UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: NASA
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Pãozinho sideral



Que os jornais andam abarrotados de notícias tristes, estarrecedoras e desestimulantes, isto já está todo mundo cansado de saber. Raridade mesmo, nos dias hoje, é achar uma notícia que preste, ou seja: uma notícia cujo conteúdo proponha algo que inspire, motive, enleve ou ensine bons exemplos.

E para comemorar o fim do meu longuíssimo recesso criativo como cronista notívaga, consegui garimpar, lá no fim do cantinho esquerdo da página, uma única noticiazinha digna de menção. Peço desculpas, contudo, se ela é requentada e datada de, pelo menos, uma semana. Mas para quem não escreve por aqui há mais quatro meses, uma semana de atraso é café pequeno.

Aliás, a notícia selecionada fala justamente de um amigo bem próximo do café passado na hora: o pão quentinho. Segundo notícia publicada no jornal O Globo online, ele será convidado de honra no projeto Bake in the Space, o qual permitirá, em breve, que os astronautas da Estação Espacial Internacional se lancem no ramo da panificação.

A novidade pode até parecer trivial, mas o empreendimento é, na verdade, uma grande conquista nos campos da engenharia e da gastronomia: "além de um forno especial para que os pães sejam assados em órbita, o 'Bake in Space' (sic) irá desenvolver um tipo de massa que não crie migalhas, porque, ao flutuarem, elas podem danificar equipamentos," relata a notícia. 

A própria NASA já havia sofrido com a avaria de equipamentos espaciais em consequência de migalhas de pão lá pelos idos de 1965. Além isso, existe ainda o risco de que as migalhas suspensas pela ausência da gravidade sejam aspiradas indevidamente pelos astronautas, uma razão a mais pela qual a nova atividade culinária seja executada com prudência e preparo técnico.

No final da contas, ganha-se lá e cá. Lá na Estação Espacial Europeia, quando o invento passará a integrar a missão Horizons no ano que vem, o pãozinho sideral proporcionará prazer gastronômico e convivialidade. Cá na Terra, ele poderá servir de inspiração motivacional para esses tempos difíceis e atribulados pelos quais o planeta está passando. Quando sua vida estiver virada de pernas para o ar, adote a estratégia de vida do pãozinho sideral: ignore a gravidade e não se contente com migalhas. 

Fico por aqui, desejando bom proveito para os astronautas e torcendo para que, em breve, a manteiga seja também produzida no espaço.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

As luas de Júpiter

Quem não está acompanhando o bafafá em torno da chegada da sonda Juno ao planeta Júpiter, pode até não estar perdendo noites de sono, mas certamente está um espetáculo bonito de se ver.

Notícia publicada hoje no jornal O Globo online reproduz vídeo da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), com imagens "caputaradas entre os dias 12 de junho, a uma distância de 16 milhões de quilômetros do planeta, até 29 de junho, a cerca de 5 milhões de quilômetros."

O vídeo está disponível logo abaixo. 

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É interessante frisar a importância das luas de Jupiter não só para o entendimento que temos hoje deste planeta,  Na descrição que a NASA faz do vídeo, foram elas que permitiram a Galileu Galilei rever, no ano de 1610, o status de "estrela errante" que até então vinha sendo injustamente atribuído ao maior planeta do nosso sistema solar. “Dessa observação ele percebeu que as luas estavam orbitando Júpiter (visto até então como uma estrela), uma verdade que mudou para sempre o entendimento da Humanidade sobre nosso lugar no cosmos. A Terra não era o centro do Universo".

Para quem não sabe, Júpiter tem 67 satélites (luas), mas Galileu só conseguiu visualizar as quatro maiores, às quais ele presenteou os nomes de Io, Europa, Ganymede e Callisto.

Com tantas luas ao redor de Júpiter, fico imaginando como seriam coisas que nos parecem bem triviais aqui na Terra: as marés naquele planeta (claro, caso houvesse água por lá); o ciclo menstrual das jovianas (naturais de Júpiter); e como se define a melhor época para cortar o cabelo por lá. 

Expostos à influência de tantas luas, os loucos (ou lunáticos) certamente viveriam em permanente estado de êxtase, sem saber para qual lua cheia uivar mais alto. Pois Juno, após trazer evidências contundentes da beleza da dança das luas de Júpiter, nos recomenda muito cuidado: pode haver muito mais poesia nas nuvens de gases de Júpiter do que julga a nossa vã filosofia.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ultravioleta extremo

Se você já presenciou a comemoração de aniversário de muita coisa - gente, cachorro, cidade, organização - mas nunca tinha cantado parabéns no aniversário de uma nave espacial, eis aqui a sua chance.

Agência Espacial Americana (NASA) resolveu celebrar a longevidade do seu “Solar Dynamics Observatory” (Observatório de Dinâmica Solar ou SDO, na sigla em inglês) em grande estilo. Projetado para "monitorar o sol, a fim de compreender melhor seu sistema eletromagnético e fenômenos solares como explosões e ejeções de massa coronal" pelo período de cinco anos, o SDO acaba de completar seis anos de atividade "24 horas por dia, sete dias por semana", conforme ressalta notícia publicada hoje no jornal O Globo.

Para sublinhar a façanha, a NASA divulgou um vídeo com os melhores momentos registrados ao longo do sexto ano de vida da espaçonave. O vídeo foi feito em timelapse no famoso 4K UltraHD, formato de altíssima resolução que contém o equivalente a 3840 x 2160 pixels ou 29,97 frames por segundo. Para compor o timelapse, "as fotos foram tiradas na faixa do ultravioleta extremo, permitindo visualizar claramente a dança e ondulações da coroa solar ao longo do vídeo."

Ultravioleta extremo, para quem não sabe (e eu não sabia), é uma faixa espectral usada na captura de imagens solares. Aliás, nada mais sugestivo do que o resultado contido no vídeo. Nele se vê cenas de rara beleza em que o plasma do sol parece "dançar" em ondas oscilantes.

Quem ficou curioso e quiser conferir a dança do plasma na faixa do ultravioleta extremo, pode clicar abaixo:


Aos demais aniversariantes do mês, dentre os quais se incluem o SDO e eu, vida longa e sucesso em todas as áreas da vida, inclusive na faixa do ultravioleta extremo.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ciclo 24

Calma, calma, o ano já está acabando.

Esta notícia é justamente para você, que achou o ano de 2013 dos mais turbulentos e está fechando o ciclo com um raminho de arruda atrás da orelha e gritando "saravá" da janela. É que os jornais online do dia trouxeram uma boa noticia: você não está só no universo.  

Para a alegria geral do nosso sistema solar - e mais além - o Sol também está concluindo, neste mês de dezembro, o ciclo solar 24 -  período de atividades que dura aproximadamente onze anos e durante o qual ocorre a inversão total do campo magnético do astro rei (http://oglobo.globo.com/ciencia/sol-vira-de-cabeca-para-baixo-intensifica-atividade-eletrica-11180098).

Em termos bestamente simples, significa que o sol ficou de cabeça para baixo - ou de pernas para o ar, como queira - exatamente como a sua vida ao longo deste ano. Não sou eu quem diz, é a NASA: "No período em que ocorrem as inversões magnéticas, as atividades solares se intensificam, o que favorece a ocorrência de erupções e manchas na estrela, além de ejeções de massa coronal - grandes erupções de gás ionizado a alta temperatura". Com isso, "os raios cósmicos também são afetados, o que favorece a ocorrência de explosões e eventos violentos na nossa galáxia". Ou seja, estamos todos no mesmo barco.

Agora que você percebeu que não foi o único a vivenciar revezes existenciais e achaques explosivos , alegre-se: 2014 está batendo à porta. Ciclo novo, com as bênçãos do Sol. Saravá!



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Fogos

Fogos brilham no céu e a NASA diz que foi um meteorito se partindo. Foi o que noticiou o jornalista Salvador Nogueira, no blog intitulado Mensageiro Sideral: "na madrugada de quarta-feira, às 4h27 (de Brasília), um pedaço de asteroide com cerca de 60 cm de diâmetro e coisa de 50 quilos adentrou a atmosfera sobre os Estados Unidos" (http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2013/09/05/pedregulho-despenca-do-ceu-nos-eua/).

Ainda de acordo com o jornalista, a NASA teria registrado tudo a partir de câmeras instaladas no solo: "O meteoro entrou na atmosfera a estonteantes 90 mil km/h e começou a se fragmentar a uma altitude de 53 km. Uma segunda fragmentação ocorreu menos de um segundo depois, a 46 km do chão."

Mas o que me choca mesmo é perceber o quanto a NASA é capaz de apostar nas verdades científicas que mais lhe convêm. Não, amigos, não tinha nada de meteoro ali. Nem de OVNI ou qualquer outro corpo celeste que valha um único clique fotográfico da agência espacial. A verdade é que as luzes e explosões que as lentes presenciaram na madrugada de ontem eram tão somente os fogos de artifício que nós, habitantes da Roça Grande, soltamos em saudação à chuva que caiu precocemente na cidade durante todo o dia de ontem.

O show pirotécnico tem lá sua razão de ser: é muito pouco usual que chova nessa época do ano, ou seja, é raro que a chuva chegue bem antes que o tempo de seca chegue a níveis insuportáveis de secura e poluição. E a chuva chegou lavando tudo, sem exceção. Nem a lua nova, que tomou hoje posse do seu trono no céu, foi poupada. Mas felizes mesmo ficamos nós, que pudemos dormir ouvindo o barulho da chuva: sem dúvida, a mais doce e antiga canção de ninar de que se tem notícia.

E deixamos a NASA para lá com suas câmeras e suas manias de registro daquilo que os olhos até veem, mas o coração não sente.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Obelix fujão

Cá estou eu de volta após alguns percalços de ordem tecnológica: se meu computador antigo tinha apagãos repentinos, o novo resolveu ter uma parada cardíaca e ficar mais lento do que uma lesma. Minto: as lesmas são beeeeem mais rápidas!

Enfim... cá estou de volta e com tempo bastante para me inteirar apenas de duas ou três notícias do dia, porque o ano está acabando e minha bateria está indo junto com ele - não a do computador cardíaco, mas a minha mesmo. Mas a leitura de duas notícias foi o suficiente para perceber o quão equivocados podemos estar quanto ao fim do mundo.

Pois saibam que a NASA soltou nota para alertar os desavisados sobre a improbabilidade do fim do mundo. Nos dizeres de David Morrison, "cientista da Nasa e especialista da vida no espaço", "a ideia de que o mundo acabará subitamente, por uma causa qualquer, é absurda" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/profecia-maia-sobre-fim-do-mundo-n-o-sera-cumprida-garante-nasa-1.69197).

A matéria até que ficou didática: para cada risco, uma explicação cientificamente comprovada de que a profecia maia não está com nada no balaio. Por exemplo, contra a suposição de que o mundo acabará repentinamente, graças ao superaquecimento do sol, a agência explica que "a Terra existe há mais de 4 bilhões de anos e passarão muitos anos antes do Sol tornar nosso planeta inabitável”. Contra a probabilidade de que um asteróide ou algo parecido se chocar com a Terra, o centista explica que "não há asteroides tão grandes perto de nosso planeta como o que exterminou os dinossauros". E assim prossegue matéria, apresentando temores comuns e revelando sua escassa fundamentação cientifica.

Bem, tudo estaria redondinho se a argumentação da NASA não pecasse em dois aspectos: o mundo pode acabar não somente por razões de caráter cientificamente comprovável, mas também por hecatombes outras que nada têm a ver com as forças da natureza.

Podem ter certeza, por exemplo, de que a decisão do ator francês Gérard Depardieu de renegar a cidadania francesa e picar sua mula para a Bélgica foi a maior catástrofe política do governo Hollande. "O motivo da partida, que provocou polêmica na França, é o aumento de impostos sobre as grandes fortunas, medida adotada pelo governo socialista do presidente François Hollande - uma taxa de 75% sobre rendimentos superiores a € 1 milhão vigorará por dois anos", explica a notícia (http://oglobo.globo.com/mundo/exilio-de-depardieu-novo-reves-de-hollande-7080902). 

Como vocês podem ver, a razão para o fim do mundo na França não tem nada a ver nem com asteróides nem com pandemias virais. O máximo que se pode dizer é que a evasão de Depardieu lembra vagamente, pelo seu caráter conservador, o movimento da Contra Reforma, mas mesmo assim devo admitir que as razões históricas de um e outro evento são bem distintas.

O outro equívoco da NASA também não tem nada a ver com a fundamentação científica dos seus argumentos, mas com o público ao qual eles se destinam. Sou capaz de apostar meus óculos de grau que os arautos do Apocalipse maia estão pouco se lixando para as explicações científicas, sejam elas da NASA ou de qualquer outra autoridade governamental. Vir a público para tranquilizá-los é como  chover no molhado: tanto faz como tato fez, tanto antes pelo contrário.

E para os franceses, se isto não for o fim do mundo, então ele é o fim da França, pelo menos da forma como eles a conheceram. Certamente, terão de procurar outro ator para viver Obleix no cinema, já que o ator símbolo da nação francesa acaba de rasgar o passaporte para ir viver sua ficção de "nação" em outra freguesia. Pelo menos isso eles têm comum: assim como Depardieu, os gauleses eram bem avessos à tributação romana.

P.S.= Se o mundo vai acabar, eu não sei. Mas se acabar, este certamente será o primeiro fim do mundo blogado do começo ao fim!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Cabeça

A Terra vista sob novo ângulo - eis o que o Nasa nos presenteou no início desta semana.

Para curiosos como eu, "a Nasa divulgou nesta segunda-feira uma nova imagem de alta resolução da Terra capturada pelo satélite Suomi NPP, precursor de sua nova geração de equipamentos de observação do planeta" (http://oglobo.globo.com/ciencia/novo-angulo-para-imagem-de-alta-resolucao-da-terra-5243664#ixzz1yUEOiMkw).

A novidade é que a foto foi tirada de um ponto de vista pouco usual: "a nave capturou um ângulo que evidencia uma das regiões que segundo os cientistas mais estão sofrendo os efeitos do aquecimento global, o Ártico", relata a notícia publicada hoje no jornal O Globo online.

Fazendo um paralelo besta, é como se a foto fosse tirada de cima, revelando a calvície em pessoa de tenra idade. Ou seja, ela faz parte daquele rol de fotos infelizes que toda pessoa tenta esconder, pois revela nossas mazelas menos desejadas ao olhar inquisidor.

Mas, vendo a questão de outro ponto de vista, a foto da cabeça da terra pode ser uma arma valiosa para quem tenta salvar o planeta. Mesmo indesejadas, essas fotos são justamente as que permitem o diagnóstico e, consequentemente, as que aumentam as chances de uma intervenção eficiente.

Guardadas as devidas proporções, o dilema da Terra e do careca é o mesmo que todos nós vivemos um pouco: somos também o resultado de fotos que revelam partes de nós mesmos que nossos olhos nem sequer alcançam. Agora, o que vamos fazer com essas informações... isso são outros quinhentos!

Enfim, para quem quiser desbravar a calvície da Terra, as imagens estão aqui: http://www.flickr.com/photos/gsfc/7394700302/sizes/o/in/photostream/.

E para quem não quer esquentar a cabeça com essas coisas a essa hora da noite: um simples "boa noite"!

  



 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Engarrafamento de Vênus

O tão falado trânsito do planeta Vênus acontece de hoje (5 de junho) para amanhã, mas já está causando engarrafamento desde a semana passada nas redes sociais e nos jornais online. Alerta geral: o segundo maior planeta do nosso sistema solar estará atravessando os céus e se posicionando entre o sol e a Terra (http://oglobo.globo.com/ciencia/transito-de-venus-visto-em-varias-partes-do-mundo-5129787).

O evento é o mesmo hoje e sempre, mas já provou ter usos e proveitos diversos ao longa da história. Já houve um tempo que a passagem de Vênus serviu para construir o primeiro referencial de distância no espaço: "Foi através dos estudos da passagem de Vênus que se chegou ao que é considerado o embrião de uma medida mais precisa da distância da Terra ao Sol, a chamada Unidade Astronômica, hoje fixada em aproximadamente 150 milhões de quilômetros" (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1100795-comeca-o-ultimo-transito-de-venus.shtml). Hoje, de acordo com a matéria do jornal O Globo, os "astrônomos medem a densa atmosfera de Vênus e usarão os dados para desenvolver novas técnicas de medição das atmosferas de outros planetas fora do Sistema Solar".

Ao contrário do trânsito aqui na Roça Grande, que já se tornou habitual, o de Vênus é raro e só poderá ser visto daqui a 105 anos - ou seja, quando nós já tivermos partido desta para melhor. Mas quem estiver na capital mineira e quiser assistir o evento, ele será transmitido ao vivo na fachada do Espaço TIM UFMG do Conhecimento, das 19h30 às 00h, na Praça da Liberdade (http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2012/06/04/interna_tecnologia,298220/transito-de-venus-sera-transmitido-ao-vivo-na-praca-da-liberdade-em-bh.shtml).

E para quem não quiser arredar o pé de casa, vai pela Internet mesmo, via site da Nasa (http://venustransit.nasa.gov/transitofvenus/).

Sinceramente? Não sei se a passagem do planeta Vênus seria capaz de mudar a atmosfera de caos que impera neste ano do Dragão, mas uma coisa eu dou como certa: de tanto ser alvo da cobertura noticiosa pelo mundo afora, ele hoje deixou de ser planeta para se tornar a estrela do dia!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pronta-entrega

Se tudo aqui na Terra passou, está passando ou passará pelo processo de privatização e/ou terceirização, por que isto não aconteceria também nos céus?

E assim é: "A cápsula Dragon, primeira nave desenvolvida pela iniciativa privada a se acoplar à Estação Espacial Internacional (ISS), voltou à Terra nesta quinta-feira" e acabou caindo em pleno Oceano Pacífico, perto da Califórnia, às 12h45 (http://oglobo.globo.com/ciencia/dragon-volta-terra-apos-missao-de-cinco-dias-5080158#ixzz1wVS8j5LK).

Lançada em 22 de maio deste ano, a Dragon permaneceu pouco mais de cinco dias no espaço para testar uma nova modalidade de serviço: "Neste voo de teste, a nave levou cerca de 600 quilos de suprimentos e experimentos não essenciais para a órbita, trazendo de volta aproximadamente o mesmo peso em experiências já executadas e lixo".

Com isso, espera-se que a Dragon - espécie de office-boy robotizado construído pela empresa Space Exploration Technologies (SpaceX) - seja o "profissional" mais bem pago pelos serviços prestados pela categoria em toda a Galáxia: "Com o sucesso da missão, a SpaceX espera receber sinal verde da Nasa poderá começar a cumprir o contrato de US$ 1,6 bilhão com a agência espacial americana para a realização de 12 voos de carga para a estação até 2015".

E por falar em voltar a Terra, hoje está fazendo três anos que eu voltei a esta nossa terra, a Terra brasilis. De vez em quando, tenho a impressão de levar a vida como a Dragon: um bólido despencado do céu, à deriva, esperando que a sorte ou o destino venham me salvar. Fato é que nunca imaginei que passaria pelas coisas que passei nesses últimos três anos. Mas nunca me arrependi de ter voltado, nem sequer quis reaver o que deixei para trás. Para mim, o passado acabou, o presente é incerto e o futuro a Deus pertence. De todas as lições, esta foi a mais bem aprendida.

Agora, se o plano em que vivo é o das incertezas ou se é o das possibilidades múltiplas, isto pouco importa: os tempos de "estabilidade" acabaram sendo fortuitos demais para que eu fincasse o pé em alguma coisa que não fosse uma boa trilha nas montanhas.

Mas, voltando à metáfora do bólido, é necessário reconhecer que o pior já passou: escapei do risco de desintegração ao entrar na atmosfera terrestre. Agora só falta a NASA me descobrir e oferecer um contrato bilionário pelos próximos três anos.

Ótima ideia, não?










quinta-feira, 28 de abril de 2011

Enfim, uma visão dissonante...

Já vai longe o tempo em que "fato científico" era sinônimo absoluto de "consenso". Aliás, se essa ideia se manteve em alta durante desde o Séc. XIX até bem recentemeente, dentro de uma visão positista de ciencia, isso se deu muito mais em função de anseio profundo de que esses consensos fossem realmente absolutos, do que pela verificação empírica da existência de consenso.

Na melhor das hipóteses, como nos lembra Foucault, os consensos (quando existem) são fabricados às custas da exclusão de várias outras possibilidades. Não que a ideia de consenso como fundamento científico tenha caído totalmente por terra. Mas o próprio processo de construção desses consensos (fabricados) passaram a ser objeto de reflexão crítica.

Enfim, conquanto essa visão venha se alterando com o passar dos anos, não são muito frequentes as matérias que fazem jus à ideia de ciência enquanto um debate aberto em constante evolução. E para falar que nem só de críticas irônicas e cínicas vive esse blog, cá tenho nas mãos (ou melhor, diante dos olhos, em outra janela do computador) um raro exemplar dessa visão menos consensual de ciência.

Mas a matéria faz muito mais do que isso. Ela ecoa uma interpretação dissonante sobre os recentes deslocamentos de eixo da Terra que aconteceram em consequência de terremotos de grande proporção como os do Japão. Tal interpretação vai justamente na contramão da "indústria-midiática-do-fim-do-mundo" que vem tomando vulto nos últimos tempos.

A matéria em questão foi veículada no New York Times e reproduzida na Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/908469-terremotos-alteram-eixo-da-terra-mas-nao-mudam-clima.shtml). A controvérsia surge entre os pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa, e os do Centro de Pesquisa de Sistemas Climáticas, da Universidade Columbia. Enquanto os primeiros alegam que o deslocamento de cerca de 16,5 cm do eixo da Terra ocorrido com o último terremoto do Japão, "alterando levemente a distribuição de massa no planeta", os pesquisadores da Columbia oferecem uma interpretação divergente quanto à intensidade dessas mudanças.

De acordo o pesquisador Allegra N. LeGrande, as "alterações naturais na massa da Terra na atmosfera e oceanos também causam mudanças de aproximadamente 99 centímetros no eixo rotacional todo ano". Ou seja, "as mudanças ligadas a terremotos são muito menores do que as alterações imperceptíveis que acabam ocorrendo todos os anos". A questão, portanto - como eu já venho defendendo com alguma insistência, especialmente em comentários como os do dia 17 de março deste ano - passa a ser de perspectiva: "as alterações que acontecem todo ano com a obliquidade são tão minúsculas que não percebemos", ressalta o pesquisador.

No final das contas, vale a máxima do Lulu Santos: "tudo muda o tempo todo no mundo". Vê caos e destruição quem por isso espera, ou melhor: quem acha que sai ganhando uma certa forma de precaução emocional com isso. Ou por pura catarse, vai saber. Por mim, já tá decidido: "fim do mundo, pode vir quente que eu já tô fervendo!"

P.S. 1= Putz, acabei de citar o Roberto Carlos! Deve ser mesmo o fim do mundo!!!