UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: chuva
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tempestades

Choveu forte hoje na Roça Grande!  (http://www.hojeemdia.com.br/minas/defesa-civil-alerta-que-deve-chover-forte-ate-o-final-do-dia-em-bh-1.236685)

O grande volume de água vertido - estimava-se 10 a 20 mm - vem caudolosamente anunciar mudanças na vida de todos: águas que tudo lavam e que tudo levam.

Tanto melhor! E por mais esperadas que elas sejam, as mudanças autênticas trazem sempre consigo seu quinhão de surpresa. Se assim não o fizessem, não seriam mudanças de fato, pronto, acabou!

Para ir dormir sem ranhuras na alma, uma canção que pede rendição ao destino e novos rumos na vida. Como diz a canção: eu sei e não dá para parar.




Fonte: http://youtu.be/Ou7P0QX25IY

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Superlativos

Em tempos de mudança climática, a natureza anda cheia de superlativos. De um lado, cientistas conseguem recuperar a marca da menor temperatura registrada por satélite no nosso planeta: "O lugar mais frio da Terra atingiu a amarga marca de - 93.2 graus Celsius", relata notícia publicada no jornal Hoje em Dia online (http://oglobo.globo.com/ciencia/o-lugar-mais-frio-da-terra-11023131).

O interessante é que a descoberta foi retroativa, já que a "temperatura foi medida por satélite na Antártica, em agosto de 2010, de acordo com uma pesquisa apresentada durante o encontro da União Geofísica Americana, em São Francisco".

De outro lado, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil alerta que, "nos próximos quatro dias, pode chover a metade do esperado para todo o mês de dezembro em Belo Horizonte". Isto equivale a dizer que corremos o risco de ter cerca de 150mm de precipitação em quatro dias, ao passo que a média histórica mensal é de 319mm (http://www.hojeemdia.com.br/minas/nos-proximos-4-dias-pode-chover-metade-do-esperado-para-todo-o-mes-em-bh-1.200346).

Em meio a tantos extremos e recordes batidos, algumas explicações surgem cá e acolá. Se aqui, na Roça Grande, "a brusca mudança climática é decorrente da chegada de uma uma frente fria em Minas Gerais", lá embaixo, na Antártica, "geralmente, estas temperaturas superfrias ocorrem quando bolsões de ar ficam aprisionados na superfície da terra. Se o céu fica claro por alguns dias, o solo irradia o calor restante para o espaço, criando uma camada de ar super refrigerado acima da neve."


Não se sabe ao certo, mas se for mesmo verdade que aqueles dias de céu claro na Antártida eventualmente ocasionam chuva forte ao cerrado, então a solução para quem quer ver sol durante nossos dias quentes e chuvosos está fácil: basta pegar o primeiro voo para o polo sul.

Simples assim!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Fogos

Fogos brilham no céu e a NASA diz que foi um meteorito se partindo. Foi o que noticiou o jornalista Salvador Nogueira, no blog intitulado Mensageiro Sideral: "na madrugada de quarta-feira, às 4h27 (de Brasília), um pedaço de asteroide com cerca de 60 cm de diâmetro e coisa de 50 quilos adentrou a atmosfera sobre os Estados Unidos" (http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2013/09/05/pedregulho-despenca-do-ceu-nos-eua/).

Ainda de acordo com o jornalista, a NASA teria registrado tudo a partir de câmeras instaladas no solo: "O meteoro entrou na atmosfera a estonteantes 90 mil km/h e começou a se fragmentar a uma altitude de 53 km. Uma segunda fragmentação ocorreu menos de um segundo depois, a 46 km do chão."

Mas o que me choca mesmo é perceber o quanto a NASA é capaz de apostar nas verdades científicas que mais lhe convêm. Não, amigos, não tinha nada de meteoro ali. Nem de OVNI ou qualquer outro corpo celeste que valha um único clique fotográfico da agência espacial. A verdade é que as luzes e explosões que as lentes presenciaram na madrugada de ontem eram tão somente os fogos de artifício que nós, habitantes da Roça Grande, soltamos em saudação à chuva que caiu precocemente na cidade durante todo o dia de ontem.

O show pirotécnico tem lá sua razão de ser: é muito pouco usual que chova nessa época do ano, ou seja, é raro que a chuva chegue bem antes que o tempo de seca chegue a níveis insuportáveis de secura e poluição. E a chuva chegou lavando tudo, sem exceção. Nem a lua nova, que tomou hoje posse do seu trono no céu, foi poupada. Mas felizes mesmo ficamos nós, que pudemos dormir ouvindo o barulho da chuva: sem dúvida, a mais doce e antiga canção de ninar de que se tem notícia.

E deixamos a NASA para lá com suas câmeras e suas manias de registro daquilo que os olhos até veem, mas o coração não sente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Matisse roubado

Enfim, a chuva!

Sim, ela mesma: a tão aguardada chuva. Aquela com a qual sonhamos tanto ao longo destes últimos dias de calor insano. Aquela que deu o ar da graça pela primeira vez este ano: a chuva, linda e abençoada chuva!

Pois lá ia eu com a alma agradecida fazer a leitura dos jornais do dia - já antecipando o deleite de uma boa noite serena e fresca de sono - quando metaforicamente caio das nuvens: senhora e senhores, nenhuma louvação foi feita à chuva que caiu abundantemente esta tarde.

Em contrapartida, sobraram matérias fartamente ilustradas com fotos que falavam dos diversos pontos de alagamento na Roça Grande (http://www.hojeemdia.com.br/minas/chuva-em-belo-horizonte-arrasta-carros-e-deixa-pessoas-ilhadas-1.75812), do aumento do número de afogamenttos em Minas Gerais(http://www.hojeemdia.com.br/minas/dezoito-morreram-afogados-na-primeira-semana-de-janeiro-1.75823) ou, ainda, da correlação entre o aumento do número de casos de dengre e o aumento da temperatura (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/estudo-liga-aumento-da-temperatura-a-casos-de-dengue-1.75886).

Pois então, de pirraça, não vou comentar nenhuma dessas notícias. Vou preferir falar dessa pintura de Matisse - intitulada "Le Jardin" - que acaba de ser recuperada depois de alguns anos de sumiço total e irrestrito: "O quadro 'Le jardin', de Henri Matisse, roubado do Museu de Arte Moderna de Estocolmo, há 25 anos foi encontrado nesta segunda, em Essex, ao norte de Londres, na Inglaterra" (http://oglobo.globo.com/cultura/quadro-de-matisse-roubado-ha-25-anos-encontrado-em-londres-7213909).

Segundo o jornal inglês The Independent, a pintura em questão, que foi "feita em 1920, [e] avaliada em US$ 1 milhão, foi levada no dia 11 de maio de 1987 por um ladrão que escapou pouco antes de a segurança chegar ao local". Isso aí: US$ 1 milhão pelo quadro de Matisse. Valor elevado, diriam alguns. Mas eu tendo a achar que este é um valor tímido se comparado ao valor da chuva que caiu esta tarde. Pois ao invés de toda a tragédia associada à chuva pelos jornais de hoje, prefirirei ficar com minha gotículas de chuva e minha cama me chamando para dormir o  sono dos justos.

Mas antes de partir: uma canção. Para pensar na chuva e embalar nossa gratidão.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chuva! E ambiguidades...

Tem certas ambiguidades nos títulos das matérias que, tal qual bebida alcoólica e volante de carro, devem ser evitadas a todo custo! Manchete da Folha Online estampava hoje: "Um mês após dar à luz, Penélope Cruz aparece sem barriga" (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/880585-um-mes-apos-dar-a-luz-penelope-cruz-reaparece-sem-barriga.shtml). Mas ela já não deu à luz? Então, para que a barriga? Ai, minha santa paciência! Tivesse o jornalista pensado duas vezes, não escrevia essa barbaridade.

Mas chega de falação! Com a entrada da lua minguante, sinto uma vontade imensa de me recolher aos aposentos mais confortáveis do fundo da minha alma e ficar lá, enroscada que nem um caracol, esperando dias mais favoráveis. "Good times for a change..." Até!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Guia prático 2

O Serviço de Meteorologia – aquele mesmo que você tem que fingir que não acredita para dar certo – anunciou outro fim de semana chuvoso. Nessa altura do campeonato, você já abdicou da cachoeira, do acampamento, do boteco ao ar livre e já viu todos os filmes que considera aceitáveis e que estão em cartaz no circuito de cinema. O tédio arromba as portas dos fundos da sua alma para se instalar na sua sala de estar, com os pés em cima do sofá. O que fazer?

Como as opções de lazer andam restritas, você decide dormir até mais tarde no domingo. No entanto, um temporal de dimensões apocalípticas te acorda mais cedo, fazendo tanto barulho que você desiste de dormir. O jeito então é levantar para tomar um café... Mas é aí que entra a sabedoria da Lição 2 do nosso "Guia prático de coisas estúpidas para não se fazer em dia de chuva".

Lição 2: nunca conte com as redes em dia de chuva

Refiro-me aqui a qualquer tipo de rede, desde a rede elétrica, até a rede de amigos, passando pelas redes sociais. É que o temporal que te acordou deixou seqüelas nas redes: nada funciona. Sabe seu fogão? Pois é, para acendê-lo você pressionava apenas um botão e eis que a chama aparecia. Só que sem energia elétrica ele não funciona; e só então é que você percebe que nem tem fósforo, nem isqueiro em casa.

Numa tentativa desesperada de salvar seu humor com um café bem quente, você ganha a rua em busca do supermercado mais próximo. Mas também não dá certo, porque você não tem dinheiro trocado e a rede de cartões de crédito está fora do ar, outra seqüela do temporal que caiu nessa manhã.

Você volta para casa derrotado, lembrando que ainda tem amigos e que, com alguma sorte, poderia filar o café na casa de um deles. Mas a sorte não colabora: a bateria do seu celular acaba de pifar.

Também nem dá para recorrer ao Facebook e congêneres para reclamar seu merecido café: sem energia elétrica, nada de Internet, nem redes sociais!

Bem, já viu que não dá para contar com as redes em dia de chuva. As soluções para casos assim são um tanto simples, ainda que conservadoras: 1) providencie um fogão à lenha para a sua cozinha; 2) guarde dinheiro debaixo do colchão; 3) entre em contato com os amigos tocando tambor ou fazendo sinais de fumaça; 4) arrume um celular e um computador movidos a corda.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Guia prático

Com tanta água descendo do céu e com tanta lama escorrendo morro abaixo, resolvi escrever um compêndio de grande utilidade pública: “Guia prático de coisas estúpidas para não se fazer em dia de chuva”.

Você está em casa, entediado, sem saber o que fazer? Que tal então começar por saber o que não fazer? Aqui vai a primeira lição prática do que jamais fazer em dias de chuva, alagamento, deslizamento de terra, quedas de barreira e trombas d’água.


Lição No. 1: Não acampe em dia de chuva!


Vejamos: você reservou aquele espacinho legal no camping, foi lá conferir o serviço de meteorologia e deu que o fim de semana iria ser de chuva. Mas eis que sua alma aventureira lhe sussurrou no ouvido que você só teria a ganhar se contasse com a sorte e com as rezas para Santa Bárbara. E você resolve seguir viagem mesmo assim.

Que trouxa que você é! Pois bem, este é o primeiro erro estúpido de quem quer acampar a todo custo. Em primeiro lugar, Santa Bárbara é uma santa muito atarefada e pode não ter te escutado. Em segundo lugar, serviço de meteorologia serve para enganar trouxa. Isso mesmo! Quando ele diz que vai chover, um trouxa vai lá e duvida, e é justamente aí que ele acerta. Mas se nenhum trouxa duvidar, ele erra. É sempre assim. A solução é aprender a desconfiar no serviço de meteorologia, acreditando nele quando ele diz que vai chover. Pelo menos assim, um esperto sai ganhando com um fim de semana de sol, enquanto o trouxa que acreditou que ia chover presta serviço à Humanidade. Isso se chama solidariedade, meu(minha) caro(a) leitor(a).

Segue abaixo, um exemplo iconográfico de uma barraca de um trouxa acampando em dia de chuva.


Bem, só pode existir um erro mais grave que confiar na sua reza e desconfiar das previsões de chuva: sair para fazer uma trilha de 14km, acreditando que a chuva vai parar no meio do percurso. Para este tipo de engano, prezado(a) leitor(a), só há uma cura: lobotomia!


Segue abaixo um exemplo de uma candidata a lobotomia: