UA-89169382-1 Crônicas de Juvenal: calor
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Acima da média

Ei, você aí, que tanto se esforçou para ser uma pessoa diferenciada: caso já não more, chegou a hora de se mudar para a Roça Grande e passar uma primavera bem "acima da média".

6 graus acima da média, para ser mais exata! É o que prevê o técnico de meteorologia da Cemig, Geraldo Paixão, em notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online: “Usualmente, temos no mês de setembro temperaturas na casa dos 27°C em Belo Horizonte. Este ano, os termômetros devem continuar registrando de 32°C a 33°C”, detalha.

Se, por um lado, o calor de hoje fez os cidadãos da capital mineira soltarem fogo pelas ventas logo no primeiro dia da primavera de 2015, por outro lado, também há que se reconhecer que São Pedro será mais clemente conosco este ano: as chuvas nos farão visitas constantes ao longo da estação. "Previstas com regularidade para todo o período, elas devem começar a partir deste sábado e se alternam, semanalmente, em função da chegada de frentes frias."

Se a notícia das chuvas regulares não refrescaram em nada o efeito psicológico de um calor acima da média, melhor ir desistindo da vida.  Além dos 6 graus acima da média, a alta do dólar somada ao aumento do valor pago pela corrida de táxi entre o Aeroporto John Fitzgerald Kennedy e Manhattan hão de congelar seus sonhos de uma brisa cálida em Nova Iorque neste próximo verão brasileiro: "a corrida de táxi entre o Aeroporto John Fitzgerald Kennedy e Manhattan ficará mais cara durante o horário de rush em dias úteis, segundo o 'The New York Times'. O valor inicial da corrida, sem as taxas, passará de US$ 52 para US$ 56,50".

Contra aquele se alegrou ao gritar "não vai ter copa",  existe também o outro que grita "não ter vai sacolagem em Nova Iorque". Que peninha! Essa primavera está mesmo de derreter o coração!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Exceções

Está certo que 2014 já começou quente - em todos os sentidos - e trouxe em seu esteio muitas mudanças inesperadas. Mas daí a virarmos um país de exceções, já é outra história.

Por exemplo, essa desculpa do governo federal de dizer que o apagão que deixou quatro regiões do país sem luz hoje "não foi causado por excesso de demanda" é de deixar o queixo caído (http://oglobo.globo.com/economia/ons-afirma-que-apagao-nao-foi-causado-por-excesso-de-demanda-11504147). O incidente, que afetou todos os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste, mais alguns pontos isolados em Tocantins, na região Norte, foi "considerado raro".

Certamente, tão raro quanto o record de calor hoje no Rio de Janeiro, isto é, 40,8ºC bem medidos na Estação de Santa Cruz. Por causa dessa raridade, funcionário público impedido de trabalhar de bermuda apela e faz algo ainda mais raro: veste saia e vai trabalhar (http://www.hojeemdia.com.br/noticias/proibido-de-usar-bermuda-rapaz-vai-ao-trabalho-de-saia-1.215565).

Aliás, a única pessoa excepcionalmente feliz hoje foi o próprio funcionário "recém-ensaiado": "por que é que eu nunca fiz isso antes é que não sei", teria dito ele lá no Facebook. Bem, se os apagões e o calor continuarem neste ritmo, não haverá mais constrangimento por estar ou não de saia: no escuro, ninguém há de notar nada.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Côncavo

Basta entrar o mês de setembro para o sol rachar e a umidade relativa do ar na Roça Grande despencar sem nenhuma pretensão de elegância. Para mim, está bom do jeito que está, pois estou treinando para o deserto do Atacama. Mas para quem teme pelas próprias vias respiratórias e não pretende tão cedo fincar o pé no cactus, isso aqui é inferno na Terra: quente e bem seco.

Mas como tudo nessa vida é questão de perspectiva - ou quase tudo - nada como se solidarizar com outros seres humanos em situação igual ou pior. Porque solidariedade é que nem casamento: na saúde ou na doença, no amor ou no calor. Pois bem: senti um ímpeto maluco de me solidarizar com meus amigos londrinos, principalmente aqueles que vivem - ou estacionam - próximo a um edifício que localizado no centro comercial de Londres e que é conhecido pela singela alcunha de Walkie Talkie.

Aparentemente, o singelo edifício não passa de um arranha-céus como tantos outros. Notícia publicada hoje no jornal Hoje em Dia online explica que o "20 Fenchurch Street é um conjunto de arranha-céus com 37 andares e cerca de 200 metros, previsto para ser concluído no próximo ano". Só que ele possui uma peculiaridade: " a luz solar bate nos vidros espelhados do edifício que tem formato côncavo e, com isso, o reflexo atinge os carros estacionados nas ruas adjacentes" (http://oglobo.globo.com/imoveis/predio-espelhado-em-londres-acusado-de-derreter-carros-9796645).


O resultado é que antes de mesmo de ser concluído, o edifício está sendo acusado de derreter e empenar painéis de carros e retrovisores com seu poder de refração, potencializado pelo próprio formato côncavo do edifício. E segundo uma reportagem do Daily Mail, não só painéis de carros estão sendo danificados: "pedestres também reclamam do brilho excessivo por causa do reflexo do sol na fachada de vidros".


Para pedestres e motoristas das imediações do 20 Fenchurch Street, fica aqui registrada minha total solidariedade, pois bem sabemos que sofrer com o sol a pino não fácil. Seja no côncavo do edifício, seja no Recôncavo baiano, não são muitas as saídas: ou bem a lenta espera pela gradativa mudança das estações; ou bem uma passagem comprada para o deserto mais próximo - pois, como eu disse, tudo (ou quase tudo) nessa vida é questão de perspectiva.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dantesco

Pergunta que não quer calar: o que 2013 nos trará de realmente novo?

Bem, se você passar pelo Aeroporto Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro, verá que muito pouca coisa mudou: mesmo com os recordes históricos de calor na cidade tendo sido alcançados, as medidas reparadoras para que a refrigeração do local fosse normalizada parecem estar sendo insuficientes.

Pelo menos é o que dá a entender a notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo online: "Mesmo após a Anac (Agência Nacional de Aviação) anunciar uma multa de R$ 250 mil à Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) pelas falhas no sistema de ar-condicionado do aeroporto Santos Dumont, na região central da capital fluminense, passageiros que circulavam nesta quinta-feira (3) pelo terminal reclamavam do calor no local" (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1209552-passageiros-voltam-a-reclamar-do-calor-no-aeroporto-santos-dumont.shtml).

À semelhança da Biblioteca Nacional, que se tornou uma autêntica filial do inferno ao registrar 47ºC nas suas dependências (http://www.cronicasdejuvenal.blogspot.com.br/2012/12/veranescas.html), é a vez do Aeroporto Santos Dumont se candidatar a uma franquia dos domínios infernais.

Mas inovadora mesmo foi a resposta dada pelo superintendente da Infraero ao supracitado jornal: "Todo o sistema de ar condicionado está funcionando normalmente, nós não temos como expandir mais do que isso, o que ocorre é que têm feito um calor atípico na cidade do Rio de Janeiro. O terminal de embarque de passageiros é similar a um tubo semitransparente. Quando a temperatura aumenta, o local virá uma espécie de estufa. Todo espaço do aeroporto é coberto de vidro, as pessoas têm a sensação de estar mais quente, mas está tudo funcionando perfeitamente. E quanto aos ventiladores, nós já estamos providenciando a retirada deles, pois não são mais necessários".

Outra pergunta que não quer calar: se o calor é tão atípico, por que os ventiladores não são mais necessários?

É, se dependermos de respostas arrojadas como esta para sairmos da mesmice dos velhos problemas, então estamos lascados. O jeito vai ser preparar aquela sua massa de bolo preferia, untar uma forma e mandar assar em qualquer um desses dois locais, para sua maior comodidade e conforto.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Veranescas

Este calor extremo que persiste há dias me remeteu hoje a duas notícias que passeiam pelo mesmo campo semântico: calor, inferno, refrigeração, suadouro, graus Celsius, massa de ar quente, recorde abosluto de todos os tempos de todas as galáxias, etc, etc, etc.

A primeira das duas notícias nos coloca face a face com a dura realidade da preservação dos acervos  na cidade do Rio Janeiro: "Desde maio, o sistema de ar-condicionado da Biblioteca Nacional, no Centro, está desligado, provocando temperaturas de 47 graus, 100% acima do ideal para o acervo, e reduzindo a visitação" (http://oglobo.globo.com/rio/dentro-da-biblioteca-nacional-47-graus-sombra-dos-livros-7149922).

Obviamente, não podemos nos compadecer dos acervos de livros sem nos sensibilizar também com as condições insalubres do "acervo humano" que cuida desses mesmos livros. Afinal, 47ºC foi  a também sensação térmica ontem no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro, já que um "bônus" de humidade em cerca de 4ºC a sensação térmica.

Desse jeito, os funcionários da Biblioteca Nacional só tem duas alternativas: a) entrar no prédio fazendo sinal da Santa Cruz para não morrerem desidratados; b) transferir o mobiliário de escritório para qualquer esquina de Santa Cruz: ao menos assim os livros ficam a céu aberto; se pegarem fogo por lá, tenho certeza de que ninguém duvidará da tese de combustão espontânea.

A segunda notícia do dia, apesar de dramática, servirá ao menos para refrescar as ideias: "Um aquário gigante explodiu em um shopping de Xangai, na China, deixando 15 pessoas feridas" (http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/r%C3%A1dio-patrulha-1.530/aqu%C3%A1rio-explode-mata-tubar%C3%B5es-e-fere-15-pessoas-na-china-confira-v%C3%ADdeo-1.72673).

Não se sabe ao certo o que fez o aquário de vidro acrílico de 15 cm de espessura se romper, matando "três tubarões-limão e dezenas de tartarugas e peixes menores". Mas sabe-se com uma certa segurança que o desfecho da notícia publicada a respeito no jornal Hoje em Dia online poderia ter sido mais inteligente. Afinal, qual o interesse em saber que "Chen Yongping, um funcionário da direção do centro de compras, disse que o estabelecimento não pretende ter outro aquário no futuro"?


Tivesse um aquário desse se rompido em plena Biblioteca Nacional na tarde de hoje, era bem provável que os três tubarões-limão tivesse se transformado em postas grelhadas, ali mesmo, no ladrilho da instituição. Com vantagem nítida com relação às tartarugas e aos peixes menores: os turbarões-limão já estariam devidamente temperados.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Alinhamentos

Esses tempos de transição entre algo e outra coisa - do contrário, não seria transição! - têm levado muita gente a olhar eventos corriqueiros sob as lentes de aumento da tragédia. Assim foi recebido o dia de calor, hoje, aqui na Roça Grande: um sinal claro do final dos tempos!
Se bem que esse tom de tragédia esteve mais na fala das pessoas ao longo do dia, do que na mídia impressa propriamente dita: "nesta terça-feira (18), o termômetro chegou aos 32ºC em BH e a umidade relativa do ar ficou em 31%, considerada baixa para esta época do ano" (http://www.hojeemdia.com.br/minas/previs-o-de-calor-e-chuva-nos-proximos-dias-em-bh-e-regi-o-metropolitana-1.69849).

Sem as frentes frias, tão comuns para esta época do ano, o clima geral acabou sendo mesmo de consternação. E muito embora os termômetros da capital já tenham marcarado temperaturas bem mais elevadas do que essa, a impressão que fica é a de que a sensação térmica era compatível com a de um dia típico do deserto do Saara.

"Por que será?", pergunto eu. "Simples", respondo para mim mesma. A razão só pode estar no tão propalado alinhamento cósmico entre nosso sol, o planeta Terra e o sol central, que fica no centro da galáxia. Não tem outra alternativa: só o alinhamento com dois sóis explica o calor absurdo que fez hoje!

Obviamente, estou ironizando mais o calor do que o alinhamento, seja ele com que sol for. Aliás, para combinar com a temática do momento, até fui ontem fazer um realinhamento postural - quadríceps, pélvis, ombros, maxilar e por aí vai. Se a Terra derrreter no meio dou desses dois sóis, pelo menos eu me vou desse mundo alinhada que só.

Isto é o que eu chamo de consolo besta!