UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: 2012
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Apophis

Beleza! Solzão brilhando nesse janeiro de 2013 e todo mundo achando que, findo o ano de 2012 e fracassadas todas as profecias de fim de mundo, tudo voltaria ao normal... Será mesmo?

Para ser sincera, acho difícil - muito difícil mesmo! - voltarmos ao que éramos antes de 2012. E o motivo disso é muito simples: a histeria milenarista apocalíptica que vinha sendo cultivada desde a década de 1990 chegou ao seu ápice no ano passado, quando se quis imputar aos Maias a responsabilidade de terem previsto o fim do mundo. E como o cultivo de tamanha histeria foi longo e cuidadoso, é provável que algumas sementes vãs tenham sobrevivido - perdoem-me pelo trocadilho -  à ausência do fim de mundo.

Na verdade, todos santo dia, foram pilhas e mais pilhas de matérias na imprensa online dedicadas a temas apocalípticos, todas elas devidamente comentadas em blogs geridos por gente desocupada e sem assunto (como eu, por exemplo). Aliás, essa foi uma tendência que o próprio filme "2012" soube antecipar magistralmente: criou-se o mercado da catástrofe anunciada, muitas vezes para justificar a inércia à mudança da parte de algumas pessoas (atitude fundada na crença de que "ah, se vamos todos morrer mesmo, para quê que eu vou mudar?"), outras tantas para canalizar uma certa angústia existencial para fins de consumo (no estilo "compremos nossa felicidade porque o mundo tá acabando e ela tá em promoção"). Afinal, foram filmes, livros e eventos escritos, promovidos ou publicados em nome de um evento cuja consequência maior é o aniquilamento da própria existência. Ai, quanto frenezi!

Nem precisa dizer que essa turminha toda foi dormir arrasada ao final do dia 21 de dezembro. Por esses lados aqui da Roça Grande, tivemos, inclusive, um dia auspiciosamente belo para compensar todas as expectativas frustradas. Pois bem, é para esses aí, que andam sem ocupação desde que o fim do mundo não vingou, que comento a seguinte notícia, publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo online: "Astrônomos estão se preparando para observar o asteroide Apophis, que passará esta quarta-feira a cerca de 14,45 milhões de quilômetros da Terra, e voltará a aparecer por perto daqui nos próximos anos, com uma possibilidade — considerada extremamente remota — de atingir nosso planeta em 2036" (http://oglobo.globo.com/ciencia/asteroide-apophis-passara-proximo-terra-esta-quarta-feira-7231484).

Ora, sabemos que a simples menção do termo "possibilidade considerada extramamente remota" já é mais do que suficiente para atiçar a imaginação dos apocalípticos  frustrados. Basta lembrar que "se isso realmente acontecer, o Apophis, que tem um diâmetro de 300 metros, causaria uma explosão 100 mil vezes mais poderosa do que a provocada pela bomba atômica de Hiroshima".

Pronto, o estrago está feito! Nem adianta falar que as estimativas iniciais, realizadas na ocasião da descoberta do asteróide, em 2004, eram de uma em 45 mil e que, mais tarde, ela foi revista e passou de uma para uma em 250 mil. De nada adianta esse blablablá! O bom apocalíptico é aquele que não se importa em adiar a felicidade em prol de algum sacrifício imediato. Até 2036, eles terão nada mais, nada menos do que 23 anos para ensaiar tudo aquilo que aprenderam sobre histeria coletiva ao longo do ano de 2012.

Por fim, se a ideia de uma hecatombe de grande proporções parece atraente para alguém que está me lendo nesse momento aí do outro lado da tela, aqui vai uma notícia para ajudá-lo a esquentar os tamborins para 2036: "A temperatura máxima atingiu 40,7 graus Celsius (°C) nesta terça-feira (8), no bairro da Saúde, zona portuária da capital fluminense, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A sensação térmica chegou aos 50°C devido à baixa umidade relativa do ar, em torno de 40%" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/sensac-o-termica-chegou-a-50-graus-nesta-terca-feira-no-rio-de-janeiro-1.76329).

Sensação térmica de 50ºC? Um sinal dos tempos, não resta a menor dúvida....







quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pégaso

Minha gente, quem avisa amigo é: este ano de 2012 pede cuidados e atenção redobrada aos detalhes.

Sabe aquelas coisas que você vive pedindo que caiam do céu em sua vida? Pois bem: em um ano maluco como este, existe alguma chance consistente de que a coisa realmente caia... e dos lugares mais inusitados!

Não, não é exagero meu. A notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online só vem a reforçar a opinião que toda atenção é pouca em ano de fechamento de ciclo do calendário maia: "Um cavalo morreu depois de cair dentro de uma casa, no bairro Jardim dos Comerciários, em Venda Nova, na noite desta quarta-feira", relata a notícia (http://www.hojeemdia.com.br/minas/cavalo-morre-ao-cais-dentro-de-casa-em-venda-nova-1.62077).

Nesta altura do campeonato, vocês devem estar se perguntando como - cargas d'água! - esse cavalo foi parar no telhado. Ao que responde singelamente a notícia: "De acordo com o Corpo de Bombeiros, o animal teria subido no telhado da residência, que fica no mesmo nível do terreno, antes de cair. Com o peso dele, a telha quebrou e o cavalo caiu num cômodo em construção, não resistindo aos ferimentos e morrendo".

Réquiem para o cavalo, coitado. Se ele não tivesse morrido com a queda, certamente teria morrido de susto. Ao contrário da figura mitica alada, este pobre arremedo de Pégaso não sabe o que é imortalidade, e nem tampouco poderá pleitear o papel de rena na próxima seleção de atores para o Natal do seu shopping center.

Descanse em paz, cavalinho, que 2012 já está acabando!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Contagem regressiva

Ainda há pouco, li na rede social Facebook, o comentário de um amigo que pedia, em plena 2a feira, para a semana terminar logo!

Mas não é que este ano de 2012 realmente passou rápido, apesar de ter acontecido de tudo e mais um pouco? Pois cá estamos nós a praticamente um mês do dia 21 de dezembro, uma data ambiavelente que marca  tanto o solstício de verão no hemisfério sul (coisa que acontece, via de regra, todos os anos), como também o fim de uma longa era de 5.200 anos de duração (se nos fiarmos no calendário maia).

Bem, 2012 pode não ter sido o ano mais ameno da sua vida, mas você pelo menos há de convir que este foi - ou melhor, está sendo - um ano que soube realmente manter o suspense em alta. Aliás, não só o suspense, como a pressão arterial de alguns mais suscetíveis às oscilações de humor dos deuses maias. Pois bem: parece que o descontentamente anda não só entre os deuses maias, como também entre seus atuais descendentes que vivem no México, na Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador.

Segundo notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online, "o afã mercantilista fez com que grupos indígenas acusassem governos e empresários de comercializar e corromper o sentido de mudança de ciclo, aplicando o que o líder indígena Álvaro Pop qualificou como uma interpretação ao estilo de Hollywood" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/maias-e-a-contagem-regressiva-para-o-fim-de-uma-era-1.60966).

Na Guatemala, por exemplo "espera-se que o 'fim do mundo maia' atraia 8% mais turistas" por meio de distintas atividades distribuídas em "13 sítios arqueológicos ou turísticos". Mas o ápice do evento será realmente no dia do tão esperado solstício: "Ao amanhecer de 21 de dezembro, Tikal, que foi uma das mais poderosas cidades maias, será cenário de uma cerimônia com a presença do presidente Otto Pérez, com previsão de transmissão via satélite".

Via satélite, do quintal dos maias para o mundo: quem viver, verá. Quanto a mim, mal estou dando conta de terminar o dia, quiça uma longa era de 5.200 anos. Vou deixar isto para os maias mais experientes. E para você, que ficou acordado lendo isto, espero que seu dia acabe, serena e tranquilamente, sem pirotecnia nem transmissão via satélite.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Invertidas

Assistindo estarrecida ao ataque à Faixa de Gaza, não pude evitar a ideia de que 2012 será certamente conhecido como "o ano que deixou nossas vidas de pernas para o ar". Apostando nesta constatação, conquanto de maneira humorística, o jornal  Hoje em Dia online conseguiu alanvacar duas variações sobre o mesmo tema: a bizarrice das coisas invertidas.

Em primeiro plano, está a notícia sobre a casa construída em 2006 pelo empresário polonês Daniel Czapiewski (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/casa-de-cabeca-para-baixo-e-contra-injusticas-do-mundo-1.58300). A foto confirma para os leitores incautos que, por ventura, vierem a ler a notícia: a casa de Czapiewski  foi construída de cabeça baixo, de modo que "os móveis da residência também estão em posição invertida, o que aguça a curiosidade de quem entra na residência".

A curiosidade despertada, no entanto, não deve ter um fim em si mesma: "a ideia é transformar a atração em um símbolo de todas a injustiças contra a humanidade", já que nela se encontra "uma exposição de pinturas polacas que ilustram temas como pobreza, terrorismo, desastres naturais, guerra, comunismo e fascismo".

Também achando graça em ver inveertida a posição das coisas ordinárias está a canadense Hana Pesut, que decidiu "transformar fotos divertidas em livro" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/bizarro/imagens-de-casais-invertidos-v-o-virar-livro-1.58365). A peculiaridade da iniciativa da canadense reside no fato de que as fotos foam cedidas gentilmente por casais de internautas que toparam tirar fotos, lado a lado, em duas situações distintas: primeiro, cada qual com sua própria roupa; em seguida, cada qual com a roupa do companheiro(a).

Uma pena, no entanto, a notícia em questão terminar abruptamente, com uma frase pela metade, evidenciando o descuido do repórter responsável. O máximo que ficamos sabendo é que, "chamada de 'Switcheroo', a iniciativa ficou famosa na web".

Na falta de elementos adicionais, cabem apenas elocubrações: e se o "experimento" de Pesut tivesse um sentido mais político? Mas caso a autora ainda não tenha pensado nessa possibilidade, fica aqui a minha sugestão: inverter, em suas fotos, casais que representem credos, cores, nacionalidades, religiões e filiações políticas rivais.

Bem, talvez faltem fotos suficientes que justifiquem uma extensa coletânea. Mas o exercício de reflexão não deixa de ser válido. Afinal, de onde vem a empatia senão do esforço de tentar se colocar - humilde e humanamente - na posição ocupada pelo outro?  

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Carcaça

Com tanta coisa louca e sem sentido acontecendo neste ano de 2012, há espaço para todo tipo de evento e - consequentemente - para todo tipo de conjectura.

Pois bem: hoje, 2a feira brava, dia atípico para os grandes engarrafamentos, acabou sendo um dia em que o caos andou de mãos dadas com o trânsito da Roça Grande. Mas não falo de um caos qualquer, falo do caos elevado à enésima potência. Só que sem motivo aparente!
Isto é, "nada" excetuando o fato de estarmos a apenas cinco semanas do Natal, da correria, da loucura, da luta das sombrinhas por espaço na rua lotada, das lojas entupidas, do estoque esgotado, do ônibus demorado, dos encontros desencontrados, pois ninguém consegue chegar a lugar nenhum no horário desejado.

Já ia terminar o dia assim, perplexa diante do imponderável, quando dei de cara com uma notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online. Ela me deu um vislumbre de explicação para tanto caos em dia insuspeito. Sim, talvez seja isto: uma carreta carregando uma carcaça de baleia passou em plena hora do rush. "Motoristas ficaram chocados ao observarem uma baleia enorme e podre passando, na hora do rush, sobre uma enorme carreta" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/carcaca-de-baleia-e-transportada-em-carreta-na-hora-do-rush-1.56046).

E vocês hão de perguntar: por que uma carcaça de uma baleia em plena hora do rush? Ora, uma coisa de cada vez! Em primeiro lugar, nem se sabe ao certo o porquê da baleia ter virado carcaça: "especialistas disseram que a baleia pode ter sido atacada por tubarões brancos que teriam arrancado várias partes de seu corpo. Mas a causa da morte do animal ainda não está totalmente esclarecida."

Em segundo lugar, vocês hão de convir que somente o desfile póstumo de uma baleia na hora do rush para explicar tamanho congestionamento na capital mineira... Bem, a única ressalva que eu faria é que o dito desfile aconteceu em outro continente: "Segundo o jornal 'The Sun', o mamífero foi levado de Capricorn Beach, na Cidade do Cabo, África do Sul, até a chegada dos responsáveis por mover o animal".

Tudo bem, também sei que vocês hão de protestar contra a precariedade das minhas hilações, já que um evento jamais poderia ter relação plausível com o outro. Mas, meus amigos, acordem! Estamos no estranho ano de 2012. E se tem uma coisa que todos estes eventos - a verdadeira causa da morte da baleia, o congestionamento na Roça Grande, a carreta desfilando na hora do rush na Cidade do Cabo - têm em comum, é o próprio fato de eles no colocarem face a face com o imponderável.

Bem, como nada mais parece fazer sentido neste estranho e surpreendente ano de 2012, eu hoje estou prefirindo ir dormir mais leve e sossegada, no embalo das explicações fáceis e superficiais. E se um evento não explica realmente o outro, para mim isto pouco importa. Vou guardar minha perplexidade para outros eventos de maior envergadura.

Quer saber? Melhor mesmo é ir dormir logo. Mais cinco minutos online e serei capaz de provar por A + B que a baleia morreu mesmo foi de enfarte com o trânsito caótico da Roça Grande.

Boa noite para quem fica!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Destempero

O dia de hoje conheceu a quintessência do termo destempero, pelo menos no que se refere aos recordes meteorológicos.

Aqui na Roça Grande, os termômetros acusavam recorde de calor quando, por volta das 16h da tarde de hoje, mediram 37,1º C. De acordo com o site Climatempo, esta foi simplesmente a maior temperatura registrada na cidade desde que se começou a registrar oficialmente as temperaturas, em março de 1910 (http://www.climatempo.com.br/destaques/tag/belo-horizonte/).

Já lá em Nova Iorque, os recordes são outros: "A tempestade provocou um aumento do nível das águas de quase quatro metros no centro de Manhattan, bem acima do recorde anterior, de três metros, registrado na passagem do furacão Donna, em 1960, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia" (http://oglobo.globo.com/mundo/inundacao-provocada-por-sandy-deixa-metro-de-ny-sem-circular-por-4-dias-6584839#ixzz2AvsDIH00).

No final das contas, é o ano de 2012 que não cansa de surpreender: quando você que ele rendeu tudo o que tinha que render, ele salta por cima dos termômetros e estatísticas, derrubando tudo no chão, estabanado como todo ano de intensa transformação.

Quer saber? Entre o calor daqui e as enchentes de lá, sou mais a solução do Lulu Santos: "não vá para Nova Iorque, amor, não vá/ Eu quero tudo com você/ Não vá..."



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Tornado

Ser a pessoa certa no lugar certo. Quem nunca desejou esta sorte para si? Pois este parece ter sido o caso de um cineasta australiano, em mais um episódio para a série "Das coisas que não acreditei que veria em 2012".

Os detalhes do evento que motivou tamanha distinção foram trazidos a público por uma notícia publicada hoje no Jornal Folha de S. Paulo online. Trata-se de um fenômeno raro registrado antes de ontem, 2a feira, do outro lado do globo terrestre: "Um tornado de fogo foi registrado nesta segunda-feira em Alice Springs, na região central da Austrália. O fenômeno, chamado de demônio de fogo, é raro"(http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1155873-raro-tornado-de-fogo-atinge-regiao-central-da-australia.shtml).

Bem, todos já ouvimos falar do estrago que tornados são capazes de gerar em outros países, como nos EUA, por exemplo. Mas o poder de destruição de um tornado de fogo é muito pior do qualquer um poderia imaginar: "O maior fenômeno registrado do gênero aconteceu no Japão, em 1923, durando 15 minutos e causando a morte de 38 mil pessoas".

Apesar dos pesares, há quem tenha tirado proveito da passagem do tornado. Este foi o caso do cineasta Chris Tanger, "que buscava locações para um novo filme" e pôde registrar o raro evento: "o redemoinho tinha 30 metros de altura" e "soava como um avião supersônico", afirma.

Sabe-se, no entanto, que "o fenômeno do tornado de fogo é raro e dura em média dois minutos. O redemoinho é formado quando uma coluna de ar quente que sobe para a atmosfera entra em contato com fogo no solo". Pois bem: ser o homem certo no lugar certo não é para qualquer um: Tanger afirma que o evento durou cerca de 40 minutos, quase três vezes mais do que o maior fenômeno registrado oficialmente até então.

.E mais: o caráter disruptivo do fenômeno só vem a confirmar a excepcionalidade da sua presença naquele lugar, naquele momento: "O tempo estava perfeito e a temperatura chegava uns 25 graus. Era um dia inteiramente previsível. Eu faço filmagens há 23 anos e nunca vi nada como aquilo".

Sinceramente? Nem eu. Mais uma surpresa que 2012 guardava na manga!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eventos disruptivos

2012 tem sido um ano de muitos sobressaltos. Eventos disruptivos de toda ordem têm chacoalhado a vida de uns e outros, levando a instabilidade por todos os lados, desde os gabinetes das mais altas esferas hierárquicas do poder político até a barraquinha do seu Zé da esquina.

O grande exemplo do dia foi, sem dúvida, o impeachment de Fernando Lugo, presidente do Paraguai: "O senado paraguaio aprovou na tarde desta sexta-feira o impeachment do presidente Fernando Lugo, após um rápido processo iniciado na quinta-feira na Câmara dos Deputados sob o argumento de que ele não exerce sua função devidamente" (http://oglobo.globo.com/mundo/senado-paraguaio-aprova-impeachment-de-fernando-lugo-5291956#ixzz1yZKJNVRl). Ou seja, lá se foi um presidente eleito por vias legais em um processo que durou cerca de 24 horas. Parabéns para o Paraguai!

Fazendo um parelelo bem didático, o impeachment de Lugo é tão surreal e inesperado quanto aquele caso do servente de pedreiro que escapou ileso do desabamento de um dos prédios que desabaram em janeiro deste ano, no Rio de Janeiro. Contrariando todas as expectativas, Alexandro da Silva Fonseca Santos escapou por muito, muito pouco do desabamento de um prédio de 20 andares.

"O operário se salvou embora tenha feito o contrário do que se recomenda em casos de acidente como esse. Segundo especialistas em análise de risco, o elevador não deve ter despencado. A hipótese mais provável é que ele tenha caído junto com o prédio", relata matéria publicada à epoca do evento (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/01/nasci-de-novo-tenho-que-comemorar-diz-sobrevivente.html). Ou seja, Santos sobreviveu de forma totalmente inesperada a um evento que só não fez mais vítimas porque aconteceu após o fim do horário comercial. Parabéns, portanto, para o anjo da guarda do seu Santos!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Engarrafamento de Vênus

O tão falado trânsito do planeta Vênus acontece de hoje (5 de junho) para amanhã, mas já está causando engarrafamento desde a semana passada nas redes sociais e nos jornais online. Alerta geral: o segundo maior planeta do nosso sistema solar estará atravessando os céus e se posicionando entre o sol e a Terra (http://oglobo.globo.com/ciencia/transito-de-venus-visto-em-varias-partes-do-mundo-5129787).

O evento é o mesmo hoje e sempre, mas já provou ter usos e proveitos diversos ao longa da história. Já houve um tempo que a passagem de Vênus serviu para construir o primeiro referencial de distância no espaço: "Foi através dos estudos da passagem de Vênus que se chegou ao que é considerado o embrião de uma medida mais precisa da distância da Terra ao Sol, a chamada Unidade Astronômica, hoje fixada em aproximadamente 150 milhões de quilômetros" (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1100795-comeca-o-ultimo-transito-de-venus.shtml). Hoje, de acordo com a matéria do jornal O Globo, os "astrônomos medem a densa atmosfera de Vênus e usarão os dados para desenvolver novas técnicas de medição das atmosferas de outros planetas fora do Sistema Solar".

Ao contrário do trânsito aqui na Roça Grande, que já se tornou habitual, o de Vênus é raro e só poderá ser visto daqui a 105 anos - ou seja, quando nós já tivermos partido desta para melhor. Mas quem estiver na capital mineira e quiser assistir o evento, ele será transmitido ao vivo na fachada do Espaço TIM UFMG do Conhecimento, das 19h30 às 00h, na Praça da Liberdade (http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2012/06/04/interna_tecnologia,298220/transito-de-venus-sera-transmitido-ao-vivo-na-praca-da-liberdade-em-bh.shtml).

E para quem não quiser arredar o pé de casa, vai pela Internet mesmo, via site da Nasa (http://venustransit.nasa.gov/transitofvenus/).

Sinceramente? Não sei se a passagem do planeta Vênus seria capaz de mudar a atmosfera de caos que impera neste ano do Dragão, mas uma coisa eu dou como certa: de tanto ser alvo da cobertura noticiosa pelo mundo afora, ele hoje deixou de ser planeta para se tornar a estrela do dia!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Justiça no Olimpo

Com tanta gente perdendo a cabeça à toa nesse mundo, por que a Medusa não pode ter a dela de volta?

Uma matéria publicada hoje no O Globo online me fez pensar nas mazelas sofridas pela Medusa, aquela figura mitológica de olhar petrificante e cabelos de serpente: "uma segunda Medusa pintada pelo mestre italiano Caravaggio (1571-1610) acaba de ser descoberta numa coleção particular na Itália" (http://oglobo.globo.com/cultura/descoberta-uma-irma-da-celebre-medusa-de-caravaggio-4105894).

Entre outras coisas, a notícia expõe como os avanços tecnológicos levaram à revisão de alguns dogmas sobre a autenticidade desta curiosa obra de Caravaggio. Ao que parece, a descoberta inverteu totalmente a "ordem dos fatores" até então tida como certa pelos historiadores e críticos de arte: "Especialistas analisaram radiografias da peça — considerada, até agora, uma cópia da obra original, datada de 1598-1599 — e concluíram que se trata de uma outra obra, inclusive pintada antes, entre 1597 e 1598".

Ou seja, aquela que era considerada inicialmente apenas uma cópia provou ser, na verdade, uma versão tão original quanto a sua irmã, e até mesmo anterior a esta. Exatamente como a de Caravaggio, a Medusa dos gregos também tinha irmãs. Só que, "ao contrário de suas irmãs Górgonas, Esteno e Euríale, Medusa era mortal e acabou sendo decapitada por Perseu". E justamente por não ter a imortalidade das irmãs, seu fim foi um tanto quanto trágico: "o filho de Zeus teria usado posteriormente sua cabeça como arma, até dá-la de presente para a deusa Atena, que a colocou em seu escudo".

Por uma questão de isonomia, sou a favor de ir logo garantindo a Medusa o mesmo direito à imortalidade que suas irmãs. Meu sonho de justiça para a Medusa prevê a restituição da sua cabeça sem delongas, com juros e correção monetária. Junto com ela, a Medusa receberia de Perseu e Atena todos os honorários devidos pelos seus prestimosos serviços como segurança particular - incluindo-se aí todos os encargos trabalhistas por milênios de trabalho gratuito.

A justiça já foi feita neste plano quando a tecnologia provou que a suposta "cópia" da Medusa de Caravaggio era, na verdade, um original. Agora, é hora de fazer justiça também lá pelos lados do Olimpo. Justiça seja feita: restituamos ao mito sua dignidade e, se possível, também sua cabeça.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ano do dragão

Para quem está de olho nos cataclismas, pandemias, e outras mazelas típicas do fim do mundo - se entendermos que o mundo pode "acabar" várias no mesmo ano, dependendo da intensidade das transformações em andamento - saiba que foi ontem a tão temida entrada do ano do dragão.

De acordo com o horóscopo chinês, do dia 23 de janeiro de 2012 (ontem) até o dia 09 de fevereiro de 2013 estaremos sob o signo do dragão. Os prognósticos, no entanto, sinalizam um bicho bem mais manso do que se alardeava: "o Dragão é um signo poderoso que representa a vitalidade, o entusiasmo, o orgulho, a extravagância e os ideais elevados"(http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=11577). E o fato de ser este um ano do elemento água "traz a todos uma dose de energia extra que possibilita as grandes realizações".

Dizem que quem brinca com fogo, acaba se queimando. Pelo sim, pelo não, com dragão também não se deve brincar - nem mesmo se ele for de água. Mesmo porque reza a lenda que em ano de dragão até da água podemos sair queimados. Um exemplo, no mínimo, desconcertante é este surto de águas-vivas e caravelas que está acometendo o litoral do Paraná. "Mais de 7.000 pessoas foram queimadas em pouco mais de um mês, segundo o Corpo de Bombeiros. Somente no [último] fim de semana, houve 3.594 casos" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1038943-mais-de-7000-pessoas-sao-queimadas-por-aguas-vivas-no-litoral-do-pr.shtml).

Para se ter uma ideia que da proporção do desastre, basta comparar os números de casos de queimadura por água-viva e caravela nos anos anteriores: "No verão passado [2011], em toda a temporada, cerca de 500 pessoas sofreram queimaduras. Nos anos anteriores, segundos os bombeiros, a média era ainda menor: em torno de 250 casos em toda a estação". Isto porque o verão ainda está no meio do caminho e os casos registrados foram contabilizados de 16 de dezembro para cá.

Mas nem precisa ter lá uma imaginação muito cinematográfica para intuir a causa do aumento dos casos de queimadura: ainda que a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná não saiba dizer o motivo exato, "uma das hipóteses investigadas é o desequilíbrio ambiental". Matada a xarada, fica então a dúvida de uma solução ambiental a curto prazo. Não sei, não. Minha intuição de Coelho me diz que, no ano do dragão, não bastará vitalidade e entusiasmo para manter os ideias elevados. O desafio maior será o de conter a extravagância destruidora do bicho que mora em cada um de nós.

Para as almas desejosas de emoções fortes e sacudidas planetárias, um novo alento: o ano do dragão está só começando!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Naufrágios

O ano de 2012 começa com alguns naufrágios importantes.

De um lado, foi um dia para fotógrafos profissionais e amadores chorarem as pitangas: a empresa norte-americana Kodak entrou com pedido de concordata hoje, nos EUA. "A companhia, de 130 anos de idade e pioneira na produção de filmes fotográficos, conseguiu um empréstimo de US$ 950 milhões (R$ 1,6 bilhão) do Citigroup para tentar se reeguer" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/economia-e-negocios/deixada-para-tras-desde-inicio-da-era-digital-kodak-pede-concordata-1.395331).

Muitas lágrimas rolaram. As lágrimas da turma das concorrentes Nikon e Canon podem até ter sido de crocodilo. Mas as lágrimas dos trabalhadores diretamente afetados com a supressão de 47 mil postos após o fechamento de 13 fábricas e 130 laboratórios devem ter sido bem sinceras. O veredito não deixa dúvidas: "Com sede em Rochester (estado de Nova York), a empresa, com mais de um século e que foi símbolo do capitalismo americano, não parou de declinar desde o advento da tecnologia digital", relata a matéria publicada hoje no Hoje em Dia online.

A ironia da história foi saber, por intermédio da mesma matéria, que além de ter inventado a câmera de mão e ter ajudado "a trazer ao mundo as primeiras imagens da lua", a Kodak ainda me fez o favor de inventar, no ditoso ano de 1975, "sua primeira câmera numérica", apesar denão ter desenvolvido "esta nova tecnologia".

Qualquer semelhança no enredo não é mera coincidência: depois de tanto criar e inovar, acabou morrendo na praia, devorada por tubarões japoneses. Ficou me lembrando de algumas pessoas que já conheci nessa vida: desconsideram sinais de alerta importantes, tomam o rumo errado e acabam se perdendo no fluxo da vida. Triste fim, tal qual Policarpo Quaresma.

De outro lado, morreram - não muito longe praia, por sinal - 11 passageiros que desfrutavam das dependências do navio mega-luxuoso Costa Concordia, ao passo que 20 passageiros continuam desaparecidos (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1036622-capitao-jantava-com-convidada-no-momento-de-acidente-com-navio-na-italia.shtml).

O mais interessante foi saber o que fazia o capitão no exato momento da tragédia: uma jovem moldávia, "Dominika Cermortan, 25, admitiu que jantava com o capitão no momento da colisão que abriu no casco do navio uma fenda de 70 metros, e defendeu que a operação de Francesco Schettino 'salvou milhares de pessoas' ".

A história continua recheada de mistérios: depois de comer - Deus sabe o quê - "o capitão, que abandonou o navio a sua própria sorte uma hora depois do acidente e que ao chegar a terra firme ligou para a mãe, para depois contemplar a embarcação afundando de uma rocha da ilha de Giglio, teve sorte". Ganhou um presentaço da juíza Valeria Montesarchio: o direito a prisão domiciliar, "contrariando a opinião do promotor-chefe da localidade italiana, Francesco Verusio, que pediu a prisão preventiva de Schettino".

Misteriosa generosidade a dessa meritíssima juíza. Merece um jantar de cortesia com o capitão. Mas tem de ser em alto-mar, senão não vale.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

2012: o ano das motos!

Todo dia é dia de celebrar alguma coisa. Uns andaram hoje comemorando o Dia do Orgulho Nerd; outros, o não-fim do mundo; ou, ainda, o simples fato de o dia de hoje ter sido um belo dia de céu azul. Afinal, cada qual celebra o que bem entende. Mas quando o assunto é trânsito, fica difícil comemorar alguma coisa.

O Instituto de Pesquisas Econômicas (IPEA) divulgou hoje o estudo "A Mobilidade Urbana no Brasil", capaz de arrepiar os cabelinhos do pé até a nuca. De acordo com matéria publicada hoje no Hoje em Dia, "a pesquisa mostra que a demanda por transporte público caiu 30% na última década. No mesmo período, a compra de carros cresceu em media 9% ao ano e a de motos, 19%" (http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/brasil/em-dez-anos-havera-mais-motocicletas-do-que-carros-nas-ruas-do-pais-1.285076). Trocando em miúdos, a previsão catastrófica é a de que, a partir de 2012, a aquisição de motocicletas será maior do que a de automóveis. Ou seja, ao que parece, o fim do mundo vai ser mesmo em 2012, hehehê!

E qual o problema disso? Segundo Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa do IPEA, citado na matéria do Hoje em Dia, a moto já polui mais do que o carro; e se comparada ao transporte público, polui até 40 vezes mais.

A questão é saber, meu caro Watson, de qual transporte público estamos falando nesse trecho. É bom lembrar que o danado do ônibus emite monóxido de carbono, ao passo que o metrô não emite gases poluentes, pois é movido à energia elétrica. Qualquer criança sabe disso! A prova disso é que essa informação está disponível no site da Discovery Kids (http://www.canalkids.com.br/meioambiente/planetaemperigo/poluar2.htm).

Mas é claro que o aumento de formas mais poluentes de transporte não é um problema que só pode ser imputado aos motoqueiros, ávidos por exercer seu poder de consumo. As empresas responsáveis pelos transporte em ônibus e o poder público tem sua parcela de culpa nessa história: "O alto custo das passagens também influenciou a mudança do comportamento - desde 1995, as tarifas dos ônibus urbanos aumentaram cerca de 60% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)".

Preço salgado das passagens de ônibus, ar poluído pelas motos, carros matando gente que nem guerra civil. Para onde correr? Não sei, mas se tivesse que correr, tentaria ir de bicicleta: barato, não polui e, se depender dos morros de BH, vc vai sair com as coxas e panturrilhas da grossura das do Dunga (nos áureos tempos, claro).