UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: recorde de calor
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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Joguinho dos cinco erros

Está ficando repetitivo. Só em 2015, foram pelo menos três postagens aqui neste blog sobre o tema. E hoje também não foi diferente: os recordes de calor voltaram a ganhar destaque na cobertura jornalística diária.

Notícia publicada hoje no jornal O Globo online explica por que a obsessão temática não tem nada de acidental. De acordo com a notícia, o mundo vem acumulando, desde maio de 2015, "11 recordes mensais consecutivos de calor".

Aliás, o recorde de calor do nosso último mês de março foi unanimidade entre pelo menos três agências climáticas dispostas em distintas partes do planeta - a Agência de Meteorologia do Japão, o Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa e o Serviço de Mudanças Climáticas Copérnico. 

Contudo, uma leitura atenta da notícia permite entender que os acréscimos de temperatura indicados pelas agências variam de acordo o período de tempo tomado como base para a comparação. Para a Agência de Meteorologia do Japão, o aumento foi de 0,62oC, tomando como referência as médias para o mesmo mês registradas entre 1981 e 2010. Para o Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a variação foi um pouco mais alta do que anterior, cerca de 1,28oC grau mais quente, comparando-se as médias registradas entre 1951 e 1980. Por fim, o Serviço de Mudanças Climáticas Copérnico aponta um aumento de 0,80oC, já que ele toma como parâmetro as médias registradas desde o ano de 1979.

Ainda que o aquecimento seja, de fato, global, algumas regiões do globo estão sendo mais afetadas do que outras: "Como nos meses anteriores, as maiores anomalias de temperatura foram registradas na Região do Ártico. Lugares como a Groenlândia, o Alasca, a Sibéria e o Norte do Canadá vêm registrando temperaturas cerca de 6 graus acima da média para esses locais".

Qualquer que seja a marca escolhida, uma coisa é certa: "recorde" foi a palavra-chave do dia. Mas não apenas de calor, como sugere a notícia. O jornalista responsável pela notícia em questão também emplacou seu recorde e incorreu em pelo cinco erro grosseiros de ortografia, conjugação e acuidade da informação. 

Para não me acusarem de levantar falso, seguem registros visuais que servem de comprovação para o delito contra a Flor do Lácio:










Mas alguém há de dizer: erro de digitação todo mundo comente! Certo, errar é humano. Mas assim como a variação de calor é mais sentida na região do Ártico, alguns tipos de erro gramaticais e ortográficos grassam mais na prática jornalística online do que em qualquer outra. Daqui a pouco, um texto impecável e bem escrito será a mesma coisa que animal ameaçado de extinção: vai virar raridade!


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

E o vento levou...

22 de outubro de 2015 há de entrar para a história. 

De acordo com notícia publicada no jornal Hoje em Dia online, o recorde histórico de 105 anos, computados desde que as medições meteorológicas começaram a serem feitas na capital mineira, foi novamente batido em pelo menos duas das estações de medição da cidade.

"De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), às 16h os termômetros na estação Pampulha chegaram a 37,7ºC." Já na estação centro-sul, estação de referência por ser a mais antiga da cidade, registrou 37,6ºC. A umidade relativa do ar também não estava ajudando nada: ela estava situada na faixa dos 21%, ou seja, muito abaixo dos 60% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Pouco após o recorde ser batido, uma forte chuva sobreveio à capital mineira, fazendo com que a cidade fosse colocada em estado de atenção. Segundo Heriberto dos Anjos, meteorologista do Centro de Climatologia Tempo Clima/PUC Minas, "o temporal pode causar transtornos por causa dos ventos, que podem ser superiores a 50 km/h."

Às 23h42 do dia de hoje, enquanto escrevo este texto, ventos de índole "tufônica" assobiam do lado de fora do meu lar, levando placas, caixas e objetos deixados ao léu. No rastro da destruição, a minha toalha de banho foi dada como desaparecida. Suspeita-se que ela tenha sido capturada por ventos guerrilheiros fortemente armados e levada pela janela do banheiro. Até o momento, ninguém entrou em contato pedindo resgate, mas tenho fortes suspeitas de que eu nunca mais voltarei a vê-la. 


Se, realmente, a toalha que o vento levou não volta mais, o que então ele há de me trazer de novo?

Vão se as toalhas, ficam as metáforas de vida.

sábado, 17 de outubro de 2015

Progressividade

Desculpe a curiosidade, mas o que você estava fazendo entre 13h e 14h de hoje, dia 16 de outubro de 2015?

Eu, por exemplo, neste mesmo horário, reclamava com o dono de uma comida a quilo aqui perto que quase não estava conseguindo comer com este calor. E ele me respondeu: "Nem eu. De vez em quando eu vou ali, coloco uma coisinha ou outra no prato, mas dizer que eu tenho vontade, assim, de comer, eu não tenho".

Bem, se você não fez nada demais, não tem a menor importância. No entanto, você  certamente deve se lembrar de que hoje fez um calor medonho, desses que deixam a gente prostrada, pedindo água gelada em baldes. Mas saiba que,  se você viveu algo similar neste intervalo, seus lamentos não eram infundados: o recorde histórico de calor foi batido aqui hoje na Roça Grande. 


Foi esta notícia publicada agora à noite no jornal Hoje em Dia online que fez soar o alarme: "Belo Horizonte bateu recorde de temperatura entre as 13h e 14h desta sexta-feira (16) Segundo o Centro de Climatologia Tempo Clima/PUC Minas, os termômetros registraram 37,4ºC, na região da Pampulha, ultrapassando o recorde anterior de 37,1ºC, marcado no dia 30 de outubro de 2012". Mas isso não é tudo: "A umidade no local também é crítica, apenas 12%", avisa.


Além de fazer suar, obviamente, o novo recorde nos coloca em guarda contra a progressividade do desconforto. Até quando teremos novos recordes de calor? Quando virão as chuvas? Até quando quando Eduardo Cunha no poder?

Enquanto essas e outras perguntas desconfortáveis não são respondidas, deixo aqui meu registro do por-do-sol de um dia que entrou para a história.  A foto é minha. O desconforto é nosso.







sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Recorde de calor


Olhos parados no horizonte. Já são quase 23h, mas ainda sim a noite trouxe pouco alívio para essa cidade que acaba de ter seu novo recorde de calor no ano batido hoje: 36,9oC.

Nada disso é familiar aos habitantes da Roça Grande. Não conhecemos calores nem frios extremos. Vivemos em uma espécie de meio termo climático que nos torna chatos e exigentes com a meteorologia.

Mal sabíamos que o pior inimigo vem de dentro - e não de fora. Assim é com o calor, tipo de inimigo que se aloja nas entranhas e passa fazer parte do seu ser.  A sensação de frio já vai tão longe que é como se nunca tivéssemos sentido isso antes, como se a vida se resumisse a um suspiro melancólico, desses que deixamos escapar quando sentimos falta de algo que ainda não conhecemos.

Muito bem, senhoras e senhores: com tanta novidade no ar, eu hoje farei um pouco diferente. Não vou reclamar, analisar, nem sequer denunciar. Apenas vou aceitar e agradecer o tempo que faz neste momento. Hoje, um recorde de calor foi batido. Amanhã, ele poderá batido novamente.

Então, para que se preocupar?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

El niño

Prontos para avaliar o ano de 2015 antes mesmo do seu fim?

Pois vejam só vocês que mal chegamos a meados do ano e já temos notícia do seu primeiro recorde: segundo notícia publicada hoje no jornal O Globo online, "o primeiro semestre de 2015 foi o mais quente da história moderna, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos".

Em termos absolutos, a quebra do recorde significou um aumento de 0,88°C na média planetária registrada durante o Séc. XX, o que fez "com que os primeiros seis meses deste ano sejam os mais quentes que se tem registro no mundo" tanto na terra quanto nos oceanos. Mas se você acha que a demonstração já foi suficiente, é bom ir se preparando para o pior. Em anos de ocorrência do vento El Niño, há forte possibilidades de alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas globais.

Bem, se você acha que o calor aqui nesse planeta já deu e pensa em buscar alternativa melhor, saiba que nem tudo está perdido. Notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo online, a Agência Espacial Europeia (ESA) tem planos que podem trazer alento para quem anda de saco cheio do calor. De acordo com o novo diretor da entidade, Johann-Dietrich Wörner, a ESA "pretende instalar um laboratório permanente para o trabalho de astronautas e robôs na Lua e que sirva de base para eventuais missões a Marte, como centro de mineração ou complexo turístico".

De acordo com a notícia, Wörner teria, em seu discurso de posse no início deste mês, proposto a criação de "uma 'aldeia lunar', o que não significa que vai ter casas, prefeitura e igreja, mas um lugar onde os diferentes países possam aplicar suas competências através de astronautas e robôs".

A receita parece boa. No que se refere à aplicação de competências, tenho lá minhas dúvidas sobre sua capacidade de mobilizar interessados. Mais fácil acreditar que um bom sistema de ar condicionado vai, sim, atrair muita mais gente com o El Niño no corpo.

Enfim... deixa eu dormir meu sono de inverno, enquanto o verão não vem.

Bem,



segunda-feira, 11 de março de 2013

Holoceno metafórico

Está tudo explicado, claro e nítido, preto no branco: o calor medonho que anda fazendo por aqui na Roça Grande, desde o início do mês março, não é mera coincidência:  "A temperatura média da terra está hoje mais alta do que na maior parte dos últimos 11,3 mil anos, segundo estudo publicado esta semana na revista 'Science'. " (http://oglobo.globo.com/ciencia/terra-esta-no-periodo-mais-quente-dos-ultimos-11300-anos-7785544)

Para chegar a esta conclusão, os cientistas da Universidade Harvard e da Universidade Estadual do Oregon "combinaram dados coletados em 73 regiões cobertas de gelo e de sedimentos em todo o mundo para reconstituir como era a temperatura neste período, conhecido como Holoceno, que corresponde ao fim da Era do Gelo." Bem, que a terra está se aquecendo cada mais vez, isto é fato amplamente divulgado. A novidade é que, diferentemente de estudos anteriores, que recuavam há até dois mil anos atrás, o estudo atual conseguiu recuar a 11.300 anos.

Ainda que uma das possíveis causas para as altas de temperatura ao longo destes 11,3 mil anos seja a inclinicação da Terra, todos os estudos convergem para a ideia segundo a qual, nos últimos 50 anos, o aquecimento é resultante da atividade humana.  "Isso é particularmente interessante, porque o Holoceno abrange todo o período da civilização humana", o que nos permite tecer algumas conjecturas com relação ao calor reinante e sua relação com a intervenção humana na natureza.

Daí que "o forte calor registrado em março deste ano já superou a média histórica do mês em Belo Horizonte. A temperatura nos últimos 11 dias ficou acima dos 30ºC, superando o recorde dos anos anteriores, de 29ºC." Com tantos recordes batidos, é o passado mais recente que está ganhando peso e poder explicativo.

Holocenamente falando, estamos no ápice do desgelo. Ou melhor, só alguns de nós, pois há almas que resistem bravamente ao degelo. Pior, elas vivem com a cabeça na intempéries do Holoceno, não estão nem aí para a mudança do eixo (da Terra, minha ou dela mesma) e tampouco se importam com a atividade humana circundante. Para essas almas resfriadas, um apelo da macro e da micro-história: aquecei vossos corações, sob a pena de perder o trem da história! 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A cruz e a caldeirinha

Agora acabei de crer que aquela conversa de alinhamento da Terra com o seu sol e Alcione, aquela estrela/buraco negro situada no centro da nossa galáxia, só pode ser verdade!

As manchetes dos jornais não me deixam mentir: o calor grassa pelo país afora tal qual fogo na palha. E tudo indica que a metáfora será cada vez menos metafórica e mais literal se algo não for feito na esfera celeste: o calor bate recorde por todos os lados nesse país.

Aqui na Roça Grande, por exemplo, estamos sofrendo o mês de dezembro mais seco dos últimos 37 anos: "Neste mês, choveu o equivalente a 70,1 milímetros na região metropolitana de Belo Horizonte, apenas 24% do esperado para dezembro, cuja média histórica é de 319 milímetros" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1206599-belo-horizonte-mg-tem-dezembro-mais-seco-dos-ultimos-37-anos.shtml).

Os jornais falam de uma massa quente que não larga do nosso pé: a estiagem prolongada "é causada pela atuação de uma massa de ar quente que dificulta a formação de nuvens sobre a capital mineira e bloqueia a chegada de frentes frias vindas do Sul do país, além de ser influenciada pelo fenômeno El Niño", explica matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo online.

Com isso, estamos esperimentando temperaturas 4ºC mais elevadas do que a temperatura média máxima para esta época do ano, que fica em torno de 28ºC. Mas tenho certeza de que tem o dedo de Alcione aí no meio: a coisa anda tão feia que o Rio de Janeiro registrou hoje, 4a feira, o dia mais quentte em 97 anos: "Em Santa Cruz (um dos bairros mais afastados do centro), na zona oeste, os termômetros marcaram 43,2ºC".

Tudo indica que a atual cruz de quem mora em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, é o calor: com a anuência e colaboração enfática de Alcione, "com a elevada umidade do ar e o vento quente que sopra vindo do norte, a sensação térmica foi ainda maior: 47ºC" naquele bairro. O que fez de lá um estranho parodoxo: Santa Cruz foi hoje a própria filial do inferno na cidade do Rio de Janeiro.

Ao contrário do Rio, a temperatura máxima na cidade de São Paulo foi medida na Zona Leste: "Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência), a maior temperatura foi de 32,7ºC, na Penha, zona leste, por volta das 14h" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1206732-sao-paulo-tem-maxima-de-327c-na-tarde-desta-quarta-feira.shtml). "Na média, a capital paulista teve 30,7ºC", índice considerado elevado para aquela cidade.

Trocando em miúdos: enquanto a secura paira por todos os lados na Roça Grande, o El Niño não deixa nenhuma frente fria subir do Sul; sem alternativa, São Paulo frita à leste, ao passo que o Rio ferve mesmo é à oeste. E no centro da Galáxia, lá está Alcione, rindo de tudo e de todos.

Simplesmente não temos para onde correr: se correr, o bicho pega; e se ficar: o bicho morre assado!






quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Destempero

O dia de hoje conheceu a quintessência do termo destempero, pelo menos no que se refere aos recordes meteorológicos.

Aqui na Roça Grande, os termômetros acusavam recorde de calor quando, por volta das 16h da tarde de hoje, mediram 37,1º C. De acordo com o site Climatempo, esta foi simplesmente a maior temperatura registrada na cidade desde que se começou a registrar oficialmente as temperaturas, em março de 1910 (http://www.climatempo.com.br/destaques/tag/belo-horizonte/).

Já lá em Nova Iorque, os recordes são outros: "A tempestade provocou um aumento do nível das águas de quase quatro metros no centro de Manhattan, bem acima do recorde anterior, de três metros, registrado na passagem do furacão Donna, em 1960, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia" (http://oglobo.globo.com/mundo/inundacao-provocada-por-sandy-deixa-metro-de-ny-sem-circular-por-4-dias-6584839#ixzz2AvsDIH00).

No final das contas, é o ano de 2012 que não cansa de surpreender: quando você que ele rendeu tudo o que tinha que render, ele salta por cima dos termômetros e estatísticas, derrubando tudo no chão, estabanado como todo ano de intensa transformação.

Quer saber? Entre o calor daqui e as enchentes de lá, sou mais a solução do Lulu Santos: "não vá para Nova Iorque, amor, não vá/ Eu quero tudo com você/ Não vá..."