A autora criou esse blog para divagar sobre o que lê diariamente nos jornais, com foco principalmente (mas não exclusivamente) na cobertura diária de ciência. Suas principais armas são a ironia de inspiração machadiana e um computador bacaninha (ela tirou o escorpião do bolso e comprou um de verdade). Ao citar alguma passagem, por favor, dê créditos para a autora: até para as grandes bobagens o direito autoral é inalienável.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Sol e altitude
Acordar às 3h da manhã para ver o sol nascer nos Andes foi uma experiência e tanto. Primeiro, porque me permitiu desenterrar a parafernália de inverno que não usava desde que voltei do Canadá. Segundo, porque, apesar do sol nascer para todo mundo neste planeta, lá em cima ele nasce diferente. Terceiro, porque o sol foi visto nascendo lá perto dos gêiseres do campo geotérmico El Tatio. "El Tatio", o avô que chora. A descida do grande avô foi uma sucessão de belezas de fazer chorar qualquer alma deste mundo. Minha reverência ao grande avô e a este belo povo Machuca, que me ofereceu uma deliciosa "empanada de queso", um chá cura-altitude, um belo par de luvas e uma lhaminha de souvenir.
Lagos
Hoje a aula foi sobre limites, inclusive os físicos. Subir a montanha em condições adversas não foi fácil. E pensar nas mazelas da ação humana na natureza, sob o olhar complacente dos flamingos, uma necessidade. Agora deixa eu ir dormir, que eu estou morta. Boa noite para quem fica.
sábado, 14 de setembro de 2013
Calama - San Pedro
Ainda na série contratempos: refazer o mesmo percurso é também um aprendizado e tanto. E refazer o mesmo percurso para corrigir um erro (seu, de outrem, pouco importa) é um aprendizado com gosto de desafio. No meu caso hoje, desafio superado. Terminado o dia, eis o balanço de muitos ganhos: um anel de seis pedras, minha mochila de volta e o mesmo trecho do deserto em três momentos distintos.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Contratempo
Estou cada vez mais segura de que viajar é ir contra o tempo. É deixar de viver o tempo ordinário, do cotidiano, para entrar em um tempo mítico, que desafia fusos - e, por que não dizer? - parafusos mal ajustados. Viajar é viver tempos mal-ajustados e contratempos. E o contratempo faz a Cordilheira dos Andes ainda mais majestosa e desafiadora! Que venham mais contratempos e, com eles, a sabedoria de saber fluir na vida.
Libellés :
contratempo,
tempo,
viagem
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
!Hasta la vista!
Amiguitos: viajo hoje, volto em breve.
Talvez este blog me siga, talvez não. Veremos.
Abraços para quem fica e pé na estrada.
Talvez este blog me siga, talvez não. Veremos.
Abraços para quem fica e pé na estrada.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Literatura axilar
Engana-se redondamente quem acredita que só os adeptos do culto ao corpo vivem no mundo das aparências. Os amantes do intelecto também pegam pesado - não na maromba, claro - mas na calcificação de uma imagem de si para o resto do mundo.
E como isso se dá exatamente? Uma pesquisa realizada no Reino Unido dá algumas pistas de como o culto à imagem de intelectual afeta significativamente algumas pessoas. Após consulta a 2 mil participantes, a pesquisa concluiu, por exemplo, que "a maior parte das pessoas - 60%, mais especificamente - mente sobre ter lido certos clássicos da literatura" (http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/09/09/60-das-pessoas-mente-sobre-ter-lido-certos-livros-aponta-estudo-509620.asp).
Mas esta não é a única estratégia. Vale também colocar na prateleira livros que nunca leu ou até disfarçar a capa de livros populares (geralmente, "aqueles adaptados para a TV e o cinema e utilizados nos currículos escolares"), cobrindo-os com outros de maior aceitabilidade entre a nata intelectualoide.
Achou pouco? Pois ainda tem mais: para parecer mais inteligente, vale "mudar a aparência, corrigir erros de gramática cometidos por terceiros, usar citações famosas em conversas e dizer ter um nível de fluência em idiomas estrangeiros maior que o verdadeiro".
Sinal dos tempos, minha gente, sinal dos tempos. Agir assim é como realizar o equivalente a duas mil aplicações de botox no cérebro ou entornar toneladas de litros de silicone nos interstícios da sinapse nervosa, na esperança de parecer o que (definitivamente) não se é: inteligente.
E como isso se dá exatamente? Uma pesquisa realizada no Reino Unido dá algumas pistas de como o culto à imagem de intelectual afeta significativamente algumas pessoas. Após consulta a 2 mil participantes, a pesquisa concluiu, por exemplo, que "a maior parte das pessoas - 60%, mais especificamente - mente sobre ter lido certos clássicos da literatura" (http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/09/09/60-das-pessoas-mente-sobre-ter-lido-certos-livros-aponta-estudo-509620.asp).
Mas esta não é a única estratégia. Vale também colocar na prateleira livros que nunca leu ou até disfarçar a capa de livros populares (geralmente, "aqueles adaptados para a TV e o cinema e utilizados nos currículos escolares"), cobrindo-os com outros de maior aceitabilidade entre a nata intelectualoide.
Achou pouco? Pois ainda tem mais: para parecer mais inteligente, vale "mudar a aparência, corrigir erros de gramática cometidos por terceiros, usar citações famosas em conversas e dizer ter um nível de fluência em idiomas estrangeiros maior que o verdadeiro".
Sinal dos tempos, minha gente, sinal dos tempos. Agir assim é como realizar o equivalente a duas mil aplicações de botox no cérebro ou entornar toneladas de litros de silicone nos interstícios da sinapse nervosa, na esperança de parecer o que (definitivamente) não se é: inteligente.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Fogos
Fogos brilham no céu e a NASA diz que foi um meteorito se partindo. Foi o que noticiou o jornalista Salvador Nogueira, no blog intitulado Mensageiro Sideral: "na madrugada de quarta-feira, às 4h27 (de Brasília), um pedaço de
asteroide com cerca de 60 cm de diâmetro e coisa de 50 quilos adentrou a
atmosfera sobre os Estados Unidos" (http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2013/09/05/pedregulho-despenca-do-ceu-nos-eua/).
Ainda de acordo com o jornalista, a NASA teria registrado tudo a partir de câmeras instaladas no solo: "O meteoro entrou na atmosfera a estonteantes 90 mil km/h e começou a se fragmentar a uma altitude de 53 km. Uma segunda fragmentação ocorreu menos de um segundo depois, a 46 km do chão."
Mas o que me choca mesmo é perceber o quanto a NASA é capaz de apostar nas verdades científicas que mais lhe convêm. Não, amigos, não tinha nada de meteoro ali. Nem de OVNI ou qualquer outro corpo celeste que valha um único clique fotográfico da agência espacial. A verdade é que as luzes e explosões que as lentes presenciaram na madrugada de ontem eram tão somente os fogos de artifício que nós, habitantes da Roça Grande, soltamos em saudação à chuva que caiu precocemente na cidade durante todo o dia de ontem.
O show pirotécnico tem lá sua razão de ser: é muito pouco usual que chova nessa época do ano, ou seja, é raro que a chuva chegue bem antes que o tempo de seca chegue a níveis insuportáveis de secura e poluição. E a chuva chegou lavando tudo, sem exceção. Nem a lua nova, que tomou hoje posse do seu trono no céu, foi poupada. Mas felizes mesmo ficamos nós, que pudemos dormir ouvindo o barulho da chuva: sem dúvida, a mais doce e antiga canção de ninar de que se tem notícia.
E deixamos a NASA para lá com suas câmeras e suas manias de registro daquilo que os olhos até veem, mas o coração não sente.
Ainda de acordo com o jornalista, a NASA teria registrado tudo a partir de câmeras instaladas no solo: "O meteoro entrou na atmosfera a estonteantes 90 mil km/h e começou a se fragmentar a uma altitude de 53 km. Uma segunda fragmentação ocorreu menos de um segundo depois, a 46 km do chão."
Mas o que me choca mesmo é perceber o quanto a NASA é capaz de apostar nas verdades científicas que mais lhe convêm. Não, amigos, não tinha nada de meteoro ali. Nem de OVNI ou qualquer outro corpo celeste que valha um único clique fotográfico da agência espacial. A verdade é que as luzes e explosões que as lentes presenciaram na madrugada de ontem eram tão somente os fogos de artifício que nós, habitantes da Roça Grande, soltamos em saudação à chuva que caiu precocemente na cidade durante todo o dia de ontem.
O show pirotécnico tem lá sua razão de ser: é muito pouco usual que chova nessa época do ano, ou seja, é raro que a chuva chegue bem antes que o tempo de seca chegue a níveis insuportáveis de secura e poluição. E a chuva chegou lavando tudo, sem exceção. Nem a lua nova, que tomou hoje posse do seu trono no céu, foi poupada. Mas felizes mesmo ficamos nós, que pudemos dormir ouvindo o barulho da chuva: sem dúvida, a mais doce e antiga canção de ninar de que se tem notícia.
E deixamos a NASA para lá com suas câmeras e suas manias de registro daquilo que os olhos até veem, mas o coração não sente.
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