do momento é que não há atentados-bomba aqui na Roça Grande. Pelo menos, é o que dá a entender a notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online. O Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) havia sido acionado nesta manhã de 6a feira, dia 22 de janeiro de 2016, no intuito de "apurar uma ameaça de bomba na avenida Cristiano Machado, na altura do bairro Cidade Nova, região nordeste da capital".

Ainda de acordo com a notícia, o objeto suspeito, que "se encontrava em uma banca de jornal, que fica no estacionamento do supermercado", nada mais era do que um "rastreador de veículos abandonado no local".

Infelizmente, pouco se sabe sobre o real motivo que levaria um rastreador de veículos a ser abandonado no estacionamento de um supermercado. Fontes anônimos asseguraram, contudo, que o rastreador passa bem e já foi encaminhado para adoção após o resgate do GATE.

Apesar de a equipe do GATE ter sido deslocada inutilmente até o local, ficou para nós, belo-horizontinos, um grande consolo: morar numa Roça Grande também tem lá as suas vantagens, principalmente quando se trata da lentidão com que determinados requintes da "modernidade" chegam até aqui.

Aliás, desse tipo de requinte aí, estamos fora! 

Bom fim de semana para quem fica. Lua cheia no céu. Se beber, não dirija.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Recorde de calor


Olhos parados no horizonte. Já são quase 23h, mas ainda sim a noite trouxe pouco alívio para essa cidade que acaba de ter seu novo recorde de calor no ano batido hoje: 36,9oC.

Nada disso é familiar aos habitantes da Roça Grande. Não conhecemos calores nem frios extremos. Vivemos em uma espécie de meio termo climático que nos torna chatos e exigentes com a meteorologia.

Mal sabíamos que o pior inimigo vem de dentro - e não de fora. Assim é com o calor, tipo de inimigo que se aloja nas entranhas e passa fazer parte do seu ser.  A sensação de frio já vai tão longe que é como se nunca tivéssemos sentido isso antes, como se a vida se resumisse a um suspiro melancólico, desses que deixamos escapar quando sentimos falta de algo que ainda não conhecemos.

Muito bem, senhoras e senhores: com tanta novidade no ar, eu hoje farei um pouco diferente. Não vou reclamar, analisar, nem sequer denunciar. Apenas vou aceitar e agradecer o tempo que faz neste momento. Hoje, um recorde de calor foi batido. Amanhã, ele poderá batido novamente.

Então, para que se preocupar?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Acima da média

Ei, você aí, que tanto se esforçou para ser uma pessoa diferenciada: caso já não more, chegou a hora de se mudar para a Roça Grande e passar uma primavera bem "acima da média".

6 graus acima da média, para ser mais exata! É o que prevê o técnico de meteorologia da Cemig, Geraldo Paixão, em notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online: “Usualmente, temos no mês de setembro temperaturas na casa dos 27°C em Belo Horizonte. Este ano, os termômetros devem continuar registrando de 32°C a 33°C”, detalha.

Se, por um lado, o calor de hoje fez os cidadãos da capital mineira soltarem fogo pelas ventas logo no primeiro dia da primavera de 2015, por outro lado, também há que se reconhecer que São Pedro será mais clemente conosco este ano: as chuvas nos farão visitas constantes ao longo da estação. "Previstas com regularidade para todo o período, elas devem começar a partir deste sábado e se alternam, semanalmente, em função da chegada de frentes frias."

Se a notícia das chuvas regulares não refrescaram em nada o efeito psicológico de um calor acima da média, melhor ir desistindo da vida.  Além dos 6 graus acima da média, a alta do dólar somada ao aumento do valor pago pela corrida de táxi entre o Aeroporto John Fitzgerald Kennedy e Manhattan hão de congelar seus sonhos de uma brisa cálida em Nova Iorque neste próximo verão brasileiro: "a corrida de táxi entre o Aeroporto John Fitzgerald Kennedy e Manhattan ficará mais cara durante o horário de rush em dias úteis, segundo o 'The New York Times'. O valor inicial da corrida, sem as taxas, passará de US$ 52 para US$ 56,50".

Contra aquele se alegrou ao gritar "não vai ter copa",  existe também o outro que grita "não ter vai sacolagem em Nova Iorque". Que peninha! Essa primavera está mesmo de derreter o coração!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A cruz e a caldeirinha

Agora acabei de crer que aquela conversa de alinhamento da Terra com o seu sol e Alcione, aquela estrela/buraco negro situada no centro da nossa galáxia, só pode ser verdade!

As manchetes dos jornais não me deixam mentir: o calor grassa pelo país afora tal qual fogo na palha. E tudo indica que a metáfora será cada vez menos metafórica e mais literal se algo não for feito na esfera celeste: o calor bate recorde por todos os lados nesse país.

Aqui na Roça Grande, por exemplo, estamos sofrendo o mês de dezembro mais seco dos últimos 37 anos: "Neste mês, choveu o equivalente a 70,1 milímetros na região metropolitana de Belo Horizonte, apenas 24% do esperado para dezembro, cuja média histórica é de 319 milímetros" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1206599-belo-horizonte-mg-tem-dezembro-mais-seco-dos-ultimos-37-anos.shtml).

Os jornais falam de uma massa quente que não larga do nosso pé: a estiagem prolongada "é causada pela atuação de uma massa de ar quente que dificulta a formação de nuvens sobre a capital mineira e bloqueia a chegada de frentes frias vindas do Sul do país, além de ser influenciada pelo fenômeno El Niño", explica matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo online.

Com isso, estamos esperimentando temperaturas 4ºC mais elevadas do que a temperatura média máxima para esta época do ano, que fica em torno de 28ºC. Mas tenho certeza de que tem o dedo de Alcione aí no meio: a coisa anda tão feia que o Rio de Janeiro registrou hoje, 4a feira, o dia mais quentte em 97 anos: "Em Santa Cruz (um dos bairros mais afastados do centro), na zona oeste, os termômetros marcaram 43,2ºC".

Tudo indica que a atual cruz de quem mora em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, é o calor: com a anuência e colaboração enfática de Alcione, "com a elevada umidade do ar e o vento quente que sopra vindo do norte, a sensação térmica foi ainda maior: 47ºC" naquele bairro. O que fez de lá um estranho parodoxo: Santa Cruz foi hoje a própria filial do inferno na cidade do Rio de Janeiro.

Ao contrário do Rio, a temperatura máxima na cidade de São Paulo foi medida na Zona Leste: "Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência), a maior temperatura foi de 32,7ºC, na Penha, zona leste, por volta das 14h" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1206732-sao-paulo-tem-maxima-de-327c-na-tarde-desta-quarta-feira.shtml). "Na média, a capital paulista teve 30,7ºC", índice considerado elevado para aquela cidade.

Trocando em miúdos: enquanto a secura paira por todos os lados na Roça Grande, o El Niño não deixa nenhuma frente fria subir do Sul; sem alternativa, São Paulo frita à leste, ao passo que o Rio ferve mesmo é à oeste. E no centro da Galáxia, lá está Alcione, rindo de tudo e de todos.

Simplesmente não temos para onde correr: se correr, o bicho pega; e se ficar: o bicho morre assado!