Beleza! Solzão brilhando nesse janeiro de 2013 e todo mundo achando que, findo o ano de 2012 e fracassadas todas as profecias de fim de mundo, tudo voltaria ao normal... Será mesmo?
Para ser sincera, acho difícil - muito difícil mesmo! - voltarmos ao que éramos antes de 2012. E o motivo disso é muito simples: a histeria milenarista apocalíptica que vinha sendo cultivada desde a década de 1990 chegou ao seu ápice no ano passado, quando se quis imputar aos Maias a responsabilidade de terem previsto o fim do mundo. E como o cultivo de tamanha histeria foi longo e cuidadoso, é provável que algumas sementes vãs tenham sobrevivido - perdoem-me pelo trocadilho - à ausência do fim de mundo.
Na verdade, todos santo dia, foram pilhas e mais pilhas de matérias na imprensa online dedicadas a temas apocalípticos, todas elas devidamente comentadas em blogs geridos por gente desocupada e sem assunto (como eu, por exemplo). Aliás, essa foi uma tendência que o próprio filme "2012" soube antecipar magistralmente: criou-se o mercado da catástrofe anunciada, muitas vezes para justificar a inércia à mudança da parte de algumas pessoas (atitude fundada na crença de que "ah, se vamos todos morrer mesmo, para quê que eu vou mudar?"), outras tantas para canalizar uma certa angústia existencial para fins de consumo (no estilo "compremos nossa felicidade porque o mundo tá acabando e ela tá em promoção"). Afinal, foram filmes, livros e eventos escritos, promovidos ou publicados em nome de um evento cuja consequência maior é o aniquilamento da própria existência. Ai, quanto frenezi!
Nem precisa dizer que essa turminha toda foi dormir arrasada ao final do dia 21 de dezembro. Por esses lados aqui da Roça Grande, tivemos, inclusive, um dia auspiciosamente belo para compensar todas as expectativas frustradas. Pois bem, é para esses aí, que andam sem ocupação desde que o fim do mundo não vingou, que comento a seguinte notícia, publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo online: "Astrônomos estão se preparando para observar o asteroide Apophis, que
passará esta quarta-feira a cerca de 14,45 milhões de quilômetros da
Terra, e voltará a aparecer por perto daqui nos próximos anos, com uma
possibilidade — considerada extremamente remota — de atingir nosso
planeta em 2036" (http://oglobo.globo.com/ciencia/asteroide-apophis-passara-proximo-terra-esta-quarta-feira-7231484).
Ora, sabemos que a simples menção do termo "possibilidade considerada extramamente remota" já é mais do que suficiente para atiçar a imaginação dos apocalípticos frustrados. Basta lembrar que "se isso realmente acontecer, o Apophis, que tem um diâmetro de 300
metros, causaria uma explosão 100 mil vezes mais poderosa do que a
provocada pela bomba atômica de Hiroshima".
Pronto, o estrago está feito! Nem adianta falar que as estimativas iniciais, realizadas na ocasião da descoberta do asteróide, em 2004, eram de uma em 45 mil e que, mais tarde, ela foi revista e passou de uma para uma em 250 mil. De nada adianta esse blablablá! O bom apocalíptico é aquele que não se importa em adiar a felicidade em prol de algum sacrifício imediato. Até 2036, eles terão nada mais, nada menos do que 23 anos para ensaiar tudo aquilo que aprenderam sobre histeria coletiva ao longo do ano de 2012.
Por fim, se a ideia de uma hecatombe de grande proporções parece atraente para alguém que está me lendo nesse momento aí do outro lado da tela, aqui vai uma notícia para ajudá-lo a esquentar os tamborins para 2036: "A temperatura máxima atingiu 40,7 graus Celsius (°C) nesta terça-feira
(8), no bairro da Saúde, zona portuária da capital fluminense, de acordo
com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A sensação térmica
chegou aos 50°C devido à baixa umidade relativa do ar, em torno de 40%" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/sensac-o-termica-chegou-a-50-graus-nesta-terca-feira-no-rio-de-janeiro-1.76329).
Sensação térmica de 50ºC? Um sinal dos tempos, não resta a menor dúvida....
A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
domingo, 23 de dezembro de 2012
E o fim do mundo?
Uai, não acabou, não?
Então, levanta, serve um café que o mundo NÃO acabou!
Dou notícias quando o café tiver terminado!
Então, levanta, serve um café que o mundo NÃO acabou!
Dou notícias quando o café tiver terminado!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Trufas negras
Dizem que o segredo é a alma do negócio. Mas pode ser também sua derrocada, como mostra com propriedade essa notícia sobre o desaparecimento das trufas negras, publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo online (http://www1.folha.uol.com.br/comida/1204588-cientistas-afirmam-que-a-mudanca-climatica-esta-afetando-a-producao-de-trufas-negras.shtml).
Não, não estou falando daquele bombom de chocolate macio, mas, sim, do fungo do gênero Tuber, que cresce geralmente na raiz de certas árvores da região mediterrêna da Europa. "Apesar do avanço nas técnicas de cultivo, a trufa ainda é farejada por cães treinados e retirada à mão das raízes em que cresce. O custo dela, claro, é naturalmente alto", relata a notícia.
Com o aquecimento global, prossegue a notícia, tem chovido cada vez menos na Espanha e na França. Cientistas da revista Nature "acreditam que, com isso, as árvores hospedeiras e os fungos acabam competindo pela água e isso reduziria a produção". Por isso, o fungo está ficando cada vez mais raro nas regiões mediterrâneas, fazendo com que o preço fique ainda mais elevado a cada ano: "Em Paris, o pound da trufa negra (cerca de 0,45kg) está custando €2 mil (por volta de R$5.450)".
O problema é que, até bem recentemente, o segredo na produção/coleta de champignons raros era tido como algo altamente estratégico: não contar sua localização era uma forma de reserva de mercado, configurando uma prática que ainda conserva grau elevado de artesanalidade. Claro, "o fato de os produtores de cogumelos não compartilharem informações dificulta o trabalho realizado por eles".
Senhoras e senhores, coletores de champignon em geral: lembrem-se de que, se o mundo realmente acabar hoje, seguindo as (supostas) profecias maias, o segredo da localização das trufas negras vai para o beleléu junto com todo o resto.
Na minha humilde opinião, mais vale um gosto satisfeito, do que um gosto adiado. Portanto, senhoras e senhores coletores de trufas negras, convidem alguém de suas relações para compartilhar o paradeiro das trufas negras. Faça um macarrão ao molho de trufas, saboreiem uma bebida de seu agrado e olhem, juntos, para o firmamento: há muito mais coisas entre o céu e a terra do julga nossa vã filosofia. Depois, brindem o cosmos e se esqueçam das trufas: elas não valerão um centavo em um cenário de ficção científica.
Não, não estou falando daquele bombom de chocolate macio, mas, sim, do fungo do gênero Tuber, que cresce geralmente na raiz de certas árvores da região mediterrêna da Europa. "Apesar do avanço nas técnicas de cultivo, a trufa ainda é farejada por cães treinados e retirada à mão das raízes em que cresce. O custo dela, claro, é naturalmente alto", relata a notícia.
Com o aquecimento global, prossegue a notícia, tem chovido cada vez menos na Espanha e na França. Cientistas da revista Nature "acreditam que, com isso, as árvores hospedeiras e os fungos acabam competindo pela água e isso reduziria a produção". Por isso, o fungo está ficando cada vez mais raro nas regiões mediterrâneas, fazendo com que o preço fique ainda mais elevado a cada ano: "Em Paris, o pound da trufa negra (cerca de 0,45kg) está custando €2 mil (por volta de R$5.450)".
O problema é que, até bem recentemente, o segredo na produção/coleta de champignons raros era tido como algo altamente estratégico: não contar sua localização era uma forma de reserva de mercado, configurando uma prática que ainda conserva grau elevado de artesanalidade. Claro, "o fato de os produtores de cogumelos não compartilharem informações dificulta o trabalho realizado por eles".
Senhoras e senhores, coletores de champignon em geral: lembrem-se de que, se o mundo realmente acabar hoje, seguindo as (supostas) profecias maias, o segredo da localização das trufas negras vai para o beleléu junto com todo o resto.
Na minha humilde opinião, mais vale um gosto satisfeito, do que um gosto adiado. Portanto, senhoras e senhores coletores de trufas negras, convidem alguém de suas relações para compartilhar o paradeiro das trufas negras. Faça um macarrão ao molho de trufas, saboreiem uma bebida de seu agrado e olhem, juntos, para o firmamento: há muito mais coisas entre o céu e a terra do julga nossa vã filosofia. Depois, brindem o cosmos e se esqueçam das trufas: elas não valerão um centavo em um cenário de ficção científica.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Obelix fujão
Cá estou eu de volta após alguns percalços de ordem tecnológica: se meu computador antigo tinha apagãos repentinos, o novo resolveu ter uma parada cardíaca e ficar mais lento do que uma lesma. Minto: as lesmas são beeeeem mais rápidas!
Enfim... cá estou de volta e com tempo bastante para me inteirar apenas de duas ou três notícias do dia, porque o ano está acabando e minha bateria está indo junto com ele - não a do computador cardíaco, mas a minha mesmo. Mas a leitura de duas notícias foi o suficiente para perceber o quão equivocados podemos estar quanto ao fim do mundo.
Pois saibam que a NASA soltou nota para alertar os desavisados sobre a improbabilidade do fim do mundo. Nos dizeres de David Morrison, "cientista da Nasa e especialista da vida no espaço", "a ideia de que o mundo acabará subitamente, por uma causa qualquer, é absurda" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/profecia-maia-sobre-fim-do-mundo-n-o-sera-cumprida-garante-nasa-1.69197).
A matéria até que ficou didática: para cada risco, uma explicação cientificamente comprovada de que a profecia maia não está com nada no balaio. Por exemplo, contra a suposição de que o mundo acabará repentinamente, graças ao superaquecimento do sol, a agência explica que "a Terra existe há mais de 4 bilhões de anos e passarão muitos anos antes do Sol tornar nosso planeta inabitável”. Contra a probabilidade de que um asteróide ou algo parecido se chocar com a Terra, o centista explica que "não há asteroides tão grandes perto de nosso planeta como o que exterminou os dinossauros". E assim prossegue matéria, apresentando temores comuns e revelando sua escassa fundamentação cientifica.
Bem, tudo estaria redondinho se a argumentação da NASA não pecasse em dois aspectos: o mundo pode acabar não somente por razões de caráter cientificamente comprovável, mas também por hecatombes outras que nada têm a ver com as forças da natureza.
Podem ter certeza, por exemplo, de que a decisão do ator francês Gérard Depardieu de renegar a cidadania francesa e picar sua mula para a Bélgica foi a maior catástrofe política do governo Hollande. "O motivo da partida, que provocou polêmica na França, é o aumento de impostos sobre as grandes fortunas, medida adotada pelo governo socialista do presidente François Hollande - uma taxa de 75% sobre rendimentos superiores a € 1 milhão vigorará por dois anos", explica a notícia (http://oglobo.globo.com/mundo/exilio-de-depardieu-novo-reves-de-hollande-7080902).
Como vocês podem ver, a razão para o fim do mundo na França não tem nada a ver nem com asteróides nem com pandemias virais. O máximo que se pode dizer é que a evasão de Depardieu lembra vagamente, pelo seu caráter conservador, o movimento da Contra Reforma, mas mesmo assim devo admitir que as razões históricas de um e outro evento são bem distintas.
O outro equívoco da NASA também não tem nada a ver com a fundamentação científica dos seus argumentos, mas com o público ao qual eles se destinam. Sou capaz de apostar meus óculos de grau que os arautos do Apocalipse maia estão pouco se lixando para as explicações científicas, sejam elas da NASA ou de qualquer outra autoridade governamental. Vir a público para tranquilizá-los é como chover no molhado: tanto faz como tato fez, tanto antes pelo contrário.
E para os franceses, se isto não for o fim do mundo, então ele é o fim da França, pelo menos da forma como eles a conheceram. Certamente, terão de procurar outro ator para viver Obleix no cinema, já que o ator símbolo da nação francesa acaba de rasgar o passaporte para ir viver sua ficção de "nação" em outra freguesia. Pelo menos isso eles têm comum: assim como Depardieu, os gauleses eram bem avessos à tributação romana.
P.S.= Se o mundo vai acabar, eu não sei. Mas se acabar, este certamente será o primeiro fim do mundo blogado do começo ao fim!
Enfim... cá estou de volta e com tempo bastante para me inteirar apenas de duas ou três notícias do dia, porque o ano está acabando e minha bateria está indo junto com ele - não a do computador cardíaco, mas a minha mesmo. Mas a leitura de duas notícias foi o suficiente para perceber o quão equivocados podemos estar quanto ao fim do mundo.
Pois saibam que a NASA soltou nota para alertar os desavisados sobre a improbabilidade do fim do mundo. Nos dizeres de David Morrison, "cientista da Nasa e especialista da vida no espaço", "a ideia de que o mundo acabará subitamente, por uma causa qualquer, é absurda" (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/profecia-maia-sobre-fim-do-mundo-n-o-sera-cumprida-garante-nasa-1.69197).
A matéria até que ficou didática: para cada risco, uma explicação cientificamente comprovada de que a profecia maia não está com nada no balaio. Por exemplo, contra a suposição de que o mundo acabará repentinamente, graças ao superaquecimento do sol, a agência explica que "a Terra existe há mais de 4 bilhões de anos e passarão muitos anos antes do Sol tornar nosso planeta inabitável”. Contra a probabilidade de que um asteróide ou algo parecido se chocar com a Terra, o centista explica que "não há asteroides tão grandes perto de nosso planeta como o que exterminou os dinossauros". E assim prossegue matéria, apresentando temores comuns e revelando sua escassa fundamentação cientifica.
Bem, tudo estaria redondinho se a argumentação da NASA não pecasse em dois aspectos: o mundo pode acabar não somente por razões de caráter cientificamente comprovável, mas também por hecatombes outras que nada têm a ver com as forças da natureza.
Podem ter certeza, por exemplo, de que a decisão do ator francês Gérard Depardieu de renegar a cidadania francesa e picar sua mula para a Bélgica foi a maior catástrofe política do governo Hollande. "O motivo da partida, que provocou polêmica na França, é o aumento de impostos sobre as grandes fortunas, medida adotada pelo governo socialista do presidente François Hollande - uma taxa de 75% sobre rendimentos superiores a € 1 milhão vigorará por dois anos", explica a notícia (http://oglobo.globo.com/mundo/exilio-de-depardieu-novo-reves-de-hollande-7080902).
Como vocês podem ver, a razão para o fim do mundo na França não tem nada a ver nem com asteróides nem com pandemias virais. O máximo que se pode dizer é que a evasão de Depardieu lembra vagamente, pelo seu caráter conservador, o movimento da Contra Reforma, mas mesmo assim devo admitir que as razões históricas de um e outro evento são bem distintas.
O outro equívoco da NASA também não tem nada a ver com a fundamentação científica dos seus argumentos, mas com o público ao qual eles se destinam. Sou capaz de apostar meus óculos de grau que os arautos do Apocalipse maia estão pouco se lixando para as explicações científicas, sejam elas da NASA ou de qualquer outra autoridade governamental. Vir a público para tranquilizá-los é como chover no molhado: tanto faz como tato fez, tanto antes pelo contrário.
E para os franceses, se isto não for o fim do mundo, então ele é o fim da França, pelo menos da forma como eles a conheceram. Certamente, terão de procurar outro ator para viver Obleix no cinema, já que o ator símbolo da nação francesa acaba de rasgar o passaporte para ir viver sua ficção de "nação" em outra freguesia. Pelo menos isso eles têm comum: assim como Depardieu, os gauleses eram bem avessos à tributação romana.
P.S.= Se o mundo vai acabar, eu não sei. Mas se acabar, este certamente será o primeiro fim do mundo blogado do começo ao fim!
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Autoridades
Com a aproximação do dia 21 de dezembro de 2012, o assunto acaba sendo inevitável na grande imprensa: o tão proclamado fim do mundo acontecerá realmente?
Conquanto a resposta possa relevar do entendimento individual de cada um, o "problema" do fim do fim do mundo começa agora a ganhar dimensões de histeria coletiva - a tal ponto que o jornal Folha de S. Paulo anunciou hoje uma ampla mobilização de diversas autoridades russas para conter os ânimos da população daqueles lados (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1198008-cidades-russas-entram-em-panico-com-aproximacao-do-fim-do-mundo.shtml).
Dentre a lista de autoridades citadas, encontram-se não só "o ministro responsável pelas situações de emergência da Rússia", como também o "médico que chefia a saúde pública da Rússia, uma alta autoridade da Igreja Ortodoxa Russa, pelos legisladores da Duma e por um ex-DJ da Sibéria que recentemente se destacou no programa de televisão 'Batalha de Médiuns' ". Isso mesmo, minha gente, foi isso mesmo que vocês leram: até um ex-DJ foi convocado para dar o seu pitarco.
Bem, cada país convoca as autoridades que mais estima. E cada autoridade aborda o "problema" do fim do mundo da forma que mais lhe convém: "Por sua vez, o Estado de Yucatán, no México, que tem uma grande população maia, encara com leveza o boato sobre o fim do mundo. O governo planeja um festival maia em 21 de dezembro e, para mostrar que tudo continuará bem após essa data, uma nova edição do festival está programada para 2013", prossegue a notícia.
Nem alarmismo russo, nem otimismo mexicano. Apesar disso, a população daqui da Roça Grande também já começou a ver o fim do mundo pela greta: "Uma forte chuva atingiu Belo Horizonte e Região Metropolitana deixando vários pontos de alagamento e pessoas ilhadas no final da tarde e início da noite desta segunda-feira (10)", relata notícia publicada no início da noite no jornal Hoje em Dia (http://www.hojeemdia.com.br/minas/chuva-forte-deixa-varios-pontos-alagados-e-pessoas-ilhadas-em-bh-1.66600).
Catástrofes (anunciadas ou sofridas) à parte, há pelo menos uma diferença básica que nos separa dos russos e dos mexicanos: se depender da pró-atividade das autoridades locais para nos preparar para o fim do mundo, esperaremos o fim do próximo ciclo de 5.125 anos do Calendário Maia.
Conquanto a resposta possa relevar do entendimento individual de cada um, o "problema" do fim do fim do mundo começa agora a ganhar dimensões de histeria coletiva - a tal ponto que o jornal Folha de S. Paulo anunciou hoje uma ampla mobilização de diversas autoridades russas para conter os ânimos da população daqueles lados (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1198008-cidades-russas-entram-em-panico-com-aproximacao-do-fim-do-mundo.shtml).
Dentre a lista de autoridades citadas, encontram-se não só "o ministro responsável pelas situações de emergência da Rússia", como também o "médico que chefia a saúde pública da Rússia, uma alta autoridade da Igreja Ortodoxa Russa, pelos legisladores da Duma e por um ex-DJ da Sibéria que recentemente se destacou no programa de televisão 'Batalha de Médiuns' ". Isso mesmo, minha gente, foi isso mesmo que vocês leram: até um ex-DJ foi convocado para dar o seu pitarco.
Bem, cada país convoca as autoridades que mais estima. E cada autoridade aborda o "problema" do fim do mundo da forma que mais lhe convém: "Por sua vez, o Estado de Yucatán, no México, que tem uma grande população maia, encara com leveza o boato sobre o fim do mundo. O governo planeja um festival maia em 21 de dezembro e, para mostrar que tudo continuará bem após essa data, uma nova edição do festival está programada para 2013", prossegue a notícia.
Nem alarmismo russo, nem otimismo mexicano. Apesar disso, a população daqui da Roça Grande também já começou a ver o fim do mundo pela greta: "Uma forte chuva atingiu Belo Horizonte e Região Metropolitana deixando vários pontos de alagamento e pessoas ilhadas no final da tarde e início da noite desta segunda-feira (10)", relata notícia publicada no início da noite no jornal Hoje em Dia (http://www.hojeemdia.com.br/minas/chuva-forte-deixa-varios-pontos-alagados-e-pessoas-ilhadas-em-bh-1.66600).
Catástrofes (anunciadas ou sofridas) à parte, há pelo menos uma diferença básica que nos separa dos russos e dos mexicanos: se depender da pró-atividade das autoridades locais para nos preparar para o fim do mundo, esperaremos o fim do próximo ciclo de 5.125 anos do Calendário Maia.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Regularidades e paradoxos
Nada de novo sob o sol nesta 2a feira. Ok, nada de novo é exagero. Muita coisa bonita e horripilante deve ter acontecido nas últimas 24h, muito embora os jornais do dia tenham preferido reverenciar a cíclica repetição dos eventos disruptivos.
Sim, foi isto mesmo que eu disse: repetição do incomum. Pode parecer paradoxal, mas não é. A grande imprensa precisa de eventos extraordinários para sobreviver no mercado. Mas os eventos noticiosos acabam se repetindo numa expiral ascendente da falta de assunto.
Querem um exemplo? Pois aí vai um. Lembram que eu falei, na 5a feira passada, de uma senhora idosa que tinha falecido por ter tido sopa injetada por engano na veia? Pois este último domingo, foi a vez uma aposentada de 80 anos falecer após receber café com leite na veia.
"Familiares da paciente registraram o caso na delegacia de polícia local. Eles disseram aos investigadores que dona Palmerina sofreu convulsões após receber a injeção e morreu quatro horas depois", relata matéria publicada no jornal Hoje em Dia online (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/aposentada-morre-apos-ter-cafe-com-leite-injetado-na-veia-1.45149).
Mas alguém com bom senso há de protestar, dizendo que a repetição não é obra dos jornais, mas da falência do sistema público de saúde: é ele quem rouba a cena, repetindo o mesmo erro fatal duas vezes. Ou três. Ou quatro. Ou quantas vezes forem necessárias para comprovar que o sistema anda mesmo falido, ora bolas.
Sim, é tudo verdade: o sistema faliu, o jornal se repete, e eu fico na rabeira do dois. Nada de novo sob este sol enganador. Que pena! O jeito vai ser dormir o sono dos justos, até que a próxima seita apocalíptica volte atrás e reconheça que o mundo ainda não acabou. Ha! Mais um paradoxo: as seitas apocalípticas fazem de tudo para não reconhecer que o mundo acaba um pouquinho todos os dias quando se trata do nosso sistema único de saúde.
Mas constatações desta ordem não vendem nada: nem lote no paraíso, nem jornal na 2a feira. Vale, quando muito, um comentário em algum blog periférico.
Que venha, então, a 3a feira - e com ela, alguma novidade que o valha.
Sim, foi isto mesmo que eu disse: repetição do incomum. Pode parecer paradoxal, mas não é. A grande imprensa precisa de eventos extraordinários para sobreviver no mercado. Mas os eventos noticiosos acabam se repetindo numa expiral ascendente da falta de assunto.
Querem um exemplo? Pois aí vai um. Lembram que eu falei, na 5a feira passada, de uma senhora idosa que tinha falecido por ter tido sopa injetada por engano na veia? Pois este último domingo, foi a vez uma aposentada de 80 anos falecer após receber café com leite na veia.
"Familiares da paciente registraram o caso na delegacia de polícia local. Eles disseram aos investigadores que dona Palmerina sofreu convulsões após receber a injeção e morreu quatro horas depois", relata matéria publicada no jornal Hoje em Dia online (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/aposentada-morre-apos-ter-cafe-com-leite-injetado-na-veia-1.45149).
Mas alguém com bom senso há de protestar, dizendo que a repetição não é obra dos jornais, mas da falência do sistema público de saúde: é ele quem rouba a cena, repetindo o mesmo erro fatal duas vezes. Ou três. Ou quatro. Ou quantas vezes forem necessárias para comprovar que o sistema anda mesmo falido, ora bolas.
Sim, é tudo verdade: o sistema faliu, o jornal se repete, e eu fico na rabeira do dois. Nada de novo sob este sol enganador. Que pena! O jeito vai ser dormir o sono dos justos, até que a próxima seita apocalíptica volte atrás e reconheça que o mundo ainda não acabou. Ha! Mais um paradoxo: as seitas apocalípticas fazem de tudo para não reconhecer que o mundo acaba um pouquinho todos os dias quando se trata do nosso sistema único de saúde.
Mas constatações desta ordem não vendem nada: nem lote no paraíso, nem jornal na 2a feira. Vale, quando muito, um comentário em algum blog periférico.
Que venha, então, a 3a feira - e com ela, alguma novidade que o valha.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Na sala de estar
É verdade! Eu já andava com saudades de uma das minhas implicâncias preferidas: as matérias jornalísticas sobre o fim do mundo.
Mas esta aqui pelo menos tem o mérito de não entrar na onda da "Crônica de uma Catástrofe Anunciada": matéria publicada no jornal O Globo online por arqueólogo da Universidade de Boston que acaba de publicar na Revista Science diz que é tudo mentira: o mundo não vai acabar em 2012! (http://oglobo.globo.com/ciencia/novos-calendarios-maias-afastam-fim-do-mundo-em-2012-4864914#ixzz1uWdO6hjM).
Ufa! Ainda bem! Precisava mesmo de um artigo da Science para ter certeza disso. Aliás, uma das poucas novidades trazida pelo arqueólogo da vez, o sr. William Saturno, é a originalidade da fonte citada: o mais antigo calendário astronômico maia de que se tem notícia e que é "centenas de anos mais velho que o chamado 'Códice de Dresden', de onde os arautos do fim do mundo tiraram a ideia de que os maias previram uma catástrofe global em 21 de dezembro deste ano". E, exatamente como na vida acaêmica moderna, entre duas versões do mesmo dito, prevalece a fonte mais antiga!
A outra novidade trazida pelo arqueólogo também tem lá o seu charme: o mural está disposto em um ambiente um tanto quanto inusitado. "Os hieróglifos estão em uma das paredes de um cômodo de um complexo habitacional em Xultún que os pesquisadores acreditam era usado como local de trabalho peplos (sic!) sacerdotes e astrônomos responsáveis pela contagem do tempo".
Que curiosa homologia! Na maior parte das salas de estar dos conjuntos habitacionais do nosso país (na eventualidade de realmente possuírem este cômodo), o mundo acaba todas as noites quando a TV está ligada no Jornal Nacional. Moral da história: somos mais maias que os próprios maias, pois nosso ciclo de catástrofes dura apenas 24h, tempo necessário para a fabricação da próxima edição do dito telejornal.
"É a primeira vez que vemos esse tipo de escrita na parede de uma casa e um espaço como este tipo de uso em uma cidade maia – destaca Saturno". Se eu tivesse pensado nisso antes, também teria escrito um artigo para a Science. Mas como comi mosca, William Saturno primará sobre William Bonner. E nossos conjuntos habitacionais continuaram sem o glamours do seu corrrespondente maia.
Mas esta aqui pelo menos tem o mérito de não entrar na onda da "Crônica de uma Catástrofe Anunciada": matéria publicada no jornal O Globo online por arqueólogo da Universidade de Boston que acaba de publicar na Revista Science diz que é tudo mentira: o mundo não vai acabar em 2012! (http://oglobo.globo.com/ciencia/novos-calendarios-maias-afastam-fim-do-mundo-em-2012-4864914#ixzz1uWdO6hjM).
Ufa! Ainda bem! Precisava mesmo de um artigo da Science para ter certeza disso. Aliás, uma das poucas novidades trazida pelo arqueólogo da vez, o sr. William Saturno, é a originalidade da fonte citada: o mais antigo calendário astronômico maia de que se tem notícia e que é "centenas de anos mais velho que o chamado 'Códice de Dresden', de onde os arautos do fim do mundo tiraram a ideia de que os maias previram uma catástrofe global em 21 de dezembro deste ano". E, exatamente como na vida acaêmica moderna, entre duas versões do mesmo dito, prevalece a fonte mais antiga!
A outra novidade trazida pelo arqueólogo também tem lá o seu charme: o mural está disposto em um ambiente um tanto quanto inusitado. "Os hieróglifos estão em uma das paredes de um cômodo de um complexo habitacional em Xultún que os pesquisadores acreditam era usado como local de trabalho peplos (sic!) sacerdotes e astrônomos responsáveis pela contagem do tempo".
Que curiosa homologia! Na maior parte das salas de estar dos conjuntos habitacionais do nosso país (na eventualidade de realmente possuírem este cômodo), o mundo acaba todas as noites quando a TV está ligada no Jornal Nacional. Moral da história: somos mais maias que os próprios maias, pois nosso ciclo de catástrofes dura apenas 24h, tempo necessário para a fabricação da próxima edição do dito telejornal.
"É a primeira vez que vemos esse tipo de escrita na parede de uma casa e um espaço como este tipo de uso em uma cidade maia – destaca Saturno". Se eu tivesse pensado nisso antes, também teria escrito um artigo para a Science. Mas como comi mosca, William Saturno primará sobre William Bonner. E nossos conjuntos habitacionais continuaram sem o glamours do seu corrrespondente maia.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Sinal dos tempos
Retiro tudo o que eu havia dito sobre o profeta do Fim do Mundo, Harold Camping (http://cronicasdejuvenal.blogspot.com/2011/04/camping-versus-shiva-o-grande-duelo.html). Tudo mesmo! É que eu acabo de descobrir que o mundo está acabando de verdade.
É que claro que, ao contrário de Camping, eu nem ouso a fixar uma data precisa. Mas a notícia que foi publicada hoje na seção Digital & Midia do O Globo online me deixou estarrecida a ponto de já poder ouvir da minha janela as trombetas do Armagedon!
Chupem essa manga: dois assaltos espectaculares - desses que não deixam nada a dever aos filmes de Hollywood - foram impetrados neste fim de semana na França. Agora pasmem! Sabem qual foi o objeto furtado? "Milhares de cópias do jogo Call of Duty: Modern Warfare 3, que será lançado na quarta-feira", isto é, depois de amanhã (http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/11/07/milhares-de-copias-de-call-of-duty-modern-warfare-3-sao-roubadas-na-franca-as-vesperas-do-lancamento-925747547.asp).
Se bem que as cenas dos dois assaltos, tal como descritas na matéria, até mereciam virar roteiro de cinema: "no primeiro ataque, dois carros fecharam um caminhão que transportava uma carga com seis mil unidades do jogo por uma rodovia próxima a Paris. Mascarados e armados com facas e bombas de gás, os bandidos renderam o motorista e levaram o caminhão". Já o segundo ataque, que visou "um outro caminhão que entregaria os jogos em uma loja no distrito de Yvelines, na região metropolitana da capital, foi levado por três assaltantes armados".
Para quem já ouviu falar na saga de Ronald Biggs - ou pelo menos viu seu filho Mike cantando no Balão Mágico - há de concordar comigo que assaltar caminhões ou trens cargueiros em busca de dinheiro, ouro, joias ou pedras preciosas ficou parecendo coisa do tempo do onça (aquela unidade de peso do tempo da extração de ouro aqui nas Gerais).
Mas tanta manobra de risco e tanto esforço por conta de um simples joguinho? Bem... talvez valesse a pena dar uma olhada no conteúdo do joguinho para saber que "Call of Duty: Modern Warfare 3 é o mais novo título da série de jogos de tiro em primeira pessoa de maior sucesso na história". Não me supreenderia se os assaltantes do "O Call of Duty" tiverem sido treinados com versões anteriores do próprio jogo. Bem, aí, vocês hão de convir que o problema não é nem as seis mil cópias que caíram nas mãos dos assaltantes, mas as outras tantas que serão vendidas legalmente.
Enfim, enfim... Tomada de surpresa por este prenúncio de fim de mundo, fica aqui a minha pergunta, coroada de algum resto de lirismo que ainda me corre nas veias: "Existirmos: a que será que se destina?"
Diante do inexplicável (e irrespondível), deixemos o poeta nos embalar com seus versos, enquanto os anjos do apocalipse dançam cirandinha no céu.
É que claro que, ao contrário de Camping, eu nem ouso a fixar uma data precisa. Mas a notícia que foi publicada hoje na seção Digital & Midia do O Globo online me deixou estarrecida a ponto de já poder ouvir da minha janela as trombetas do Armagedon!
Chupem essa manga: dois assaltos espectaculares - desses que não deixam nada a dever aos filmes de Hollywood - foram impetrados neste fim de semana na França. Agora pasmem! Sabem qual foi o objeto furtado? "Milhares de cópias do jogo Call of Duty: Modern Warfare 3, que será lançado na quarta-feira", isto é, depois de amanhã (http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/11/07/milhares-de-copias-de-call-of-duty-modern-warfare-3-sao-roubadas-na-franca-as-vesperas-do-lancamento-925747547.asp).
Se bem que as cenas dos dois assaltos, tal como descritas na matéria, até mereciam virar roteiro de cinema: "no primeiro ataque, dois carros fecharam um caminhão que transportava uma carga com seis mil unidades do jogo por uma rodovia próxima a Paris. Mascarados e armados com facas e bombas de gás, os bandidos renderam o motorista e levaram o caminhão". Já o segundo ataque, que visou "um outro caminhão que entregaria os jogos em uma loja no distrito de Yvelines, na região metropolitana da capital, foi levado por três assaltantes armados".
Para quem já ouviu falar na saga de Ronald Biggs - ou pelo menos viu seu filho Mike cantando no Balão Mágico - há de concordar comigo que assaltar caminhões ou trens cargueiros em busca de dinheiro, ouro, joias ou pedras preciosas ficou parecendo coisa do tempo do onça (aquela unidade de peso do tempo da extração de ouro aqui nas Gerais).
Mas tanta manobra de risco e tanto esforço por conta de um simples joguinho? Bem... talvez valesse a pena dar uma olhada no conteúdo do joguinho para saber que "Call of Duty: Modern Warfare 3 é o mais novo título da série de jogos de tiro em primeira pessoa de maior sucesso na história". Não me supreenderia se os assaltantes do "O Call of Duty" tiverem sido treinados com versões anteriores do próprio jogo. Bem, aí, vocês hão de convir que o problema não é nem as seis mil cópias que caíram nas mãos dos assaltantes, mas as outras tantas que serão vendidas legalmente.
Enfim, enfim... Tomada de surpresa por este prenúncio de fim de mundo, fica aqui a minha pergunta, coroada de algum resto de lirismo que ainda me corre nas veias: "Existirmos: a que será que se destina?"
Diante do inexplicável (e irrespondível), deixemos o poeta nos embalar com seus versos, enquanto os anjos do apocalipse dançam cirandinha no céu.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
O início do fim
Ai, ai!... Era previsível, mas não custa nada ridicularizar: mais uma bola fora do apocalíptico Harold Camping - aquele que disse que o mundo ia acabar dia 21 de maio de 2011. Depois de reformular suas previsões logo após o primeiro fiasco, ele preferiu se expor a um segundo, reprogramando o seu "fim do mundo" para hoje, dia 21 de outubro do mesmo ano (http://cronicasdejuvenal.blogspot.com/2011/05/por-que-parou-parou-por-que.html).
Moral da história: levou um tuitaço de proporcões hecatômbicas (http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/ultimasdasredessociais/994457-fim-do-mundo-nao-acontece-nesta-sexta-acreditam-tuiteiros.shtml). Mas não subestimem a tenacidade do mensageiro do Armagedon: ele já pocurou uma estratégia para se esquivar de mais este melindre, argumentando que hoje será apenas "o início do fim".
Bem, o início do meu fim começou quando eu nasci. Como cá estou, não vou deixar de viver pensando no fim do fim. Se bem que estou com ele, o Camping, numa única coisa: a preocupação com novos inícios, já que os fins... bem, até os fins devem acabar em algum momento.
Em homenagem a mais uma profecia não-realizada, vou terminar minha 6a feira cantando com a Clara Nunes este belo samba do grande Nelson Cavaquinho, na esperança que o meu "fim" seja bem mais neste estilo aqui (a canção "Juízo Final" propriamente dita começa só aos 2min42seg): quando o amor será eterno novamente.
Um bom fim de semana para todos. Porque este, sim, só está começando agora.
Moral da história: levou um tuitaço de proporcões hecatômbicas (http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/ultimasdasredessociais/994457-fim-do-mundo-nao-acontece-nesta-sexta-acreditam-tuiteiros.shtml). Mas não subestimem a tenacidade do mensageiro do Armagedon: ele já pocurou uma estratégia para se esquivar de mais este melindre, argumentando que hoje será apenas "o início do fim".
Bem, o início do meu fim começou quando eu nasci. Como cá estou, não vou deixar de viver pensando no fim do fim. Se bem que estou com ele, o Camping, numa única coisa: a preocupação com novos inícios, já que os fins... bem, até os fins devem acabar em algum momento.
Em homenagem a mais uma profecia não-realizada, vou terminar minha 6a feira cantando com a Clara Nunes este belo samba do grande Nelson Cavaquinho, na esperança que o meu "fim" seja bem mais neste estilo aqui (a canção "Juízo Final" propriamente dita começa só aos 2min42seg): quando o amor será eterno novamente.
Um bom fim de semana para todos. Porque este, sim, só está começando agora.
terça-feira, 24 de maio de 2011
E a saga continua...
Ueeebaaaaa!!!! Para quem achava que loucura pouca é bobagem, o Sr. Harold Camping - o tal que previu o fim do mundo para o sábado passado - está aí para mostrar toda a sua tenacidade.
Segundo matéria do Hoje em Dia, a nova data do fim do mundo foi revelada em pronunciamento na estação de rádio de sua seita, a Family Radio (http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/mundo/pregador-dos-eua-remarca-juizo-final-para-outubro-1.284554). Senhoras e senhores, agendas na mão: a data "definitiva" passou a ser o dia 21 de outubro de 2011!
Sim, sim! Ao que parece, o homem não larga o osso de jeito nenhum. Após um breve sumiço das vida pública, muita reflexão deve ter se sucedido na mente deste senhor (uma provável consulta aos seus "superiores" ?), de modo que ele achou por bem relevar o indiscutível fracasso da previsão do último sábado da seguinte forma: "Não estamos mudando a data em absoluto, só entendemos que temos que ser um pouco mais espirituais com relação a isto", avalia o decano de 89 anos.
Bem, acho melhor eu ficar por aqui, tentando entender o que significa ser "bastante espiritual" com relação a este tipo de previsão. No mais, se o mundo não acabar no dia 21 de outubro próximo, vou querer saber onde o Sr. Camping descola uma dose disso aí que ele toma antes de cada pronunciamento na rádio... Pelo teor catástrofico das profecias, no mínimo tem metanol misturado na marvada! Haja fígado, viu?
Segundo matéria do Hoje em Dia, a nova data do fim do mundo foi revelada em pronunciamento na estação de rádio de sua seita, a Family Radio (http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/mundo/pregador-dos-eua-remarca-juizo-final-para-outubro-1.284554). Senhoras e senhores, agendas na mão: a data "definitiva" passou a ser o dia 21 de outubro de 2011!
Sim, sim! Ao que parece, o homem não larga o osso de jeito nenhum. Após um breve sumiço das vida pública, muita reflexão deve ter se sucedido na mente deste senhor (uma provável consulta aos seus "superiores" ?), de modo que ele achou por bem relevar o indiscutível fracasso da previsão do último sábado da seguinte forma: "Não estamos mudando a data em absoluto, só entendemos que temos que ser um pouco mais espirituais com relação a isto", avalia o decano de 89 anos.
Bem, acho melhor eu ficar por aqui, tentando entender o que significa ser "bastante espiritual" com relação a este tipo de previsão. No mais, se o mundo não acabar no dia 21 de outubro próximo, vou querer saber onde o Sr. Camping descola uma dose disso aí que ele toma antes de cada pronunciamento na rádio... Pelo teor catástrofico das profecias, no mínimo tem metanol misturado na marvada! Haja fígado, viu?
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Por que parou, parou por quê?
Lembra quando eu disse que o líder messiânico Harold Camping havia previsto o fim do mundo para o dia 21 de maio de 2011 (http://cronicasdejuvenal.blogspot.com/2011/04/camping-versus-shiva-o-grande-duelo.html)?
Passados dois dias do chamado dia D, há severas evidências de que a previsão do Sr. Camping melou totalmente. Se bem que de vez em quando a gente vê cada coisa nos jornais que chega a nos colocar em dúvida se realmente o mundo está ou não se acabando. Hoje, por exemplo, vi uma coisa estarrecedora sendo noticiada nos jornais, que acabou levando esta que vos escreve a crer que o fim do mundo parece estar parado ali na esquina, a dois passinhos de nós.
Eis aqui o motivo de tanta perplexidade: funcionária do Instituto Médico Legal de Curitiba é denunciada pelo roubo de R$ 100 de um cadáver (http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/05/23/funcionaria-do-iml-do-parana-presa-suspeita-de-roubar-100-de-cadaver-924519049.asp). De acordo com O Globo Online, o delito pode ser agravado pelo fato de se tratar de vilipêndio de vítima de homicídio.
Se bem que, apesar de a funcionária ter surrupiado uma quantia nada negligenciável, aproveitando-se do fato de estar a vítima completamente indefesa (ao que parece, o defunto nem mexia, como aliás tem que ser mesmo), a infratora pelo menos sabe que jamais vai poder ser acusada de latrocínio (isto é, roubo de seguido de morte). No limite, ela poderá alegar a contração de empréstimo junto à vítima, a ser restituído - quem sabe? - na próxima incarnação... Vai saber... Com esse clima de Armagedon, tudo pode colar.
Enquanto isso, os seguidores do Sr. Camping - principalmente aqueles que, como o Sr. Robert Fitzpatrick, doaram milhares de dólares para fomentar a publicidade do suposto fim do mundo (http://www1.folha.uol.com.br/bbc/919774-fieis-tentam-compreender-ausencia-de-fim-do-mundo.shtml) - andam corroídos por uma dúvida, bem maior, por sinal, do qualquer outra que me aflige: "Não entendo o porquê... Não entendo como nada aconteceu", relata o Sr. Fitzpatrick, justamente um desses aí que doou algo em torno de 140 mil dólares para as tais campanhas de fim do mundo.
Fiquei foi imaginando o que farão daqui para frente esses diletos seguidores, frustrados por terem feito girar as cifras publicitárias locais, sem com isso obter nenhum retorno para a "marca". Quanto ao autor da profecia frustrada, este já não dá as caras publicamente há dias.
Quanto a mim, estou mesmo é muito curiosa para saber o líder messiânico vai fazer para "salvar" o fim do mundo? Ou será que está próximo o fim da ideia de "fim do mundo"? Enfim... Nada de concreto pelo momento.
Mas qualquer que seja a estratégia de salvação da teoria do fim do mundo daqui para frente, o Sr. Camping certamente estará fazendo que nem a funcionária do IML: vilipendiando o cadáver de uma professia que já nem consegue mais se mover.
Passados dois dias do chamado dia D, há severas evidências de que a previsão do Sr. Camping melou totalmente. Se bem que de vez em quando a gente vê cada coisa nos jornais que chega a nos colocar em dúvida se realmente o mundo está ou não se acabando. Hoje, por exemplo, vi uma coisa estarrecedora sendo noticiada nos jornais, que acabou levando esta que vos escreve a crer que o fim do mundo parece estar parado ali na esquina, a dois passinhos de nós.
Eis aqui o motivo de tanta perplexidade: funcionária do Instituto Médico Legal de Curitiba é denunciada pelo roubo de R$ 100 de um cadáver (http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/05/23/funcionaria-do-iml-do-parana-presa-suspeita-de-roubar-100-de-cadaver-924519049.asp). De acordo com O Globo Online, o delito pode ser agravado pelo fato de se tratar de vilipêndio de vítima de homicídio.
Se bem que, apesar de a funcionária ter surrupiado uma quantia nada negligenciável, aproveitando-se do fato de estar a vítima completamente indefesa (ao que parece, o defunto nem mexia, como aliás tem que ser mesmo), a infratora pelo menos sabe que jamais vai poder ser acusada de latrocínio (isto é, roubo de seguido de morte). No limite, ela poderá alegar a contração de empréstimo junto à vítima, a ser restituído - quem sabe? - na próxima incarnação... Vai saber... Com esse clima de Armagedon, tudo pode colar.
Enquanto isso, os seguidores do Sr. Camping - principalmente aqueles que, como o Sr. Robert Fitzpatrick, doaram milhares de dólares para fomentar a publicidade do suposto fim do mundo (http://www1.folha.uol.com.br/bbc/919774-fieis-tentam-compreender-ausencia-de-fim-do-mundo.shtml) - andam corroídos por uma dúvida, bem maior, por sinal, do qualquer outra que me aflige: "Não entendo o porquê... Não entendo como nada aconteceu", relata o Sr. Fitzpatrick, justamente um desses aí que doou algo em torno de 140 mil dólares para as tais campanhas de fim do mundo.
Fiquei foi imaginando o que farão daqui para frente esses diletos seguidores, frustrados por terem feito girar as cifras publicitárias locais, sem com isso obter nenhum retorno para a "marca". Quanto ao autor da profecia frustrada, este já não dá as caras publicamente há dias.
Quanto a mim, estou mesmo é muito curiosa para saber o líder messiânico vai fazer para "salvar" o fim do mundo? Ou será que está próximo o fim da ideia de "fim do mundo"? Enfim... Nada de concreto pelo momento.
Mas qualquer que seja a estratégia de salvação da teoria do fim do mundo daqui para frente, o Sr. Camping certamente estará fazendo que nem a funcionária do IML: vilipendiando o cadáver de uma professia que já nem consegue mais se mover.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Camping versus Shiva: o grande duelo sobre o fim do mundo
Amantes de catástrofes naturais e hecatombes de grandes proporções: surpresa!!! O fim do mundo já tem data marcada: é no dia 21 de maio de 2011. Pelo menos, é este o prognóstico de uma seita norte-americana denominada "Family Radio", com sede inclusive no bairro Nova Gameleira, em Belo Horizonte. De acordo com o jornal online Hoje em Dia, o cálculo do dia D do Apocalipse teria sido refeito pelo líder espiritual Harold Camping com base em uma nova exegese dos escritos bíblicos (http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/brasil/profeta-tenta-emplacar-fim-do-mundo-para-21-de-maio-1.262120).
Não quero aqui me repetir e dizer o quanto previsões catastróficas sobre o fim do mundo me surpreendem. É que já falei em outras ocasiões (17-03-11), neste mesmo blog, o quanto esse papo de um "fim" próximo nos leva a superdimensionar determinados fatos e eventos, em detrimento de outros. Mas vamos então deixar esse papo para lá. O viés que quero dar ao fim do mundo, na data de hoje, é outro.
A verdade, senhoras e senhores, é que a ideia de haver um dia (e quem sabe hora) marcado para o fim do mundo me agrada. Sério mesmo! Sabem por quê? Porque eu posso marcar encontros para antes ou depois do fim do mundo, dependendo das minhas reais expectativas.
Entrevistas para subemprego? Só mais para o final do dia 21 de maio, para ter o gostinho de ligar para empregador e dizer, aliviada: "aqui, o mundo tá acabando aqui em casa, então acho que não vai dar para ir na entrevista, não, falou?". Conversas longas sobre algo que já foi decidido e que você não quer voltar atrás? Claro! Marcarei todas para a manhã do dia 22, o "day after" que o Sr. Camping já me prometeu. Cobrança de dívida dos amigos? Deixarei todas com prazo de pagamento para o próprio dia 21 de maio. É que se acaso alguém me pagar, terei prazer em responder: "Você?!!! Me pagando?! Deve ser mesmo o fim do mundo!" Pelo menos assim, passo um fim de mundo mais divertido do que se tivesse sido pêga de surpresa num dia desses aí em 2012.
Claro está que a racionalidade moderna precisa realmente de dia marcado para perecer. A perspectiva de uma data precisa para a ruptura final nada mais é do que a suprema realização do próprio propósito moderno de romper (desta vez, "para sempre") com a ameaçadora circularidade do tempo tradicional. Como se a vida não fosse uma sucessão de pequenas mortes e pequenos renascimentos, ensaiados repetidamente, com graus diversos de erro e acerto... Vamos testar? Encontro marcado na Praça Sete no dia 21 de maio de 2011. Prometo pontualidade... a menos que o mundo acabe!
Não quero aqui me repetir e dizer o quanto previsões catastróficas sobre o fim do mundo me surpreendem. É que já falei em outras ocasiões (17-03-11), neste mesmo blog, o quanto esse papo de um "fim" próximo nos leva a superdimensionar determinados fatos e eventos, em detrimento de outros. Mas vamos então deixar esse papo para lá. O viés que quero dar ao fim do mundo, na data de hoje, é outro.
A verdade, senhoras e senhores, é que a ideia de haver um dia (e quem sabe hora) marcado para o fim do mundo me agrada. Sério mesmo! Sabem por quê? Porque eu posso marcar encontros para antes ou depois do fim do mundo, dependendo das minhas reais expectativas.
Entrevistas para subemprego? Só mais para o final do dia 21 de maio, para ter o gostinho de ligar para empregador e dizer, aliviada: "aqui, o mundo tá acabando aqui em casa, então acho que não vai dar para ir na entrevista, não, falou?". Conversas longas sobre algo que já foi decidido e que você não quer voltar atrás? Claro! Marcarei todas para a manhã do dia 22, o "day after" que o Sr. Camping já me prometeu. Cobrança de dívida dos amigos? Deixarei todas com prazo de pagamento para o próprio dia 21 de maio. É que se acaso alguém me pagar, terei prazer em responder: "Você?!!! Me pagando?! Deve ser mesmo o fim do mundo!" Pelo menos assim, passo um fim de mundo mais divertido do que se tivesse sido pêga de surpresa num dia desses aí em 2012.
Claro está que a racionalidade moderna precisa realmente de dia marcado para perecer. A perspectiva de uma data precisa para a ruptura final nada mais é do que a suprema realização do próprio propósito moderno de romper (desta vez, "para sempre") com a ameaçadora circularidade do tempo tradicional. Como se a vida não fosse uma sucessão de pequenas mortes e pequenos renascimentos, ensaiados repetidamente, com graus diversos de erro e acerto... Vamos testar? Encontro marcado na Praça Sete no dia 21 de maio de 2011. Prometo pontualidade... a menos que o mundo acabe!
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